Geral

Entrevista da semana: Roseane Andrelo

Dulce Kernneis
| Tempo de leitura: 7 min

Arquivo Pessoal
Roseane Andrelo: do mesmo modo que ela acumula conhecimento, tem a missão de difundir a informação

Falar que ela é uma mulher com sede de conhecimento e, do mesmo modo que acumula, tem como missão compartilhar e difundir a informação pode parecer lugar-comum. Mas é isso mesmo! Afinal, aos 44 anos, a comunicadora Roseane Andrelo exibe um currículo de causar inveja: radialista, jornalista, mestre em comunicação midiática e doutora em educação escolar. E, entre tantos títulos, a professora e coordenadora do curso de relações públicas e orientadora de mestrado e doutorado em comunicação pela Universidade Estadual Paulista (Unesp/Bauru) acaba de lançar seu primeiro livro, pela Editora Unesp, “As relações públicas e a educação corporativa - Uma interface possível”.

Nesta entrevista, ela fala com paixão desse trabalho e também do desafio de conciliar a  maternidade (tem dois filhos, um de 7 anos, o Felipe, e outra de 4 anos, a Bianca), de ser a mulher do também jornalista Gilmar Dias e do hobby que a faz desestressar: as viagens, de todos os tipos, sejam perto ou longe, gosto que compartilha com toda a família.

Jornal da Cidade - Vamos começar falando sobre a sua obra recém-lançada. Sobre o que ela fala?

Roseane Andrelo - É um livro acadêmico, fruto de três anos de estudo, sobre algo bem novo, a comunicação organizacional (nas empresas) entre todos os integrantes, através do uso da Internet. Nos debruçamos no chamado público interno, ou seja, os funcionários das organizações que são os repassadores das informações sobre a empresa e, essenciais na manutenção da imagem dela. Eles, ao usarem suas redes sociais, nem sempre sabem o que estão falando ou não entendem que não basta apenas, por exemplo, dar o preço de um produto que vendem, é preciso ir além....

JC - Um único post em uma rede social sobre a empresa em que trabalham ou um colega pode manchar a imagem...

Roseane - É bem isso! Um post tem um alcance enorme. Temos visto muitos casos demissão por justa causa de funcionários que não entendem que a causa estava na sua própria ação em redes sociais. É preciso ir além nessa forma de comunicação. Os integrantes de uma empresa se tornaram as próprias mídias da corporação e, por isso, a comunicação com elas é muito importante. É disso que tratamos no livro.

JC - Você é uma mulher do seu tempo, trabalha, casada, dois filhos pequenos, está sempre estudando... como encara a maternidade?

Roseane - É muito interessante, é outro olhar para vida. Eu acho que os filhos fazem, inclusive, com que a gente entenda as nossas próprias incoerências. Para mim, é um aprendizado constante. Por causa do Felipe, tive que me “especializar” em futebol. Ele adora futebol, joga bem, faz escolinha. Imagina que logo que o matriculamos tive que comprar um uniforme de um time, escolhemos o Barcelona. Cheguei e ele me perguntou: “mas eu vou jogar de tênis?”. Voltei imediatamente para comprar chuteiras e o vendedor me perguntou: “com cravo ou sem cravo?”. E eu ali, assumindo que não sabia nada... (risos). E ainda tinham os meiões (risos). Eu só era, e sou, palmeirense por causa da família, meu pai italiano,de São Paulo, meu avô do tempo do Palestra Itália. Só isso que eu sabia (risos) de futebol.

JC - E o Felipe torce para o Palmeiras?

Roseane - Nada. O Felipe é gremista por opção, por estudar futebol se identificou com o Grêmio. E gosta tanto que já o levamos para conhecer a Arena. Fomos de carro até Porto Alegre. Adoramos! Ele mais ainda, né? E com a Bianca é a mesma coisa, outro universo, o feminino, outro tipo de aprendizagem. Se ele é mais tímido, ela é mais comunicativa, mas quando vemos estamos dançando com ela aqui em casa. Ser mãe é uma experiência maravilhosa.

JC - Você, que estuda a comunicação através das redes sociais, a tecnologia, como enxerga o uso dela na criação de suas crianças?

