| Malavolta Jr |
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| Visão geral do Instalações, onde é aplicada a fisioterapia específica de cada área |
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| Professora Cinira Ribeiro com os alunos |
Por definição, é fácil saber o que faz uma Apae: é uma entidade onde toda a comunidade se une para prevenir e tratar os portadores de alguma deficiência e promover o bem-estar e desenvolvimento deles.
A missão da entidade é promover e articular ações de defesa dos direitos, prevenção, prestação de serviços de qualidade, apoio à família direcionado à melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência, necessidades educacionais especiais e em situação de vulnerabilidade, visando à inclusão social.
Mas não é só isso. No caso de Bauru, especialmente, a entidade que completou 52 anos de existência (foi fundada em janeiro de 1965) está tão integrada à comunidade que vai além. É como se fosse uma grande família, não só entre seus membros, os amigos e voluntários e toda a comunidade. O alto-astral das ações da Apae contagia.
Construir trocas solidárias e comprometidas com a tarefa de produzir saúde e bem-estar, contagiando a todos com atitudes e ações humanizadoras, é mesmo uma constante. Basta frequentar eventos tradicionais como a Feira da Bondade, realizada no último final de semana pela 40ª vez e verificar in loco, no recinto Mello de Moraes, que se trata de uma festa da família. Mais do que praticar a caridade e angariar fundos, a diversão dos pequenos é priorizada. Para eles, é que boa parte das atrações está montada. E mais: é o congraçamento das famílias que dá a tônica desse e de outros eventos para os quais a comunidade se mobiliza.
Um trinômio com perfil de excelência
Assistência social, saúde e educação compõem o tripé de serviços prestados pela entidade: sempre em busca de parceiros com os melhores tratamentos?
| Fotos: Malavolta Jr. |
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| Grupo de cuidadores no atendimento terapêutico, visto em atividade dentro do serviço de assistência social |
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| Hidroterapia é uma das opções oferecidas |
Quando se pensa em Apae, logo vem à mente a imagem da pessoa com a síndrome de down, com deficiência intelectual e um atendimento da infância ao envelhecimento a essa pessoa, através do voluntariado, sem fins lucrativos. Isso é verdadeiro.Tanto que um dos principais serviços prestados pela entidade é o chamado "teste do pezinho" que tem o objetivo de promover o diagnóstico e prevenção da síndrome (entre outras doenças).
Mas hoje em dia a Apae vai além: a instituição atende a todos os indivíduos portadores de necessidades especiais. E busca tratamentos terapêuticos além de auxilar no conhecimento e na prática pedagógica de meios que atendam as particularidades dessa população. Sendo assim, a instituição desempenha um papel significativo na atual conjuntura do país no que diz respeito a implantação de políticas desenvolvidas para incluir esses indivíduos em todas as esferas da sociedade.
Historicamente tem sido a Apae, juntamente com outras instituições similares, a brigar para que os diretos do chamado portador seja preservado.
Para que isso aconteça, há um trinômio de ações sendo desenvolvidas. Compõem os três lados desse triângulo de um lado a assistência social, de outro a educação e na base a saúde.
NOVA FILOSOFIA
Com uma nova filosofia, a Apae prega que a missão não é cuidar da clientela, não há assistencialismo puro e simples e, sim a intenção é formar pessoas para a vida, tendo como parceria principal a família. Assim, prega-se que a pessoa com deficiência tenha a oportunidade de escolha e o direito de gerenciar sua vida desde as habilidades básicas de alimentação e autocuidado até a defesa de seus direitos como cidadão.
A autogestão inicia-se na família, a partir da construção de hábitos, novo valores e interação física e social com o ambiente em que o portador vive.
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Residência Inclusiva dá novo significado
O programa de residência inclusiva da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru tem mais de dez anos de atividade. O projeto atende especificamente jovens e adultos com deficiência física e intelectual, que, por algum motivo, perderam vínculos familiares e comunitários. Separados entre homens e mulheres, o objetivo de cada uma das casas é fazer com que os atendidos se sintam como em seus lares.
