Articulistas

Amigos de escola

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 1 min

Quem diria: Geddel foi colega de classe de Renato Russo. Que país é esse? Gente tão diferente dividindo tarefa de trigonometria?!

A verdade é que, mesmo com formações e contextos semelhantes, muitos dos nossos vizinhos de carteiras seguirão caminhos bem diversos no incerto futuro que a ninguém pertence. Alguns tomarão gosto por outras carteiras, se é que você me entende.

Será que, com o passar dos anos, Geddel pegou gosto em ignorar versos como "nas favelas, no Senado, sujeira pra todo lado"? Justo Geddel, que tanto sabe sobre Brasília e nada de errado cometeu?

Parênteses: você percebe que esses aí denunciados não só não fizeram nada fora da ordem como não conhecem infrator algum? Tipo: nada de ilícito há contra mim e nunca ouvi falar de coisa parecida com outro (até a delação premiada, claro).

Certa vez, Renato Russo disse: "Não sou desse mundo". Referia-se à sua dificuldade em se adaptar em meio a tanta indecência moral no País.

Geddel ("vamos celebrar a estupidez humana") parecia bem adaptado a esse universo e transitava com desenvoltura por gabinetes, cafofos com malas gordas, carpetes com grana solta e apartamentos funcionais.

Agora terá bastante tempo, se continuar preso, para refletir sobre seus atos e, quem sabe, relembrar os bons tempos de escola e colegas problemáticos que poderiam ser péssima influência.

Imagine Geddel fazendo rock de protesto? Rock como precisa ser: questionador do poder da vez, aquele poder que dá as cartas (e também as malas gordas, etc.).

Ainda bem que o destino sábio e correto fez com que o aplicado garoto Geddel ficasse distante de colegas como Renato Russo, que viveu e morreu (deus me livre!) afundado na honestidade.

 

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