Roseane - O condomínio onde vivemos, o Lago Sul, propicia muito a prática de atividade física, a integração com outros amigos, os passeios de bicicleta. Não somos de proibir a tecnologia, não. Ela é bem-vinda, mas, aqui no nosso quintal, temos gramado, uma trave de futebol, uma cesta de basquete, balanço, cabaninha, de forma que eles não ficam mais do que quinze, vinte minutos à frente da televisão, do computador. Depois disso, já querem sair, interagir, se mexer, brincar na terra. Têm uma vida bem ativa e com cara de cidade de interior à moda antiga.

JC - Você acabou saindo da vida profissional jornalística e abraçou a acadêmica, tem doutorado em educação escolar... enfim, hoje, você ainda é professora... é uma paixão?

Roseane - Hoje, sou professora e coordenadora do curso de relações públicas da Unesp e orientadora de mestrado e doutorado em comunicação da Unesp Bauru... isso não ocorre da noite para o dia, é uma luta, um estudar constante, há um investimento. Sem dúvida, a profissão é uma paixão e, embora eu reconheça isso, faço questão de desmistificar um pouco essa visão. Essa pecha da paixão, de sacerdócio, fica parecendo que o profissional tem que trabalhar de graça. Enfim, o professor precisa ser tratado acima de tudo como profissional, como todos os outros profissionais, e ser respeitado e ser melhor remunerado.

JC - Falando em estudar, em esforço, você desenvolveu estágio de doutorado na Université Paris III - Sorbonne Nouvelle, como bolsista da Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior].

Roseane - Sim, uma experiência e tanto, foi muito bom estudar na França, foi enriquecedor.

JC - Você é modesta em relação a seu currículo, né?

Roseane - Bom, fica parecendo que estou me envaidecendo, e, por isso, não falo das minhas
viagens, sejam profissionais ou a passeio. Poucas pessoas sabem disso e também poucos conhecem os sacrifícios feitos. Por exemplo, durante muitos anos, eu me preparei para estudar fora e meu carro era um fusquinha. Para custear minhas viagens, não dava para ter carro do ano, não.

Arquivo Pessoal
Roseane com o marido Gilmar Dias e os filhos Felipe e Bianca: "Ser mãe é uma experiência maravilhosa"

JC - E você gosta muito de viajar?

Roseane - Demais. O Gilmar brinca que eu tenho uma mala pronta atrás da porta. É o meu grande hobby, rodar o mundo. Meu lazer é justamente esse, viajar para descansar, sair do estresse e viajar também absorver novas informações, conhecer culturas diferentes. E topo qualquer tipo de viagem a qualquer lugar. Sejam as grandes cidades do mundo ou lugares pequenos aqui perto. Gosto igualmente de praia e montanha, de avião e de carro, tanto faz. E, por sorte, o Gilmar gosta também e estamos incutindo esse gosto nas crianças. Outro dia, para meu orgulho, a Bianca chegou e me entregou um papel: ela tinha desenhado um mapa imaginário, do jeito dela.

JC - E de qual local era o mapa? Para onde vocês iriam?

Roseane - Fiz a mesma pergunta: “para onde nós vamos?”. Ela respondeu: “não sei, mamãe, mas aí está o mapa, nossa próxima viagem” (risos). Aí brinquei com o pai dela: nunca vai precisar de exame de DNA: essa é minha filha legítima (mais risos)!

PERFIL

Nascida em 05 de dezembro de 1972, em São Paulo, Roseane fala com orgulho da família que construiu e da relação com o marido, o também jornalista Gilmar Dias, com quem está há 22 anos. "Nossa já, já tem bodas de prata", se admira com os olhos brilhando numa flagrante cumplicidade. Sobre Gilmar, que tem uma empresa de assessoria em comunicação, ela agora brinca que é o seu "agente e assessor de imprensa". A professora lamenta que as pesquisas científicas, os estudos no Brasil passem por um momento de "contingenciamento de verbas" que não permite o país avançar mais. Mesmo assim é uma pessoa otimista, "costumo dizer que a gente pode ser pessimista na análise, mas temos que ser otimista na ação, ou seja, primeiro a gente tem que quebrar os ovos, para depois ter a omelete", e dá nota 0 para a intolerância (de todos os tipos). Nota dez? Para pessoas que se dedicam ao próximo, para quem sabe olhar para o outro.

Comentários

Comentários