Tribuna do Leitor

Prezados Editores do JC

Rui Canedo
| Tempo de leitura: 2 min

Parabenizo o jornalista Bruno de Freitas pela matéria "Bauru se despede de Gois, remanescente da 2ª Guerra", publicada em 02/08/2017. Gostaria que este conceituado jornal publicasse um recorte da coluna do leitor de 10/11/2004, cujo autor é o próprio Gois Aparecido Canedo.

"Expedicionários:

Passados 60 anos, faço, com profunda emoção, um relato do que foi a Força Expedicionária Brasileira, sua dimensão e sua história que chegou a esse objetivo. O caminho dos expedicionários aconteceu no dia 2 de julho de 1944, rumo ao alto mar.

Às 6h da manhã, levantamos e nos preparamos para entrar no refeitório, e quando tomávamos o nosso café naquelas xícaras de louça enormes e sem asas, o alto-falante anunciava que estávamos deixando o Brasil.

Todos devíamos subir ao convés do navio para a despedida. Ninguém queria perder nada. O navio lentamente deslizando pela baía da Guanabara, deixando para trás a barra da Cantareira, as pequenas embarcações faziam oceanos de adeus.

Aproximamos da Barra do Forte São João, elementos da guarnição faziam também oceanos de despedidas. O convés estava repleto de gente. A cidade do Rio de Janeiro ia-se despedindo diante dos nossos olhos extasiados. Parecia-me que ninguém falava com ninguém. O navio começou a girar pela esquerda rumo ao alto mar. Todos estavam tristes, porque logo estaríamos desaparecendo no vasto oceano, sem que tivéssemos visto a imagem do Cristo Redentor devido ao céu coberto daqueles dias.

Entretanto, quase por milagre, as núvens se afastaram e, mais no céu do que na terra, lá estava Cristo Redentor de braços abertos, como se estivesse se despedindo dos seus filhos que partiam para o teatro de operações de guerra. Ficamos olhando à medida que a distância ia aumentando a todo instante, até que a vista começou a se confundir com o céu e águas do vasto oceano.

A marca que ainda tenho em minha lembrança aconteceu em pleno oceano Atlântico, no porto de Gibraltar.

As bandeiras brasileira e americana, cravejadas de estrelas, tremularam no azul do firmamento. Numa solenidade histórica, se uniram para sempre pelos mesmos ideais, pelos quais se lutou em terras de além-mar.

Aos que voltaram, aos que não voltaram...

Aos que voltaram feridos e aos mutilados...

Aos que tombaram no campo de honra e aos que serviram nas longínquas fronteiras do Brasil, a nossa homenagem sincera e perpétua para que pudéssemos ficar de pé no caminho do rumo certo e consolidar hoje e sempre a liberdade do homem, no conceito do mundo livre. Haveremos de preservar a nossa história. Os postulados da democracia."

Comentários

Comentários