Nem é tão difícil assim explicar por que certas incoerências acontecem neste nosso País. Para o bem e para o mal não faltam visões, opiniões e interpretações sobre esta terra tão "malhada" no sentido Cazuza da palavra. Mas também tão "abençoada" na versão Ben Jor.
Fomos construídos nesta mistura. De Bezerra da Silva a Tom Jobim, de Chico Buarque a Lobão, de Anitta a Patativa do Assaré são variadas as traduções. Que caldo! Apenas para ficar numa superficial amostra desta pluralidade.
Acrescente então os novos e ácidos conteúdos das redes sociais que chegam de forma rápida, ampla e sem filtros. Há também um quase mítico sub(supra)mundo, invisível ao olho coletivo, que pauta muito mais do que a razão alcança esse caótico roteiro.
Claro que eu não iria me esquecer da nossa tão batida sina colonialista. Assim somos forjados!
O brasileiro é esse amontoado de sensações. Somos bons, alegres, cordiais, batalhadores, esperançosos e temos a fé, a criatividade e a maleabilidade de se adaptar às adversidades.
Mas também podemos ser (e somos!), pedagógico assumir, exatamente o oposto. Mas como assim, esse povo tão extraordinário vai de Dr. Jekyll a Mr. Hyde num piscar de olhos? Ou em apenas um clique!
A resposta é simples. Pelo menos assim ouso, deliberadamente, sugerir. A possível verdade é que graças às revolucionárias novas tecnologias que permitem uma interação social nunca antes experimentada e abalos quase que tectônicos na esfera política, retrato da nossa representatividade, estamos sendo, finalmente, apresentados a nós mesmos.
- Prazer, eu sou o brasileiro! E vc (assim abreviado mesmo), quem é? -Eu também, com muito orgulho! -Nossa, nem acredito nisso!
Eu sou um cara do bem e vc é tão injusto, tosco, limitado, egoísta, violento, corrupto, reacionário, homofóbico, misógino, racista... -Psssiu!!! Não fale alto, alguém pode achar que estamos loucos, falando sozinhos.
Moral da história: ou continuamos a autodiscutir essa relação num nível civilizado ou quebramos o espelho de vez.