Geral

Idosos veem tecnologia como 'amiga' 

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
Cacilda Basso Petitti, 68 anos, troca mensagens de "bom dia" 

O "bom dia" nada básico, acompanhado de flores, animais fofinhos e corações nos aplicativos de troca de mensagens e em redes sociais é a materialização de um fenômeno crescente. Nascidos em uma época em que a comunicação à distância se dava eminentemente por carta e telefone, os idosos - que representam 13% da população de Bauru - estão cada vez mais conectados e, assim, inseridos em uma contemporaneidade tecnológica da qual poucos ainda conseguem escapar.

Seja para mandar mensagens positivas e coloridas para a família e amigos pelo WhatsApp, divulgar trabalhos pelo Facebook ou matar a saudade do filho que está longe pelo Skype, esta geração que ultrapassou a barreira dos 60 anos vem se rendendo, em ritmo acelerado, às novas possibilidades trazidas por smartphones e notebooks.

Samantha Ciuffa
"Todo mundo quer o aparelho novo", diz Mário da Paz Pereira

"Eles sabem mexer que dá gosto de ver. É uma adaptação que veio com a necessidade de não se sentirem excluídos do mundo", conta a presidente do Conselho Municipal da Pessoa Idosa (Comupi), Ana Maria Michieli Benjamin, lembrando que o Dia do Idoso é comemorado hoje.

Mesmo com alguma dificuldade inicial que a falta de hábito possa trazer ou diante da falta de paciência das novas gerações para ensiná-los, muitos idosos buscam nesta adaptação tecnológica uma forma, também, de inserção social. Segundo a professora Gislaine Aude Fantini, coordenadora da Universidade Aberta à Terceira Idade (Uati) da Universidade do Sagrado Coração (USC), o fenômeno abrange este público em todas classes sociais, mas, de maneira geral, os "conectados" possuem perfil menos resistente a mudanças.

"Normalmente, são pessoas mais curiosas, dispostas a vivenciar desafios, aprender coisas novas, não ficar paradas no tempo. Muitas, inclusive, usam os recursos tecnológicos para fazer novos amigos, interagir e sentir que pertencem a este momento. Eles não querem ficar para trás", detalha.

TRANSIÇÃO

Do alto de seus 82 anos, Mário da Paz Pereira vive, por assim dizer, um momento de transição. Em um dos bolsos, ele guarda um celular básico, usado apenas para "falar", e, no outro, um smartphone, com aplicativos como o WhatsApp instalados.

"Com esse mais simples, a gente aprende mais rápido, mas ele está com os dias contados, porque todo mundo quer o aparelho novo, que tem mil e uma utilidades", observa ele, que é diretor de Patrimônio da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Bauru e Região, entidade que oferece, inclusive, aulas de informática para idosos, muito frequentadas.

Uma das alunas, Cacilda Basso Petitti, 68 anos, revela sentir falta de falar ao telefone, mas, mesmo assim, tornou-se usuária assídua de aplicativos de troca de mensagens. Nas redes sociais, contudo, a cautela é imperativa. "Por segurança, não posto nada pessoal. As pessoas se expõem muito".

TRABALHO E FAMÍLIA

A aposentada Aparecida Paes, 65 anos, imergiu neste universo, principalmente, em prol da divulgação de seu hobby: a pintura. Com a ajuda de um parente, criou uma página no Facebook e, hoje, consegue fotografar e postar as imagens sozinha na rede com o objetivo de comercializar as peças.

"Faço negócios pelo WhatsApp também. No começo, é preciso paciência e persistência para aprender. Tinha hora que dava vontade de jogar o telefone na parede.

Mas, no fim, é recompensador o sentimento de não depender de ninguém para fazer o que se tem vontade", comemora.

Com dois filhos vivendo no Japão, Aurora Sumie Yaho, 73 anos, encontrou na tecnologia uma forma de encurtar distâncias.

As conversas por WhatsApp acontecem quase todos os dias e as chamadas de vídeo por Skype, sempre que a agenda e o fuso horário de um canto e outro do planeta permitem.

"Falo mais com eles. Dos demais contatos, a gente recebe muito 'bom dia' e 'boa noite', mas tem hora que não dá tempo de responder, porque sou muito ocupada. No geral, são ferramentas muito boas, que ajudam a gente a matar a saudade", completa.

Comentários

Comentários