Por isso toda a fachada, apesar de estar localizada dentro da unidade, é desenhada para ser igual às demais casas da vizinhança. Além disso, dentro da própria residência todos os cômodos são decorados como uma casa comum (claro que respeitando as individualidade e com cuidados inerentes à idade, por exemplo, de seus moradores). Mas o programa dá muito certo: são pessoas que não tinham qualidade de vida e a sensação de estarem à margem da sociedade e, agora lá dentro, não mais.
| Malavolta Jr. |
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| Maria Tereza Moraes mostra seu quarto na residência inclusiva onde, além do seu cantinho, há o espaço comunitário (foto anterior) com as demais na sala de estar |
Número de atendimento surpreende
Para manter os mais de 53 mil atendimentos anuais, para mais de 1.800 assistidos, são necessárias promoções, além da ajuda governamental
| Fotos: Malavolta Jr |
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| Setor de Reabilitação Física: Jabeli Rossi, fisioterapeuta, e Sueli de Fátima Delgadinho, paciente; abaixo, Erickson Alves da Silva, ortoprotesista, atua na oficina ortopédica |
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Ao fazer um balanço do quanto a entidade vem crescendo e realizando nos últimos anos, a presidente da entidade, Olga Bicudo Tognozzi, lembra que houve duas grandes conquistas em 2016. Uma delas foi através da oficina ortopédica quando se conseguiu aumentar a quantidade de órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção para os usuários.
"Um destaque vai para a dispensação de próteses oculares, pois mesmo sendo um direito do cidadão, não estava tão acessível a toda população de Bauru e região,como está agora", lembra dona Olga.
O laboratório do chamado Teste do Pezinho, que há alguns anos perdeu o convênio federal e esteve próximo de fechar as portas, é um destaque na entidade. Conseguiu se manter e, ainda foi expandido ano passado. Isso porque fez parceria com a cidade Lins, expandindo assim a realização do exame ampliado de prevenção às deficiências.
Eventos, bingos, etc.
E como a entidade faz para se manter? Aqui não se trata de um triângulo e, sim, há a figura de um quadrado - não totalmente perfeito. De um lado está a participação de recursos da municipalidade "que graças a Deus não tem nos faltado, o município ajuda muito", de outro os recursos estaduais "que confesso o governo do estado faz, mas faz pela metade, bem menos do que deveria" e ações junto ao governo federal, especialmente na área da saúde. O quarto lado dessa equação é completado com as ações diretas junto à sociedade, como rifas, bingos, jantares e festas. Ou seja, o complemento vem da comunidade, essas ações representam 1/3 do que a entidade precisa para se manter. E quase sempre o ano é fechado no vermelho. Todo mundo se lembra que há alguns anos a entidade esteve próxima de fechar as portas. Deu a volta por cima, mas a conta ainda não fecha totalmente. Um exemplo? Cada assistido custa, per capita, R$ 3.719, anuais. E o que ela arrecada dá R$ 3.500,00.
Os atendimentos de 2016
Psicologia- 6.882
Terapia Ocupacional - 2.560
Serviço Social - 8.466
Oficinas - 10.865
Atendimento domiciliar - 2.488
Orientação familiar - 3.400
Visitas domiciliares - 240
Encaminhamentos - 28
Articulação com a rede - 2.125
Refeições - 5.600
Grupos de gestão - 2.400
Atendimento de arte - 8.199
TOTAL - 53.253 atendimentos
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A conta não vai fechar
Para este 2017, a presidente já acha que a conta não fechar. Isso porque a Feira da Bondade deve deixar um rastro de R$ 100.000,00 a menos do que a entidade contava que fosse o lucro líquido. O balancete ainda não está fechado, mas já se sabe que este ano a festança teve bem menos público do que nos anos anteriores e mesmo quem foi consumiu menos. Dona Olga não acredita que seja a crise a responsável por isso. "Por que o ano passado estávamos em crise também, aliás, penso que a crise era até maior", justifica seu pensamento para dizer que foi a chuva de sábado que prejudicou o afluxo das famílias.
Como ela vai fazer para garantir os encargos sociais do final do ano e não fechar no vermelho? Já avisa os fornecedores da festa não esperem receber tudo de uma vez. "VAmos renegociar os prazos e valores para o pagamento".
A outra opção está em turbinar os eventos que ainda vão ocorrer até o final do ano. Assim, ela se diz sempre "esperançosa, confiante e até mesmo destemida" para enfrentar esse balanço negativo. "Outras ações virão e tenho certeza de que o público comparecerá, afinal, não podemos esquecer nunca que é por uma causa muito nobre".







