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| O paisagismo encanta aos olhos... E fique claro: não é um gramado, mas plantas aquáticas |
Com a finalidade de contribuir para o conhecimento e conservação da biodiversidade vegetal brasileira, especialmente a conservação do cerrado, o Jardim Botânico de Bauru foi implantado há mais de 23 anos, em março de 1994. E desde que existe, esse conceito tem sido seguido à risca, desenvolvendo vários projetos de pesquisa e recebendo cientistas e alunos de outras instituições que usam suas instalações como verdadeiras salas de aula ao ar livre.
Como uma espécie de reserva legal, o local está entranhado em uma área de 321 hectares, com predominância de cerrado, bem ao lado do Zoológico Municipal. Nele, se realizam trabalhos destinados à conservação das nossas matas, que já não passam mais de 10% do que era o nosso bioma.
Mas o que muito bauruense não sabe é que pode desfrutar do local não apenas como pesquisador nem através das inúmeras ações educativas que o órgão desenvolve, mas apenas como indivíduo que irá se encontrar diante de um universo único de contemplação de uma flora magnífica, de sossego e de benefícios interiores incontáveis. Quer dar uma pausa à vida diária? Sair do escritório ou simplesmente sair de casa e desfrutar de uma área verde privilegiada?
Pois imagina, em plena segunda-feira (sim, o local abre todos os dias) um lugar onde além da paisagem, também haja uma diversidade de aves? De repente, o visitante se depara, no meio da tarde, com um casal de corujas, vê pássaros pretos em voos rasantes, uma revoada de pequenas aves que nem dá tempo de distinguir a qual "família" pertence e ouve o canto inconfundível de um sábia.
E ver um orquidário florido? Flores de todas as cores? Conhecer as bromélias, saber como é exatamente um pedaço da nossa madeira especial, o pau-brasil, é uma experiência inenarrável. E o olfato, então? Ele fica particularmente estimulado, seja com o cheiro de terra ou de plantas medicinais, como a menta (aquela que é usada em drinques), a citronela (repelente natural de mosquitos), a manjerona e o manjericão, que dão sabor especial às comidas.
Essa percepção natural trará muitos benefícios como a calma, a paciência, a concentração, curiosidade, além de poder respirar o ar puro. Visitar o Jardim Botânico em Bauru e conhecer sua história é uma viagem pelos sentidos.
TECNOLOGIA
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| Luiz Carlos de Almeida Neto, engenheiro-agrônomo e diretor do Botânico, fala sobre os projetos dentro do Centro de Visitação, entregue ao público ano passado |
O Jardim Botânico tem como foco a conservação da diversidade de plantas, educação ambiental, pesquisas científicas e lazer e, especialmente, os projetos de conservação das espécies nativas do nosso cerrado. O diretor Luís Carlos de Almeida Neto, engenheiro agrônomo, fala com orgulho dos destaques da trajetória do órgão e das metas dos últimos anos, que têm sido todas atingidas, e do que tem sido um dos principais focos do trabalho.
"O Brasil, como signatário da Convenção sobre Diversidade Biológica, assumiu o compromisso de atender às 16 metas da Estratégia Global para a Conservação de Plantas(GSPC). Dentre estas, a Meta VIII estabelece que até 2020, 75% das espécies de plantas ameaçadas devem estar conservadas em coleções ex situ (coleções fora do ambiente natural / ambientes protegidos)", explica ele.
Ele lembra que dentre essas metas, uma das mais destacadas é que pelo menos 20% da flora ameaçada seja utilizada em programas de recuperação e restauração de habitats.
"Diante deste compromisso, os jardins botânicos brasileiros vêm se esforçando para contribuir com as metas da Estratégia Global para a Conservação das Plantas. Desde de sua criação o Jardim Botânico de Bauru vem cumprindo um importante papel na conservação através de suas coleções e manutenção de sua reserva ecológica", salienta.
Por isso, a meta para 2018 é iniciar projetos de recuperação focando também o Plano de Conservação da Mata Atlântica e Cerrado do município de Bauru, priorizando os corredores ecológicos discutidos e determinados durante o Fórum. "Com esta ação, o Jardim Botânico de Bauru contribuirá com a meta Global, Plano Municipal de Conservação do Cerrado e Mata Atlântica e as metas internas de conservação do Botânico de Bauru", destaca.
