Na despedida de José Carlos Coelho, o Zé Carlos, quantas lembranças da sua passagem pelo E.C.Noroeste! Desde o desembarque, em inícios dos anos 1960. Depois de temporadas vestindo a camiseta da melhor Portuguesa de Desportos da história, ao lado dos legendários Djalma Santos, Brandãozinho, Ipojucã e outros.
Por aqui comandou o ataque demolidor: Batista, Toninho, Zé Carlos, Leal (Maneca) e Gelson. Era um ataque tão bom que logo os grandes clubes se encarregaram de desmontá-lo: o Santos levou Batista e Toninho Guerreiro, o Corinthians tirou Gelson e o São Paulo ficou com Leal.
Ironicamente, "sobrou" o mais cerebral de todos, o centroavante Zé Carlos. Como ele jogava? Jogava com a camisa 9, cabeceava e cobrava falta com maestria, mas seu grande talento se revelava na postura aparentemente desligada do jogador que cai pelas pontas e ali parece proteger e esconder a bola, atraindo os zagueiros, ziguezagueando sem grande pressa até criar ou recriar o espaço e as condições para o arremate do companheiro.
Era uma costura ardilosa, a mesma que, por exemplo, consagrara Pagão no Santos de Pelé, Tostão na Copa de 1970, e outros tantos que pouco apareciam para o público, mas que os companheiros e adversários sabiam bem do que eram capazes.
Ano de 1964, batismo internacional do EC Noroeste, lá nas alturas, mais de 2,5 mil metros, em Cochabamba, terceira cidade da Bolívia. Torneio com 3 equipes bolivianas, incluindo o campeão do país. O Norusca venceu todos. Além do título, o clube teve o melhor jogador do torneio, segundo a imprensa local: Zé Carlos.