Sacadas

Sacadas: a festa continua


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E a semana começa em ritmo de eventos na cidade com o prosseguimento da Grand Expo, que vai até o próximo domingo no Recinto Mello Moraes em área hoje com entorno totalmente urbanizado e que há anos seguidos vem recebendo investimentos e melhorias através da ARCO e de seus parceiros para se transformar num dos melhores espaços para eventos de toda a região.

Méritos

Cumprimentamos com alegria a toda a diretoria da ARCO, liderada por Érico Braga, assim como aos associados, toda a sua equipe, colaboradores e aos parceiros que ajudam a viabilizar um evento que, durante 11 dias, coloca holofotes de uma grande região sobre Bauru. Prefeitura, Câmara e outros órgãos da área pública também se unem nessa empreitada e, mesmo num Brasil pautado por sucessivos cenários desafiadores, viabilizam um evento dessa abrangência e importância.

A Fazendinha-JC

E por isso mesmo, durante a Expo, o JC também está por lá. Assim a Fazendinha-JC continua sendo um espaço temático onde se buscou recriar um universo de hospitalidade, inspirado nas cozinhas das casas de nossos avós e também nas antigas vendas, onde se misturavam o consumo e a convivência, que antecederam aos modernos modelos de autosserviço, como os dos supermercados, por exemplo.

Mas o que é?

Muita gente nos pergunta: "o que é essa tal de Fazendinha". E respondemos: É o espaço de um velho galpão, locado para o JC, dentro de uma exposição agropecuária, onde resolvemos, ao invés de montar um estande comercial, algo que resgatasse um pouco da cultura caipira de um Brasil que, entre os anos 60 e 70, acelerou a sua urbanização, o consumo de novas tecnologias e de produtos industrializados, influenciados pelo "American Way Off Life", ou seja, no "jeito americano de viver" do pós-guerra.

Para que é?

Lembrando um Brasil mais romântico, que nos anos 60 e 70 ainda era predominantemente rural, que começava a ver sua gente se mudar do campo para as cidades, recriamos um espaço para valorizar a convivência humanista. A referência é em parte sobre cozinhas das casas de nossos avós, onde sempre tinha algo para servir e sempre cabia mais um.

Velho armazém

Remete também àquelas vendas antigas da cidade, onde se encontrava quase tudo, de arroz, feijão, doces como maria mole, suspiros coloridos, pé de moleque, anzol e vara de bambu e linha para a pesca, até calçados, produtos agrícolas e de armarinho, mais o cheiro do café no torrador e do café no bule. E ainda tinha o fiado das "cadernetas" , que como o próprio nome já diz, era o ato de fiar, quer dizer, de confiar no comprador.

O ambiente

Fogão de lenha, feito com vermelhão e vitrificado com açúcar cristal, chaminé de manilha, com fumeiro em cima, onde se penduram carnes e linguiças para que sejam curadas pela fumaça da lenha, panelas de ferro de quase cem anos (herança da parte mineira, usadas nas propriedades rurais, montanhosas, lá da da Mantiqueira, região de nossas raízes paternas.

Urbana

Objetos decorativos que remetem à vida e à relação do homem com as coisas da terra em um espaço que, na verdade, também uma grande cozinha como as da casa de nossos avós de ascendência italiana (a parte materna das nossas raízes), um oásis de aconchego, no efervescente e charmoso centro de Bauru dos anos 60 e 70.

Luz e som

Com modas de viola, som pantaneiro e também a bossa nova (esse é o nosso lado Rio de Janeiro) de Luiz Ornelas, Toninho Batera, por vezes acompanhados pelo Cido do Sax (The Best) em meio à luz amarelada das lâmpadas incandescentes, para ajudar a criar clima do ambiente, para uma prosa gostosa, petiscos, beliscos e muita convivência, ouvimos até por rock'n roll, que mostra o quanto Bauru é pluralista, caipira de raiz, vanguarda por opção e glamorosa por natureza.

As receitas

Receitas com "sustância", como o "Feijão reformado do Tio Antônio", o Frango D'ouro, Linguiça ao parmesão e Caldinho da horta, mandioquinha frita, a famosa linguiça "made in Duartina-City", goiabada cascão, doce de abóbora de tacho, são alguns dos pratos que se consagraram por lá pelas mãos da sempre "Ângela da Fazendinha-JC" e, mais recentemente, também pelas fritadas e receitas da "Cida do JC", ambas "mãezonas de grande coração" e de toda a turma que atende a todos, com capricho e carinho. Sem esquecer do aroma do café no torrador antes de ir pro bule, passando no coador de pano.

Pro "Santo"

Vez por outra também recebemos, lá de Minas ou de amigos que nos visitam, cachaças daquelas da "reserva especial" de alguém que conhece o que é bom. Assim celebramos, não sem antes oferecer "uma dose pro Santo" e também para avivarmos os bons espíritos, fazendo um salve com o grito "Caramuru", servindo a boca onde a lenha arde, com uma generosa dose da boa.

História

O fogo sobe, aquece, ilumina e anima, como na famosa marca Caramuru, tão conhecida da garotada pelas bombinhas, busca-pés e outros fogos de artifícios, que ao mesmo tempo relembra personagens da história do Brasil, como Diogo Antônio Velho, que tinha o apelido que dá nome aos fogos e foi de grande ajuda para facilitar o contato entre os índios e colonizadores. Na foto, o prefeito Clodoaldo Gazzetta, a presidente do Fundo Social de Solidariedade, Lázara Gazzetta, e o diretor do Grupo Cidade, Renato Zaiden.

Chama acesa

São saudados também ao grito de "Caramuru", no ato de jogar cachaça no fogo que expande a chama de lenha, em homenagem aos espíritos dos bandeirantes paulistas, como Fernão Dias Paes Leme, que hoje é nome da rodovia que liga São Paulo e Minas (cujos costumes se misturam naquele espaço).

Mais história

E ainda a Bartolomeu Bueno da Silva, conhecido como Anhanguera, também nome de rodovia, que faz parte da primeira etapa do percurso entre São Paulo a Goiás, que usou a bacia com álcool para encantar as índias daquele Estado e lembrar a todos sobre o Brasil Império e o nosso povo nativo.

Boas energias

Como devem estar por lá os memoráveis irmãos Villas Boas, sertanistas cujo irmão Álvaro, fez história na Funai de Bauru, no século passado, porta de entrada para o Sertão e Pantanal e para os queridos Estados do Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, cujas raízes também são celebradas na Fazendinha-JC. Sem nos esquecermos de Raposo Tavares, que nos remete ao querido Paraná.

De 1.500 a Burguesa

Mas a prosas seguem animadas e vão além da cachaça, do limão rosa do galego, dos queijos e temperos variados. Muito especiais, neste ano, as cervejas 1.500 e Burguesa, já nas primeiras noites desta edição da Fazendinha-JC, caíram no gosto dos presentes, como se percebe nas mesas do lugar, que não são para quatro, mas para todos.

Sem convites

Nossa ideia é que os frequentadores da Grand Expo possam passar por lá e degustar um pouco de nossa proposta, registrando pelas lentes de nossos fotógrafos esses momentos de convivência. Assim, não enviamos convites, apenas recebemos com carinho, dentro da nossa capacidade de espaço, aos que nos visitam, para que levem de lá as melhores lembranças possíveis. A Fazendinha-JC é basicamente isso, simples assim.

Por lá

Feliz semana pra você, com as bênçãos do Criador, lembrando que a pedida de hoje até o próximo domingo, é pegar a família, reunir os amigos e passear pelas Grand Expo. Nos vemos por lá.

 

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