Não existe nada mais enigmático do que a espécie humana. A composição de suas características é circunspecta de incontáveis comiserações, sentimentos, estimas, valores, que se acumulam e se associam em cada um.
O princípio comportamental baseado em valores virtuosos que abraçam a honestidade, a dignidade, a probidade, a retidão são adjuntos característicos da honra, algo olvidado no Brasil.
Vivenciamos uma era da aquisição, da vantagem desonesta em prejuízo alheio, desvirtuado, mediante artifício ardil ou meio fraudulento, aquilo que não produzimos ou aquilo que não nos pertence, ato adverso da honra.
Willian Shakespeare em sua primorosa obra MacBeth, quando em seu quarto ato diz: "Sinto aqui o cheiro de sangue, nem todos os perfumes da Arábia poderão fazê-lo desaparecer dessa mão pequenina", frase literal da peça, mas muito conveniente à contemporaneidade brasileira, onde a honra foi às favas.
Arquiteto primoroso dessa era de desonra, o poder Judiciário tem, com sua performance sorumbática, desconstruído conceitos elementares do arcabouço principiológico da honra, da decência, da equidade, culminando com a extenuação da esperança de nossa gente.
Os pêndulos desequilibrados da balança, que tem sua origem em Osíris - deus da morte e da vegetação-, pesava a alma dos mortos nesse objeto símbolo do julgamento para assim deliberar a fortuna ultra terreno. De um lado dos pratos da balança estava o coração do morto, e do outro a pena de avestruz que neste caso simbolizava a verdade e a justiça.
No Cristianismo, a balança advém de São Miguel, o arcanjo do julgamento, designado a pesar as boas e más ações da terra.
No Alcorão, livro sagrado do Islã, colocam-se pedras brancas e negras reservadas a adjudicar as boas e más pessoas.
Dentre todas elas está presente um código de honra, de equidade, de princípios irrenunciáveis, onde a medida é exata. Como se diz, sem capa, sem CPF, sem filiação partidária, sem conluio, afinal de contas, o homem ali esta nu.
Os argumentos matreiros de favas, de modéstias arrogantes, de justiças seletivas, enxergaram de forma inconteste que falta honra aos homens públicos. Afinal, honra é um princípio que nem todos têm.