Geral

Com ou sem crise, vendedor é a vaga de emprego mais ofertada em Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.
Fernanda Varandas: "É a primeira vez em que este levantamento é feito com esta abrangência"

Cidade com vocação econômica forte no setor de comércio e serviços, Bauru emprega um grande número de vendedores. E, mesmo diante da crise, é para esta função que a cidade oferece, hoje, o maior número de vagas de emprego.

Segundo a Pesquisa de Diagnóstico Profissional, elaborada pela FVarandas Assessoria e Consultoria entre abril e junho junto a quase 23 mil estabelecimentos da cidade, ao lado do cargo de auxiliar administrativo, o de vendedor é o que mais contrata profissionais atualmente. Apresentado na semana passada pela Cáritas Diocesana de Bauru e Secretaria Municipal de Bem-Estar Social, o estudo considerou empresas localizadas dentro de nove áreas de abrangência dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e irá subsidiar a definição dos cursos profissionalizantes a serem oferecidos pelo município para atender as demandas existentes.

“É a primeira vez em que este levantamento é feito com esta abrangência. Ele mostrou que, embora haja uma evidência do setor de construção civil e telemarketing, a área de comércio e serviços é muito grande em Bauru, por isso a necessidade de contratação de vendedores vai sempre existir”, analisa Fernanda Varandas, proprietária da empresa de consultoria.

Dados mais recentes da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (Sert) do Estado de São Paulo reforçam a pesquisa. Das 149 vagas de emprego ofertadas no Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) para a região de Bauru nesta semana, 30 eram voltadas às funções de vendedor, supervisor de vendas, promotor de vendas, vendedor em domicílio e atendente de lojas, lanchonetes e mercados.

NOVAS ALTERNATIVAS

O momento delicado da economia, por outro lado, também motiva algumas empresas a prospectar novos mercados em busca de alternativas para aumentar o faturamento. É o caso de uma rede de cosméticos, que irá inaugurar sua segunda unidade em Bauru no início do mês que vem. Para tanto, já contratou 18 novos vendedores, de idades e perfis variados. “A primeira loja fica no Centro e a nova será no Bauru Shopping. São públicos diferentes nos dois endereços e, para tentar aumentar as vendas, estamos diversificando”, explica a diretora regional da rede, Renata Minami. Segundo ela, os vendedores contratados possuem entre 18 e 40 anos e a alguns, inclusive, foi dada a oportunidade do primeiro emprego. “O mais importante é que tivessem força de vontade e capacidade de relacionamento com pessoas”, observa.

ROTATIVIDADE

Samantha Ciuffa
Juliana Torres fala sobre rotatividade de vendedores: baixo salário e trabalho aos fins de semana

Proprietária de uma empresa de recursos humanos em Bauru, Juliana Torres Gimenez avalia que o número proporcionalmente maior de vagas ofertadas também está associado à rotatividade elevada de profissionais que atuam com vendas. O salário baixo e a necessidade de cumprir expediente aos finais de semana seriam os motivos que levam um grande número de trabalhadores a permanecer por pouco tempo no mesmo emprego.

“Em meio à dificuldade para efetivar vendas neste momento que o País atravessa, o dono da empresa pode decidir trocar vendedores ou então o próprio funcionário, se sentindo pressionado por resultados, pode desistir do trabalho”, pondera.

Na Pesquisa de Diagnóstico Profissional, as empresas informaram que grande parte das demissões ocorreu em razão da desistência do trabalhador. “Mesmo sem ter outro emprego em vista, muitos acabam abandonando o atual por não se sentirem estimulados. Vendedores externos, por exemplo, podem ter de trabalhar com carro próprio, o que representa um custo elevado ao final do mês”, concorda Juliana.

Segundo ela, vendedores do comércio varejista recebem, normalmente, piso de cerca de R$ 1,2 mil e comissões que são pagas somente quando eles atingem as metas estabelecidas pelos patrões. Para serem contratados, a exigência de escolaridade, salvo exceções, é de segundo grau completo e experiência mínima com atendimento ao cliente.

SERVIÇO

O PAT funciona no Poupatempo, que fica na avenida Nações Unidas, 4-44, Centro, entrada pela rua Inconfidência. Telefone: 3366-6030 ou 3366-3366.

Comentários

Comentários