| Aceituno Jr. |
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| Inicialmente, Mário Pedro da Silva ficou apreensivo por voltar à sala de aula; depois, com o conteúdo fluindo, ficou feliz |
"Abandonei os estudos há muitos anos. Quando entrei novamente em uma sala de aula, fiquei um pouco nervoso, com receio, mas depois as coisas foram fluindo e estou muito feliz por voltar para escola". A frase é do servidor municipal Mário Pedro da Silva, 51 anos. Ele é um dos contemplados por um projeto de inclusão social e alfabetização implementado pela Prefeitura de Bauru.
Com o programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA), servidores que não concluíram o ensino fundamental têm a chance de retornar aos bancos escolares: 15 funcionários da Prefeitura de Bauru já assistem às aulas desde o mês passado, quando a iniciativa foi colocada em prática, informa o secretário de Administração, David José Françoso.
"Nós sabíamos que, dentro das categorias de cargos operacionais, havia essa demanda. Sentimos a necessidade, então, de levar a 'Escola do Governo' para mais perto dos servidores que mais necessitam de conhecimento e informação. São pessoas que estavam fora das escolas há mais de 20, 30 anos", aponta.
É o caso do ajudante geral Mário da Silva. "Parei de estudar porque trabalhava na área rural e chegava tarde em casa, muito cansado para ir à escola. Sei da importância de aprender e, por isso, incentivo os demais funcionários", frisa ele, que trabalha na prefeitura há 31 anos.
LEVANTAMENTO
Mário é exemplo de alguns servidores que entraram para o serviço público por meio de concurso, para atuar em cargos que não são exigidos ensino fundamental completo - como ajudantes gerais, tratoristas, entre outros. "Hoje, ainda há funções sem esse tipo de exigência", detalha a diretora de Recursos Humanos (RH) da prefeitura, Sandra Bezerra.
Levantamento realizado pelo Poder Executivo mostra que, dos seis mil servidores que formam o quadro municipal atualmente, aproximadamente 240 não concluíram o ensino fundamental - 4% do total. Inicialmente, 15 funcionários foram designados para salas de aulas em quatro unidades da cidade.
Eles compõem turmas formadas pelo programa do EJA.
"A maioria é adulta. O método de aprendizado segue a mesma grade curricular do 1.º ao 5.º ano, no formato supletivo. Eles têm aulas de português, matemática, história, geografia. Há cuidados com o material utilizado nas aulas para não infantilizar o aprendizado", detalha a diretora da Divisão do EJA no município, Andrea Cristina Soares Juarez.
Ela destaca o interesse dos servidores em aprender. "Eles não faltam às aulas e interagem bem com os demais estudantes. Há, de fato, uma troca de experiência e isso é muito importante no processo de ensino", acrescenta Andrea.
AMPLIAR
Segundo a diretora de RH da prefeitura, existe a proposta de expandir o projeto para atender toda a demanda identificada pelo levantamento - são 240 servidores com ensino fundamental incompleto, mas somente 15 contemplados na primeira turma.
"É uma ação que envolve outras frentes. Assistentes sociais do município visitam a casa desses funcionários para sensibilizá-los a se matricularem nos próximos períodos de aulas. A segunda etapa começa em fevereiro do ano que vem", afirma Sandra Bezerra.
