Tribuna do Leitor

Que saudade das cadeiras nas calçadas

Prof. Carlos Alberto Alves Neves
| Tempo de leitura: 1 min

Mário Quintana escreveu: - "Havia um tempo de cadeiras na calçada. Era um tempo em que havia mais estrelas, tempo em que as crianças brincavam sob a claraboia da lua. E o cachorro da casa era um grande personagem. E também o relógio de parede! Ele não media o tempo simplesmente, ele meditava o tempo".

Lembro-me da casa de minha avó Carminda, na rua Gerson França, 6-66, onde as vizinhas D. Carmen, D. Ernesta, D. Arminda sentavam-se à frente das casas para conversar e trocar receitas, contando os causos do dia a dia.

Enquanto isso, nós, crianças, brincávamos de pique, esconde-esconde, mãe da rua e até jogávamos bola, pois não havia o movimento de carros e nem de ônibus.

Como erámos felizes, pois não havia essa febre do celular que deixa as crianças dopadas pelos jogos, pelas mensagens, pelas descobertas numa rapidez assustadora... Não existia a televisão para que enclausurassem as famílias a assistir novelas que desmoranam toda a estrutura que conhecemos sobre educação, família, amor, respeito, amizade e amor ao próximo.

Hoje fechados em seus condomínios, as crianças têm a sua quadra particular para jogar futebol, correr, fazer suas brincadeiras sob a orientação de um técnico, mas as conversas que citei acima, aquela das comadres, não mais existem.

Modernidade, dirão alguns, é necessário. O tempo, conforme diz o poeta, não era medido, era meditado... e esse nós não temos mais, pois na vida moderna ou pós-moderna, o tempo voa, passa tão rápido que não notamos a velocidade do mesmo e ficamos a mercê das tecnologias modernas.

É só observar nos horários nobres das novelas, as ruas estão desertas, não há pessoas, carros, estão desertas, completamente silenciosas, pois todos estão em volta do seu aparelho de TV degustando o sabor das histórias dos mais diversos gêneros. Que saudades das cadeiras nas calçadas...

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