Tribuna do Leitor

Meu amigo Gabriel

Irineu Azevedo Bastos
| Tempo de leitura: 2 min

Morando na Vila Falcão, conheci o ferroviário Gabriel Ruiz Pelegrina quando ele, também morando na Vila, frequentava uma rodinha de amigos, na esquina da rua Bernardino de Campos com a rua Campos Sales, na calçada defronte ao açougue de meu tio Juvenal, quando troquei palavras com ele sobre a Estrada de Ferro Noroeste Brasil pela primeira vez.

Cresci, eu era bem mais jovem do que ele, formei-me em Direito na ITE, casei com Janira Fainer em dezembro de 1970 e fui trabalhar em São Paulo. Somente em 1983 resolvemos, minha mulher e eu, voltar a residir em Bauru, pois tínhamos dois filhos, o Marcus, com 7 anos, que passou a frequentar o Colégio São José, e a minha filha Janaína, com 5 anos, que também foi para lá, podendo somente frequentar a pré-escola.

Afinal, morar no interior era mais calmo, daí nossa opção.

Com a volta da família, visitei Gabriel no Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica da USC e, convidado por ele, acabei aceitando ir outras vezes naquele local. Aprendendo detalhes da nossa história, tornei-me, com o tempo e o apoio de Gabriel, memorialista.

Ele havia mudado com dona Naide, sua mulher, para a rua Júlio Prestes, onde eu era bem acolhido e com ele fui obtendo uma sólida formação histórica, que gerou algumas parcerias literárias. Com minhas idas, fiquei conhecendo seus filhos e com eles tive boa convivência.

Gabriel nasceu em 13 de agosto de 1921. Filho do espanhol José Ruiz Pelegrina e da brasileira Dolores Cara Ruiz, ele casou com Naide Ruiz e tiveram quatro filhos: Carlos Roberto, Sérgio, Maria Aparecida e Luiz Antonio, todos presentes no seu velório na Terra Branca. Convivendo com eles aprendi a gostar de toda a família Pelegrina.

Juntos, atuamos em importantes projetos, dos quais destaco a Mostra do Museu Ferroviário na Rua Júlio Prestes, bem como apoiarmos a expansão do Museu Histórico Municipal. Muita coisa poderia dele falar, mas somente recordo nesta oportunidade dos livros que editamos em conjunto, inclusive com o Walther Mortari, também falecido.

Gabriel foi muito importante para a implantação do Núcleo de Desenvolvimento e Pesquisa Histórica, sendo contemplado com o título de Doutor pela USC e o Núcleo recebeu seu nome. Enfim, Gabriel, valeu a pena conviver consigo.

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