Tribuna do Leitor

Viva o Norusca, mas e o hino?

Prof. Joaquim Eliseo Mendes Membro efetivo da ABLetras
| Tempo de leitura: 3 min

Sim, e o Hino Nacional? Deixa pra lá...! Depois de três ininterruptos anos de saudosa ausência, neste último domingo em que me deliciava e inspirado por uma maravilhosa e ensolarada tarde, resolvi voltar ao Estádio Alfredo de Castilho para assistir ao tão esperado jogo entre o Noroeste e o Velo Clube de Rio Claro, da Copa Paulista. Foi como se voltasse anos atrás em minha vida, pois dentre aquela assistência do torcedores que ultrapassava mil pessoas, comparando, sabia situar-me entre os raríssimos longevos, talvez até ganhasse o prêmio, pela minha idade, pois lá vão longe os meus oitenta. Que sensação maravilhosa sentar-me na geral, sobre uma almofada, próximo da torcida organizada da "Paixão sem limites", ouvindo piadas e referências ao juiz, muito embora ainda o jogo não tivesse iniciado. Extasiava-me nos minutos que antecediam ao início do jogo, até que chegou o momento final do tão esperado começo em que os jogadores dos dois times se perfilaram juntamente com o juiz, auxiliares e demais reservas quando tiveram início os acordes do Hino Nacional Brasileiro que, cantado, passou a ser acompanhado por grande parte dos torcedores.

Descobrindo-me do boné e levantando-me, assim como fizeram muitos, com minha inaudível voz também acompanhei o canto de nosso Hino, pesando e procurando interpretar cada palavra do seu texto. E então fiquei surpreso quando ouvi várias manifestações ao meu lado de torcedores que, exaltados e inconformados, gritavam a muitos que nos rodeavam: "Vamos ficar em pé, galera, em pé...!" E então, olhando ao nosso lado, identifiquei a galera que não estava "nem aí". Uns, ouvindo sentados como se fosse um samba de breque, outros preocupados com o seu celular, outros namorando, muitos frios e indiferentes. E então lembrei-me do sambódromo nos desfiles do Dia da Pátria, quando situações idênticas ocorrem. E, mesmo assistindo ao jogo, passei a meditar, concluindo de como estamos longe...! E filosofando! Longe... muito longe; quanto tempo vai levar para mudar, se é que um dia mudará? Quando que o nosso povo, o brasileiro, tornar-se-á um povo patriota como outros, pondo o país em primeiro lugar do que o interesse pessoal? De uma coisa eu tenho certeza: de que eu não verei. Mas os meus netos e bisnetos verão, participarão? De outro também considero-me certo de que a escola do nosso tempo, de nossa geração transmitiu-nos sentimentos de civismo pois sabíamos e cantávamos o Hino Nacional, assim como outros pátrios e conhecíamos os símbolos da Pátria,

E a escola atual? A meu ver, está falhando, deixando por conta da família e outras instituições que não têm conseguido atingir os objetivos esperados. E as provas estão aí, incontestáveis, evidenciadas pela sujeira que grassa nossa sociedade, representada por políticos corruptos cuja preocupação e ideal não é o país, sociedade, Brasil, mas sim a sua pessoa. Eu, eu, eu, e o que interessa, eu...! O resto é resto, que se lixe! Talvez algum leitor discorde desta minha manifestação, pensando, na ordem das coisas, o que significa esta postura entre uma torcida em um campo de futebol? Sim, é uma pequena coisa, porém, entendo ser "uma pequena grande coisa". E é conhecida esta máxima: "Quem é honesto nas pequenas coisas será honesto nas grandes coisas" e "quem é desonesto nas pequenas coisas será desonesto nas grandes coisas."

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