Tribuna do Leitor

Quanto vale uma vida?

Benedito José Almeida Falcão
| Tempo de leitura: 1 min

A pergunta parece simples, mas não é. A resposta que escutamos toda vez que essa pergunta é feita é: a vida não tem preço. Porém, essa resposta não é séria.

É apenas aquilo que os nossos ouvidos e os dos que nos cercam querem ouvir. Na realidade, o cálculo é bem outro e leva em consideração a estirpe, a cor, a etnia, a condição social dessa vida ou dessas vidas...

É por isso que a morte de alguns franceses, ingleses, americanos ou espanhóis nos parece muito mais sentida que a morte de 315 somalis e seus 400 feridos, em um único atentado.

É por isso que me dói a hipocrisia nacional de adotar o termo "afrodescente" como o politicamente correto, quando na realidade não damos a mínima para as centenas de negros mortos na África...

Não damos a mínima pelas centenas que morrem tentando chegar em barcos na Europa...

Nossa solidariedade é seletiva e está sempre em busca de pensar, sofrer junto ou ajudar aqueles com quem nos julgamos pares... É assim que nos julgamos muito mais próximos dos americanos, dos europeus, do que de umas centenas de negros somalis...

E esse desprezo não vem só dos brancos, não... Onde estão nossas comunidades afro?...

Onde estão os pronunciamentos de solidariedade com essa gente desvalida? Onde estão as campanhas de arrecadação?

Sejamos francos. Somos todos hipócritas. Somos cristãos de conveniência, cidadãos de conveniência, defensores de minorias de conveniência...

Até a cor da nossa pele muda de acordo com a conveniência ou com o benefício que tiramos dela...

Duvida? Pare no silêncio do seu quarto essa noite e pense. Pense o quanto você realmente se importa com essas mortes.

E ali, longe dos olhares sensores da comunidade, você verá que é difícil sentir alguma coisa capaz de fazer rolar uma única lágrima.

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