| Reprodução Internet |
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| Livorno é considerado como a batalha mais difícil do Exército Brasileiro. Pracinhas de Bauru e região estiveram lá |
Morador de Bauru e ex-combatente na Segunda Guerra Mundial, Gois Aparecido Canedo morreu, na madrugada de ontem, aos 98 anos, após complicações de uma pneumonia. O pracinha estava internado no Hospital da Unimed e era conhecido pela saúde de "ferro".
De acordo com Carlos Zampieri, amigo da família, a notícia pegou a todos de surpresa porque a festa de comemoração do centenário já era esperada. "Ele sempre foi muito lúcido, saudável e caminhava normalmente. O inverno deste ano foi muito forte para ele, que acabou adoecendo".
Canedo foi combatente das Forças Expedicionárias Brasileiras (FEB) e lutou contra as tropas italianas de Benito Mussolini, entre 1944 e 1945, em campo de batalha em Livorno, marcado por desolação e miséria. O departamento de Relações Públicas da 6.ª Circunscrição de Serviço Militar (CSM) confirmou que ele era um dos últimos ex-combatentes vivos na cidade.
| João Rosan/JC Imagens |
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| Em 2008, Gois Aparecido Canedo recebeu honraria da 6.ª Circunscrição de Serviço Militar (CSM) |
Dono de uma memória considerada invejável e saudosista dos tempos em que serviu ao seu País contra os aliados de Adolf Hitler, Canedo deixou mais do que medalhas e um museu criado por um amigo, na cidade de Lucianópolis. As ricas histórias, cheias de detalhes, segundo uma das netas, é o que mais marcou a infância ao lado do avô. "Ele sempre foi muito carinhoso com todos nós e fazia tudo pela gente. Ele era muito apegado à farda e às medalhas. Afagava com frequência. A alegria dele era de quando contava pra gente cada detalhe da guerra e de quando desfilávamos com ele no feriado de 7 de Setembro, no Sambódromo", recorda Henriette Meres Canedo de Souza.
HISTÓRIAS DE GUERRA
Ao JC, ela compartilhou algumas destas histórias que nunca haviam sido divulgadas. "Meu avô, já casado, contou que o Exército havia comunicado que ele e os outros soldados seriam levados de navio à alto mar para um treinamento. Ele estava lá para uma suposta promoção de patente. Mas não aconteceu. Somente em alto mar que eles disseram a verdade. Que estavam indo para Itália, lutar na guerra", detalha.
Henriette conta, ainda, que, ao receber a notícia, segundo seu avô, muitos soldados se jogaram em alto mar, para não serem levados até a batalha. O avô Góes ficou para combater como soldado e operador de morteiro. "Com um tiro só do meu avô, de morteiro, conforme ele nos contava, eliminou 15 inimigos de uma só vez".
Na Itália, de acordo com Henriette, o avô relatava que tinha que comer um tipo de pasta gelada e enlatada. Em outras vezes, Góes era obrigado a se esconder entre corpos de outros soldados para escapar de soldados inimigos. Muitos morriam com cartas para a família nos bolsos.
FRIO
O frio foi um grande adversário também. Henriette conta que foi ministradas a eles algumas vacinas desconhecidas, que resultaram na queda de todos os dentes do avô. "Ele teve que usar prótese bem novo por conta disso. E a guerra acabou pra ele quando foi gravemente ferido pela explosão de uma granada, que lesionou pescoço, braço e virilha. Ele ficou por lá até a guerra acabar, em 1945, depois foi condecorado e retornou para o Rio de Janeiro e depois Bauru".
Uma das coisas em que Gois mais se apegava era de perguntar para as netas se Deus o perdoaria por ter lutado na guerra. "Ele sempre comentava isso com a gente. E nós sempre o consolávamos, dizendo que sim, que Deus o perdoou porque ele não teve escolha", ressalta.
Gois Aparecido Canedo foi velado ontem no Centro Velatório Terra Branca e sepultado à tarde no Cemitério do Redentor. Ele deixa os filhos Elizabet e Jorge (já falecido); as netas Henriette e Hariadne; além da bisneta Lívia, de 3 anos. Ele morava em um apartamento na Vila Universitária.
Honrarias
Depois da Guerra, Gois foi levado aos EUA, onde foi condecorado com a medalha Silver Star, concedida pelo alto comando do exército norte-americano a soldados que tenham ótimo desempenho em situações adversas de batalha.
No Brasil, Canedo também recebeu diversas medalhas, entre elas, a Cruz de Combate de 1.ª Classe, alta honraria concedida aos militares que praticaram atos de bravura ou revelaram espírito de sacrifício no desempenho de missões em combate e às unidades que se destacarem na luta.

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