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Insetos: calorão traz "incômodo alado"

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

O inverno está chegando à sua última semana e, mesmo assim, as altas temperaturas não dão trégua. Quem aproveita esse "verão fora de hora" são os insetos, mais especificamente mosquitos e moscas, que se reproduzem e, mesmo pequenos, causam grandes incômodos e até mesmo doenças.

A proliferação ocorre porque as altas temperaturas favorecem o ciclo de vida desses invertebrados e as máximas de 33 e 34 graus registradas nos últimos dias em Bauru transformam a cidade em palco ideal para o aparecimento desses pequenos voadores.

"Os insetos, em geral, não têm condições de regular a temperatura corpórea. Eles dependem da temperatura ambiente para várias atividades, inclusive, o próprio ciclo de vida deles depende do calor", explica Cláudio José Von Zuben, professor de parasitologia do Departamento de Zoologia da Unesp de Rio Claro.

Segundo o professor, em épocas com tempo seco e frio há uma queda drástica na atividade desses insetos. "Em alguns casos, eles não têm energia nem para alçar voo. Conforme a temperatura vai aumentando, o desenvolvimento do ovo até o estágio adulto é acelerado", completa.

Aceituno Jr
Alérgica a inseticidas, Jéssica Maíra Francisco, de 23 anos, precisa fechar janelas para se proteger

Jéssica Maíra Francisco, de 23 anos, está sentindo na pele, literalmente, o que esses insetos podem causar. "Estou com o corpo todo marcado de picadas. De tanto coçar, alguns lugares até já formaram feridas. Fui completamente atacada", conta a esteticista que, como agravante, tem alergia à inseticidas. "Por conta disso, fico mais exposta e não gosto de usar repelente. Então, minha alternativa é fechar as janelas pra impedir que eles entrem".

RISCOS

Além do desconforto causado pelas picadas e zumbidos, a população ainda fica exposta a doenças que podem ser transmitidas por vírus, protozoários ou filarioses através da picada de mosquitos fêmea.

"A picada é sempre das fêmeas dos mosquitos porque elas precisam da proteína que vem do sangue para maturação de ovos. Sendo assim, elas podem transmitir uma série de patógenos. São mais de 100 tipos de vírus que, teoricamente, podem ser transmitidos por diferentes espécies de mosquitos. Os mais famosos são os vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela. No caso de protozoários, o mais famoso é o causador da malária", explica Von Zuben.

O professor ainda ressalta que as moscas, principalmente as chamadas varejeiras, alimentam-se de fezes, carcaças de animais, frutas em decomposição e qualquer outro material solúvel. Dependendo de onde ela pousou antes para se alimentar, ela pode transmitir pela sua saliva, fezes ou mesmo as patas vários causadores de doenças. 

Outro caso que também traz riscos é o da mosca pousar sobre ferimentos em animais ou no homem. "Qualquer ferimento pode liberar substâncias que atraem essas varejeiras. Assim, podem depositar ovos e outros organismos patogênicos. Isso pode ocasionar a miíase, popularmente conhecida como bicheira", explica.

Como evitar?

Em Bauru, até esta semana, foram registrados 43 casos de dengue, um de reagente importado de chikungunya e nenhum de zika. No mesmo período no ano passado, foram 1.321 casos de dengue, um de reagente importado de chikungunya e oito de zika.

A queda no número de casos foi constatada em todo o País pelo Ministério da Saúde que, em maio deste ano, apontou a redução de 90,3% dos casos de dengue; 95,3% de zika; e 68,1% de chikungunya em relação ao mesmo período de 2016. Mesmo assim, o órgão ressalta em sua página oficial que todos os esforços de prevenção e combate ao mosquito Aedes aegypti - transmissor dessas doenças - devem ser mantidos.

Segundo o professor Cláudio José Von Zuben, são diferentes tipos de espécies e, dessa forma, diferentes formas para evitar a presença desses insetos e se prevenir de doenças. "No caso das moscas, o correto é evitar o acumulo de lixo e matéria orgânica, já que as larvas se alimentam desse tipo de substrato. Já no caso dos mosquitos, boa parte do ciclo de vida deles ocorre em ambiente aquático, por isso a importância de evitar criadouros com água para impedir a proliferação", frisa (outras dicas para se ver livre de mosquitos e ajudar a combater o Aedes aegypti podem ser conferidas no quadro abaixo).

Você sabia?

O barulho típico e que irrita muita gente é produto das batidas das asas do mosquito. Elas desencadeiam uma onda de pressão com frequência audível pelo ouvido humano.

 

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