O Jornal da Cidade vem mostrando nos últimos anos o impacto da epidemia de sífilis tanto em Bauru quanto no Brasil. Frente a uma realidade em que os registros não paravam de crescer, surpreendeu, em 2017, o fato de os números começarem a apresentar variantes de queda. O que seria uma boa notícia, porém, pode ter uma explicação menos otimista: as subnotificações.
A informação é do diretor da Divisão de Vigilância Epidemiológica do município, Ezequiel Santos, que comentou levantamento divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde a pedido da reportagem. Os dados mostram que os casos envolvendo adultos caíram nos primeiros sete meses desde ano, com exceção apenas de janeiro (veja no quadro).
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De fevereiro a julho, foram 147 notificações, contra 279 no mesmo período de 2016. "A sífilis é uma doença silenciosa, que pode demorar anos para se manifestar. Quando aparece no adulto, geralmente ele se automedica e a ferida acaba sumindo sozinha. O infectado não procura a unidade de saúde, havendo, portanto, a subnotificação", justifica Santos.
Sífilis é uma doença sexualmente transmissível que causa lesões no pênis e na vagina, chamadas cancro, que podem ocorrer na cabeça do pênis ou nos lábios vaginais ou colo do útero. Sua bactéria é capaz de atravessar a barreira placentária e infeccionar o feto, fazendo com que a criança tenha a sífilis congênita - bebês que pegam das mães.
Sobre este tipo da doença, também houve queda no número de casos entre 2016 e 2017. A quantidade foi a mesma no mês de janeiro de um ano para o outro: seis infectados. Já de fevereiro a julho de 2017, o volume soma 39 notificações, contra 75 no mesmo período de 2016. A ascendência de registros nessa frente da doença parou em razão do pré-natal realizado nas gestantes, afirma Ezequiel Santos.
"Durante o acompanhamento, as grávidas são submetidas ao exame de sífilis. Identificado o quadro, elas são devidamente tratadas com a penicilina benzatina e a doença não evolui para a criança. Isso explica a queda de casos, que pode ser momentânea. É muito cedo para cravarmos uma redução [de sífilis] em Bauru", pondera Santos.
PREOCUPA
Os dados que reforçam esta avaliação do diretor da vigilância epidemiológica são os que envolvem as notificações de sífilis em gestantes. Estas tiveram variação entre um ano e outro, mas o aumento ocorreu na maior parte do período observado.
Três meses registraram alta (janeiro, fevereiro e março), dois ficaram iguais (abril e maio) e somente junho e julho contabilizaram redução de casos em 2017. Entretanto, a média geral aponta crescimento do índice, que se deve ao pré-natal, frisa Santos.
"Na gravidez, as mulheres acabam sendo obrigadas a procurar acompanhamento médico. É quando descobrem que têm sífilis. Por isso, a prevenção, como o sexo seguro com uso de preservativo, ainda é a melhor solução", finaliza, destacando que o município desenvolve campanhas e trabalhos de conscientização para incentivar a população a realizar o exame e o tratamento precoce.
TRANSMISSÃO
A sífilis é uma doença infectocontagiosa, sexualmente transmissível. Pode ser transmitida verticalmente, da mãe para o feto, por transfusão de sangue ou por contato direto com sangue contaminado. Se não for tratada precocemente, pode comprometer vários órgãos como olhos, pele, ossos, coração, cérebro e sistema nervoso. O período de incubação, em média, é de três semanas, mas pode variar de 10 a 90 dias.
Cuidados - Se não for tratada precocemente, a sífilis pode comprometer vários órgãos como olhos, pele, ossos, coração, cérebro e sistema nervoso.
Mais queda
O número de casos de gonorreia em Bauru também caiu nesse ano. De janeiro a julho, foram 11 pessoas infectadas, contra 27 no mesmo período de 2016. Desta quantidade, há somente dois registros da doença em pacientes do sexo masculino: um em cada ano.
"A queda tem a ver com a subnotificação. As mulheres são a maioria por conta do Papanicolau (exame que previne o câncer de colo uterino), que acaba identificando a doença. Há, ainda, uma questão cultural, pois elas se cuidam mais que os homens", frisa Ezequiel Ramos.
A gonorreia é uma doença sexualmente transmissível cujo sintoma marcante é um corrimento amarelo em excesso e com mau cheiro, que se multiplica em áreas abafadas, quentes e úmidas, incluindo a uretra - canal por onde a urina é expelida.
