Quem diria: Geddel foi colega de classe de Renato Russo. Que país é esse? Gente tão diferente dividindo tarefa de trigonometria?!
A verdade é que, mesmo com formações e contextos semelhantes, muitos dos nossos vizinhos de carteiras seguirão caminhos bem diversos no incerto futuro que a ninguém pertence. Alguns tomarão gosto por outras carteiras, se é que você me entende.
Será que, com o passar dos anos, Geddel pegou gosto em ignorar versos como "nas favelas, no Senado, sujeira pra todo lado"? Justo Geddel, que tanto sabe sobre Brasília e nada de errado cometeu?
Parênteses: você percebe que esses aí denunciados não só não fizeram nada fora da ordem como não conhecem infrator algum? Tipo: nada de ilícito há contra mim e nunca ouvi falar de coisa parecida com outro (até a delação premiada, claro).
Certa vez, Renato Russo disse: "Não sou desse mundo". Referia-se à sua dificuldade em se adaptar em meio a tanta indecência moral no País.
Geddel ("vamos celebrar a estupidez humana") parecia bem adaptado a esse universo e transitava com desenvoltura por gabinetes, cafofos com malas gordas, carpetes com grana solta e apartamentos funcionais.
Agora terá bastante tempo, se continuar preso, para refletir sobre seus atos e, quem sabe, relembrar os bons tempos de escola e colegas problemáticos que poderiam ser péssima influência.
Imagine Geddel fazendo rock de protesto? Rock como precisa ser: questionador do poder da vez, aquele poder que dá as cartas (e também as malas gordas, etc.).
Ainda bem que o destino sábio e correto fez com que o aplicado garoto Geddel ficasse distante de colegas como Renato Russo, que viveu e morreu (deus me livre!) afundado na honestidade.