Bauru tem registrado um aumento no número de supressão de árvores na cidade nos últimos anos. Segundo dados da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), de janeiro a julho de 2017, a média de cortes por mês foi 14% maior se comparada ao mesmo período do ano passado. Só em junho deste ano, para se ter uma ideia, 141 árvores foram cortadas na cidade. O aumento também ocorreu de 2015 para 2016 (veja mais no quadro ao lado).
Engenheiro agrônomo da Semma, Luiz Fernando Nogueira Silva aponta o envelhecimento das árvores como a principal causa do salto nos números de supressões. "Os bairros de Bauru são antigos e, consequentemente, as grandes árvores também. Por conta do fator idade, elas entram em declínio. É um processo natural, elas irem chegando ao final da vida e terem de ser retiradas".
Para que haja o corte da uma árvore, é necessário que se entre com um pedido, que será avaliado e, se deferido, publicado no Diário Oficial. O engenheiro explica que leva cerca de 30 dias para que a demanda seja atendida. "O pedido deve ser feito por meio do Poupatempo e, após a entrega da documentação, o pedido passará por uma analise da equipe da Semma".
A análise é realizada por engenheiros agrônomos e florestais da pasta e, em casos que não há como realizar um reparo, a retirada é autorizada. "Quando a árvore está quebrando a calçada, por exemplo, ela é preservada e o reparo na calçada é feito", ressalta Luiz Fernando.
Os casos que fazem com que o processo seja deferido e a árvore suprimida são os que envolvem doença na estrutura, má localização - como em meio aos fios de rede elétrica - e aqueles que apresentam danos subterrâneos às casas vizinhas ou às tubulações.
MEDO
| Ana Beatriz Garcia |
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| Márcia Godoi afirma que o que era sinônimo de beleza virou temor |
Uma árvore que costumava receber um casal de tucanos em seu tempo de verdes folhagens, hoje, é motivo de temor para os moradores da quadra 9 da rua Ezequiel de Mendonça, no bairro Santa Cândida. É o que relata Márcia Costa Moreira Godoi, 52, "vizinha" da árvore.
"Nós queremos que tirem ela daqui porque está morta e se desfazendo. É um perigo algum tronco cair em cima de alguém que esteja passando, nas crianças, que, às vezes, sobem para pegar pipas, e até mesmo em cima de alguma casa", comenta.
Segundo Márcia, o dono da casa que tem a árvore plantada na calçada entrou com o pedido de supressão que foi analisada, mas, por desencontros de informações entre os agentes que a retirariam, os moradores permanecem no aguardo. "Falaram que o dono da casa teria que entrar com um novo processo e estamos aguardando".
Por conta do adiantado da hora, a assessoria de comunicação da prefeitura não conseguiu averiguar esta ocorrência em específico, mas adiantou que a Semma irá analisar o caso.
SUBSTITUIÇÕES
Com a perda dessas árvores, o engenheiro agrônomo da Semma aponta para a necessidade de que as pessoas possam ajudar no trabalho de substituição. “É importante lembrar que temos o Viveiro Municipal para doar mudas de árvores a quem desejar plantar”, afirma Luiz Fernando. As mudas são oferecidas gratuitamente no viveiro e o cuidado pode ser garantido pelo serviço de poda, ofertado sem custos pela prefeitura. Agentes credenciados também podem ser contratados pelos moradores. “Bauru precisa de novas árvores grandes já que, com a diminuição no tamanho das que vem sendo plantadas, há um aumento no desconforto térmico previsto para o futuro”, comenta o engenheiro. O Viveiro Municipal fica na rua Henrique Hunzicker, 1-60, Jardim Bom Samaritano, de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h.
ULTRASSOM
Em julho, um ultrassom foi realizado na Timburi, na Praça Rui Barbosa. Por conta do alto custo, não há previsão de novos exames. “Nossas análises são bastante eficientes e utilizamos esse aparelho como um ‘plus’. Ele realmente é muito bom, mas é caro”, frisa Luiz Fernando Nogueira Silva.
SERVIÇO
Os pedidos de supressão devem ser feitos no Poupatempo Bauru, que funciona na avenida Nações Unidas, 4-44, Centro (travessa com rua Inconfidência), de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e aos sábados, das 8h às 13h.
