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Entrevista da Semana: 'menos mimimi e mais hahaha!', com Marcus Cirillo

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 6 min

Arquivo pessoal
Marcus Cirillo já desponta como mais um dos grandes artistas de stand-up do Brasil

A profissão dele é fazer rir, de cara limpa, e já faz sucesso em todas as cidades por onde passa, inclusive em canal de TV humorístico, mesmo com o pai, ainda desconfiado, sempre mandando mensagens de concursos públicos que abriram inscrições para que ele tome "juízo".

Sempre levando as dificuldades na qual já passou no bom humor, em entrevista alegre e muito descontraída, o comediante Marcus Cirillo, 27 anos, nascido em Agudos e morador de Bauru há anos, revela ao JC os desafios de seguir a carreira na comédia, de como encarou a desconfiança inicial dos familiares e amigos, de como ajudou a fomentar o stand-up na região de Bauru e hoje, em ascensão nacional, já desponta como mais um dos grandes artistas de stand-up do Brasil.

JC - Como você descobriu que poderia trabalhar com humor?

Marcus - Descobri aos 18 anos, num congresso de jovens, quando um mágico engraçado chamou alguém pra ajudar no palco. Eu fui. Eu ajudei ele nos truques, o público ria e eu gostei daquilo. Me senti bem e vi que era a profissão que eu queria. Anos depois, quando meu pai subiu ao palco comigo, foi marcante demais para mim.

JC - Como foi contar a novidade para os pais?

Marcus - Meu pai não me leva a sério até hoje. Quando eu cheguei em casa para falar que havia conseguido bolsa integral na faculdade, todo mundo me perguntou: engenharia? direito? Eu: não! Qual curso então? Eu: artes cênicas. E eles: hum, que legal, que bacana hein, Marcus (risos). E hoje sou profissional do humor há três anos, vivo disso e me sinto muito realizado.

JC - E como surgiram as apresentações de stand-up?

Marcus - Foi em junho de 2011 que encarei o palco pela primeira vez. Havia 18 pessoas assistindo em um restaurante, na Getúlio. Eu ainda estava me descobrindo com este estilo de humor. No começo foi muito complicado. Não havia mercado em Bauru. Naquela época criamos o grupo de humor "Os Tripa-tetas". Além de mim, tinha o Estevan Gimenes, Rafael Palone e depois entrou o Caio Morelli. E durou quase um ano. Depois passei a fazer apresentação do "Riso com Farofa" e depois vieram as apresentações solo e a Turnê do Riso. Hoje organizo essa turnê de sucesso, na qual levo comigo nos shows comediantes famosos da TV e outros que são sensacionais também, mas que não estão na mídia.

JC - Como foi o desafio na época do Riso com Farofa, no início?

Marcus - A intenção era disseminar o stand-up comedy, por meio de um circuito de shows pelas cidades da região e criar esse mercado no Interior. O primeiro show foi no teatro de Agudos, em maio de 2012, com mais de 200 pessoas. A gente trazia comediantes de São Paulo para encarar desse desafio com a gente, de fazer as pessoas rirem em um evento só de stand-up.

JC - E como você constrói seu repertório?

Marcus - Eu faço meu texto com fatos reais da minha vida. Meu dia a dia sempre foi cômico. Sempre fui o aluno mais 'zoado' da turma. Meus relacionamentos nunca deram certo e eu já fui noivo por longos quatro dias. E eu pego todo esse contexto que vivencio, contos de família, meus fracassos amorosos e vou costurando as histórias de humor.

JC - Você foi um dos fundadores do Bartolomeu Comedy Club. Acha que a cidade tem mercado hoje?

Marcus - Sim. É muito bom fazer comédia em Bauru. O público é muito receptivo. O stand-up está em ascensão. Jovens e adultos de todas as idades curtem. E o Bartolomeu sempre tem atrações empolgantes, o Teatro Municipal também. Eu ajudei a fundar o bar, mas hoje não consigo ficar por lá devido a agenda de apresentações em várias cidades. Estou expandindo agora os shows da "Turnê do Riso" em Goiânia, Cuiabá e Londrina. 

JC - Você chegou a estrelar filme?

Marcus - Fiz um filme de 'média-metragem', onde eu escrevi, dirigi e interpretei. Chama-se "O Azarado", que conta a minha vida. O filme tem 47 minutos e não está online, só em DVD.

JC - Como foi o prêmio do Multishow que você concorreu?

Marcus - Foram 5 mil concorrentes e eu fui passando pelas etapas eliminatórias até chegar entre os 12 finalistas. Fui eliminado na fase musical, porque meu forte não era cantar. Mas fiquei muito feliz com o resultado.

JC - E o Cirillo é apelido, não é?

Marcus - Você acredita que é sobrenome mesmo? Ninguém acredita. Mas é. Culpa do meu pai. E olha ele aqui de novo, já mandando outra mensagem de concurso público com inscrições abertas. Até hoje ele acha que eu tenho que ter um emprego fixo (risos).

JC - Depois do Multishow veio o concurso do canal Comedy Central e você ganhou?

Marcus - Eu ganhei. Eram muitos concorrentes também e minha apresentação foi a mais votada. Ganhei a oportunidade de fazer parte do programa "Stand-up" e meu trabalho vai ao ar pela primeira vez, para todo o País, no dia 14 de setembro.

JC - Qual o limite do humor?

Marcus - O limite é imposto pelo local e perfil do público no qual você vai se apresentar. Tudo é adaptável e o comediante precisa estar ligado nisso. O mundo tá ficando muito chato. O humor em si não tem limite. O que tem limite é o gosto de cada um. Tem gente que gosta de piadas mais pesadas e tem gente que não. O comediante só tem que se atentar pra que tipo de público ele está se apresentando. Em certo sentido, o mundo está ficando muito chato. É o que sempre digo: o mundo precisa de menos "mimimi" e mais "hahaha".

JC - Qual o maior desafio para quem segue essa carreira?

Marcus - Saber que no começo ninguém vai rir de você, que é necessário persistência, treinar bastante, ser criativo o tempo todo e se reinventar sempre.

Hoje tem show

Marcus Cirillo tem show marcado para hoje, a partir das 20h30, no Novo Thermas de Piratininga, pela "Turnê do Riso", ao lado de Eros Prado, o "Inconveniente" do programa Pânico da Band. Ingressos custam R$ 20,00 para sócios e R$ 30,00 para não-sócios e podem ser adquiridos no local. Informações sobre este show e agendamento de apresentações pelo telefone/whats 14 99812-3540.

Perfil

Marcus Vinicius Cirillo tem 27 anos, nasceu em 7 de julho de 1990, em Agudos. Pai: Antônio. Mãe: Sandra. Tem como hobby jogar video game e assistir a série Game of Thrones. É solteiro, mas já foi noivo por quatro dias. Não tem filhos (não que ele saiba). Quando o assunto é música, ouve sertanejo. Torce pelo Palmeiras. Cirillo dá nota 10 para os programas Multishow e Comedy Central. E dá nota zero para os falsos moralistas que se passam por politicamente corretos.

 

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