| Marcus Liborio |
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| Membros de sindicato, moradores do bairro Nova Esperança, docentes, pais e alunos promoveram um "abraço coletivo" no local |
"A situação está insustentável. Não podemos dar aulas e os alunos não conseguem estudar". O desabafo é de um professor da Escola Estadual Professora Marta Aparecida Hjertquist Barbosa (Caic), que não quis se identificar. A unidade, localizada no Nova Esperança, em Bauru, registrou 20 casos de vandalismo e furto somente neste ano, sendo três deles entre o último final de semana e a madrugada de ontem. A informação é do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).
Por conta da invasão mais recente, cerca de 1.200 alunos (do 1.º ao 9.º ano) ficaram sem aulas nesta terça. Em protesto, membros do sindicato, moradores do bairro, docentes, pais e alunos promoveram um "abraço coletivo" na escola. Com palavras de ordem e cartazes em mãos, cerca de 200 pessoas participaram do ato, conforme estimativa da PM.
Na última ocorrência, os vândalos teriam pulado o alambrado dos fundos e arrombado a janela de uma das salas de aula para ter acesso ao interior do prédio. De acordo com a coordenadora da subsede da Apeoesp em Bauru, Idenilde Almeida Conceição, materiais didáticos, parte da estrutura física do imóvel e do mobiliário existente na escola foram destruídos. "Na cozinha, chegaram a assar pães de queijo e levaram refrigerantes", diz.
Privados de assistirem aulas por conta dos estragos, o sentimento dos alunos era de indignação. "Quebraram as carteiras, rasgaram livros, jogaram comida no chão e até defecaram no lixo. Essa situação prejudica a gente porque atrasa o final do nosso ano letivo", critica o estudante Kauê Prado Marques, 14 anos.
Terrível e lamentável. É assim que a balconista Silvana Aparecida Martins, 37 anos, define os atos de vandalismo na escola em que estuda a filha Laís Cristiane Mariano, 10 anos. "O cenário é de insegurança. Fico até com receio de mandar ela pra aula", comenta Silvana. "É algo que me entristece demais, que tira meu direito de aprender", completa Laís.
FALTA DE SEGURANÇA
A categoria dos professores aponta falta de segurança. "A escola Caic está sem vigia desde o início de 2016. No prédio todo, só constam três ou quatro câmeras, mas o vandalismo sempre é praticado onde não há monitoramento", pontua Idenilde. A informação foi reiterada por professores e alunos que participaram do protesto.
Presidente da Câmara Municipal, Sandro Bussola (PDT) acompanhou o ato. Ele adiantou que o Poder Legislativo deve propor ao Executivo uma mudança no projeto de lei da atividade delegada - que permite aos policiais militares trabalharem para o município durante suas folgas. A ideia seria ampliar a finalidade do serviço.
"Além dos fins de fiscalização, implantar a questão patrimonial, para que os policiais possam atuar como vigias em prédios públicos. Não há outra saída a não ser investir em segurança e implantação de videomonitoramento para inibir o vandalismo", pontua, e completa que o Núcleo de Ensino Renovado Lydia Alexandrina Nava Cury (unidade municipal no Geisel) também foi alvo de vândalos, anteontem.
Em reportagem no início do mês, o JC mostrou que o município já havia registrado 92 casos de vandalismos e furtos a prédios públicos somente nos sete primeiros meses deste ano. Na ocasião, Clodoaldo Gazzetta apontou três medidas para tentar resolver o problema: intensificação da atividade delegada no período noturno, restauração rápida dos locais danificados e a implantação de videomonitoramento.
'ESCOLA É VÍTIMA'
Por meio de nota, a Diretoria Regional de Ensino de Bauru informou que a escola registrou boletins de ocorrência em todas ocasiões em que estes crimes ocorreram e reafirma que é vítima. A nota ainda informa que a escola, além de desenvolver projetos para aproximar a comunidade da instituição, conta com sistema de monitoramento e auxilia nas investigações.
"Ainda assim, por se tratar de um problema de segurança pública, tendo a escola feito o que está dentro de seu limite de atuação enquanto vítima, a Diretoria de Ensino enviou um ofício ao comando da Polícia Militar pedindo a intensificação e vigilância na unidade".
Sobre as aulas desta terça, a pasta afirma que serão repostas em um sábado a ser definido pelo Conselho de Escola.
