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O canto dos experientes

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Chico Buarque, 73 anos, numa espécie de delicada arrebentação, lançou a música "Tua Cantiga" na sexta-feira - mesmo dia do aniversário de 64 anos de Guilherme Arantes, que já trabalha na divulgação de seu novo álbum, "Flores e Cores".

Também na sexta foi a vez do ex-beatle Ringo Starr, 77, disponibilizar a inédita "We're On The Road Again" ("Estamos novamente no caminho") gravada com Paul McCartney, 75, e Joe Walsh (ex-Eagles), 69.

Tudo isso poucas horas após Mick Jagger, 74, sair não com uma, mas duas canções novas (e plugadas no conturbado cenário moderno): "England Lost" ("Inglaterra Perdeu") e "Gotta Get a Grip" ("Precisa se Ligar"). Nesta última, diz: "O mundo está de cabeça para baixo".

Lembrando que o próprio McCartney segue em turnês mundiais, passará uma vez mais pelo Brasil e também deve mostrar, nos próximos dias, músicas novas.

Esses senhores indicam, cada um a seu modo, que não há idade para criar, emocionar ou provocar. Deles, e de um Caetano, 74 anos, de um Bruce Springsteen, 67, ou de uma Maria Bethânia, 71, sempre se pode esperar algo impactante ou reconfortante.

Segundo disse Guilherme Arantes ao JC em 15 de julho, há todo um público ávido por isso. Para ele, os que passaram da casa dos 40 estão órfãos musicalmente porque não querem os "batidões" que tocam nas baladas por aí e, ao mesmo tempo, daquilo que gostam, só encontram flashbacks.

Por isso, o próprio Guilherme tomou uma decisão: "Fiz um disco para eles. São inéditas do gosto deles". E mais: "Não fiz perseguindo agradar a molecada, muito supervalorizada, só que quem toca o País em frente é um bando de quarentões e cinquentões com energia e criatividade".

Fica a dica aos mais novos, da música e fora dela: o tempo, como já disse Francis Bacon, pai da ciência moderna, também pode ser o maior inovador.

O autor é editor executivo do JC

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