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Um "choque" de criatividade no papel

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis 
Rafaela Andrade e João Victor Borges comemoram primeiro e segundo lugar, respectivamente, em concurso nacional de redação: cuidados com a eletricidade 

"A eletricidade está cada vez mais presente em nossas vidas. Foi e sempre será importante para a evolução tecnológica, mas não podemos ignorar os seus perigos". Essa é a mensagem principal contida no texto de Rafaela de Oliveira Andrade, 13 anos, vencedora da 6.ª edição do concurso de redação nacional da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), que teve quase 3 mil inscritos no País.

Aluna do 8.º ano na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Nacilda de Campos, no Jardim TV, Rafaela é bicampeã do torneio - em 2015, também faturou o título - e comemorou a façanha ao lado do colega de classe João Victor de Oliveira Borges, 13, que ficou com o terceiro lugar na competição com texto no formato de uma carta, em que ele se apresenta como a própria eletricidade para mostrar o quanto ela é poderosa e, principalmente, alertar para os riscos (confira trechos dos textos nas ilustrações no final).

Os dois, aliás, entenderam bem o "recado" proposto pelo tema do concurso este ano: "Eletricidade com Segurança - Eu me Preocupo". "Algumas pessoas são descuidadas e outras não têm informação. Certas formas de manusear a eletricidade trazem muitos riscos, com consequências fatais", reforça Rafaela, que, embora aprecie a leitura desde criança e se destaque na escrita entre os colegas de sala, confessa que ficou surpresa com o resultado.

"Nem imaginava que poderia ganhar. Estou muito feliz e orgulhosa da minha redação". Para ela, o segredo de um texto coerente é se colocar no lugar do leitor. "Pensei como se eu estivesse falando com alguém pessoalmente. Mantive a formalidade, mas com leveza ao construir as ideias. Procurei explorar vários aspectos do assunto e fiz com que eles se conectassem ao final da dissertação", detalha Rafaela, que diz ter herdado o dom da escrita do pai. 

INSPIRAÇÃO DE CASA

João Victor já está familiarizado com o tema: o pai e o avô são eletricistas. "Muito do que eu escrevi aprendi com o meu avô", pontua. Assim, o estudante não pensou duas vezes ao se colocar como a própria eletricidade: ele escreveu uma carta para os consumidores revelando as suas características (ou melhor, da energia elétrica) e alertando sobre os cuidados. 

"Foi meio que do nada. As ideias surgiram. Praticamente minha família toda atua na área da eletricidade. Então, construí a redação abordando a prevenção: verificar a cada ano a fiação, instalar protetores nas tomadas para que as crianças não coloquem o dedo", citou o aluno, que não esconde o prazer pela leitura e escrita. "Adoro ler e escrever. Gosto de ação, criar personagens", finaliza.

'MELHOR PRESENTE'

"O resultado do concurso foi o melhor presente de Dia dos Professores". A frase é de Anette Mereb Calhau, professora de língua portuguesa da Emef Nacilda de Campos, que orientou os alunos para o torneio. "É uma forma de eles expressarem tudo aquilo que aprenderam, se posicionarem como cidadãos e multiplicarem o conhecimento", conclui.

Objetivo

Conscientizar as crianças e adolescentes sobre os cuidados com a eletricidade para diminuir o número de acidentes de origem elétrica. Este é o principal objetivo do concurso promovido pela Abracopel, destaca a gerente executiva da Associação, Meire Martinho.

Segundo ela, a edição deste ano da redação (com alunos de 11 a 15 anos de escolas públicas e também do Sistema S) teve 2.975 inscritos - o torneio abrange ainda outras duas categorias: desenho, para alunos de 6 a 10 anos, e vídeo (esta inédita), para estudantes de 16 a 18 anos.

O volume de participantes é positivo para a meta de diminuir os acidentes, diz Meire. Em 2016, levantamento da Abracopel apontou que 664 pessoas morreram vítimas de ocorrências elétricas no Brasil. "Foram 599 mortes por choques elétricos, 36 por incêndios causados por curto-circuito, e 29 em razão de raios. Em média, são dois óbitos por dia", preocupa-se.

Fotos: Douglas Reis

 

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