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| Gabriel Ruiz Pelegrina durante entrevista em 2013 em casa |
Considerado um dos principais guardiões e difusores da história de Bauru, Gabriel Ruiz Pelegrina morreu no início da madrugada de ontem, aos 96 anos. Ele, que carregava na memória e compartilhava com a sociedade fatos e detalhes do desenvolvimento da cidade, chegou a ficar internado por sete dias por conta de complicações no pulmão.
Com um legado de sete décadas dedicadas às pesquisas e com vários livros publicados, Pelegrina foi autor de mais de mil artigos em jornais e revistas e colaborador do JC por muitos anos. Filho do espanhol José Ruiz Pelegrina e da brasileira Dolores Cara Ruiz, apaixonou-se pela história e seus resgates com 19 anos, após ingressar para a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB).
Por conta de sua dedicação aos fatos, recebeu da Universidade do Sagrado Coração (USC) o título de "Professor Honoris Causa".
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| Despedida reuniu, ontem, muitos amigos e familiares em velório e enterro: homenagens |
Ele foi, aliás, fundador do Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica da universidade, onde atuou por 34 anos. Também exerceu o cargo de juiz de paz em Bauru e ocupou a cadeira n.º 1 da Academia Bauruense de Letras (ABLetras).
Pelegrina era casado com Naide Ruiz e teve quatro filhos: Carlos Roberto, Sérgio, Maria Aparecida e Luiz Antônio. Ele deixa nove netos (Fernanda; Ana Carolina; Thais; Thalita; Thiago; Gustavo; Maria Augusta; Maria Eduarda; e Maria Fernanda) e nove bisnetos (Vitória; Sofia; Maria Amélia; Maria Antônia; Maria Eduarda; Helena; Pedro; Luis Gabriel; e Laura).
'COMPUTADOR MENTAL'
Naide se emociona ao lembrar que viveu 68 anos ao lado do marido Gabriel Ruiz Pelegrina, que nasceu em Bauru e sempre viveu na região central da cidade. "Eu tinha 15 anos quando comecei a namorar com ele e, com 19, nos casamos. Ele foi um pai, avô e bisavô exemplar. As crianças o adoravam. Sempre me tratou muito bem. Vai deixar saudade", elogia.
A paixão pela história da cidade surgiu quando Pelegrina tinha 19 anos, período em que ele trabalhava em Três Lagoas (MS) pela NOB. "Mesmo longe, ele lia o JC de Bauru e ficava fascinado com os fatos históricos do município e da região. Foi cultivando esse gosto ao longo do tempo. Ele tinha um computador na cabeça. Uma memória realmente admirada por todos".
Brincalhão, calmo e contador de piadas. Esse era o perfil de Pelegrina com a família, recorda-se Naide. Marcenaria era uma das atividades que o despertava interesse quando ele estava em casa. "Ele gostava de mexer com madeira. Produzia brinquedos para os netos e bisnetos. Não costumava ficar parado, sempre estava fazendo alguma coisa".
'POETA DA HISTÓRIA'
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| Gabriel Ruiz Pelegrina dedicou quase a vida inteira à história de Bauru |
"Foi uma perda irreparável. O Gabriel era o poeta da história de Bauru. Aprendi muito com ele", destaca o jornalista e memorialista Luciano Dias Pires, lembrando que, quando o encontrava na Noroeste do Brasil, o assunto era sempre sobre os primeiros tempos da cidade.
"Na vida esportiva, ele foi, também, um nome de respeito, pois conhecia profundamente os mais influentes aspectos ligados à prática dos diferentes lances do esporte do município", comenta, pontuando que a "Estação de Artes merece receber o nome do Gabriel". O corpo de Pelegrina foi sepultado ontem, às 16h, no Cemitério da Saudade, após ser velado no Terra Branca por muitos amigos e familiares.
OBRAS E VISÃO ILUMINADA
Amigos na vida e parceiros nos estudos, Pelegrina divide a autoria de algumas de suas obras com os professores Irineu Azevedo Bastos e Terezinha Santarosa Zanlochi. “Ele tinha uma visão iluminada para a preservação e difusão da história de Bauru. Quase todos os pesquisadores que escreveram sobre a cidade buscaram apoio dele”, diz Zanlochi.
Bastos também lembra com carinho da amizade duradoura com Pelegrina. “Foi meu amigo em muitas jornadas. Ele me doou parte do seu acervo histórico da cidade, que, inclusive, utilizarei para produzir novas obras que assinarei junto com ele. Gabriel deixou uma família incrível, que irá honrar o nome dele e a sua história”, declara.