No ano passado, outra meta atingida foi a inauguração do Centro de Visitação, que permite aproximar as pessoas do que é o Jardim Botânico. Nela, além da maquete geral da área do órgão (onde se visualiza de forma fácil a área que pode ser visitada e a restrita aos projetos), os visitantes podem conhecer as madeiras da nossa região, frutos e sementes do cerrado. Há ainda área para exposições fotográficas com temas relacionados ao meio ambiente, feira de troca de livros e, mais importante: há espaço para o uso da tecnologia. Por meio da TV Interativa, os visitantes podem saber mais sobre as coleções de plantas nativas, a preservação do meio ambiente, ouvir os cantos das aves tudo em vídeos fáceis e rápidos que ajudem a matar a curiosidade do visitante.
A área conta também com lojinha de suvenires (camisetas, canecas, chaveiros para levar de lembrança) e tudo desenvolvido de tal forma que o projeto "Um Canto no Botânico" possa ser realizado nessa área em caso de manhãs chuvosas. O projeto desenvolvido duas vezes por mês, aos domingos, já tem clientela cativa.
PARA VALORIZAR
Recentemente, um grupo de mais de 50 crianças da cidade de Maracaí, região de Assis, visitou nesta semana o Jardim Botânico. O passeio, parte do Programa Turismo do Saber, da Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo, é apenas um dos exemplos dos muitos que estão se aproveitando da estrutura do órgão.
As crianças de escolas públicas ganham com isso uma nova experiência. Cada participante pode ter contato com diferentes paisagens, recursos naturais, conhecem as diversas coleções de plantas, sejam as orquídeas, as bromélias ou outras. Uma oportunidade única de interação social e de educação "in loco".
A visita ilustra o fato de que o local serve de estudo em qualquer idade. Tanto que nesta semana encontramos alunos da Unesp, futuros biólogos, vivenciando uma aula sob o comando da professora Anne Dokkedal, da área de Botânica. Diferenciavam as pteridófitas - samambaias, avencas, xaxins e cavalinhas são alguns dos exemplos mais conhecidos.
ENSINAMENTOS DA COPAÍBA
Mas mesmo os leigos ficam satisfeitíssimos com o que aprendem, por exemplo, de história ensinadas através das árvores. Ela está contada pela copaíba, árvore-símbolo da avenida Getúlio Vargas.
Cortada, uma das copaíbas bauruenses foi restaurada e seu tronco dá uma amostra da história recente da humanidade. Assim, os anéis mostram que ela nasceu apenas um ano depois da invenção do primeiro computador digital eletrônico pela IBM, em 1946, e morreu em 2009, ano da pandemia da gripe H1N1, passando pela queda do muro de Berlim entre outros eventos históricos importantes da humanidade.
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| Jardim Sensorial |
JARDIM SENSORIAL
Outros ensinamentos virão com o Jardim Sensorial, um local onde se mantém plantas com características que podem ser exploradas pelos cinco sentidos: tato, olfato, visão, audição e paladar.
O espaço permite que todas as pessoas, inclusive as com necessidades especiais, aproveitem o espaço e tenham um contato mais próximo com as plantas. Especialmente os cegos se beneficiam do local, porque o Jardim Sensorial conta com placas em braile, piso tátil e jardins elevados.
Lembrando que todas as visitas são monitoradas por biólogos do Jardim Botânico, caso da aula da professora Anne, que era acompanhada por Vinicius Sementili Cardoso.
PÚBLICO E PARCERIA
Para o público, o que importa mesmo é poder ver as maravilhosas samambaias (incluindo-se aí exemplares de xaxins, já extintos na natureza), as orquídeas, bromélias, plantas aquáticas, plantas medicinais e o arboreto e até desfrutar da trilha em seus 1.090 metros que serão melhorados o ano que vem.
Lembrando que a entrada é grátis e tem 70 mil visitantes ao ano, o diretor da área, faz questão de valorizar a Associação de Amigos do Jardim Botânico: através dela várias empresas contribuem para a manutenção do local.
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| Anne Dokkedal, professora da Unesp, e Vinicius Sementili Cardoso, biólogo, orientam alunos |
Entre elas, Stockmat, Bauru Painés, Agnaldo Disarz Cirurgia Plástica, Constel, Pharmacis, Compac, Omnigráfica, Bauru Outdoor, Unimed, Baterias Tudor, Thermic, Servimed, Copical, Cerâmica Costa Lopes, Guedes de Azevedo, Praça Brasil, Sobra Fértil, Grupo Lwart, Eco Art, Vigus, Route, Jaguacy Avocado. Sem deixar de citar a parceria com Lions International, clube de serviço e que o órgão está atrelado à Secretaria Municipal de Meio Ambiente da Prefeitura de Bauru (Semma).
PESQUISAS SÃO UM UNIVERSO À PARTE
Pesquisas para proteger as espécies silvestres raras e ameaçadas do cerrado, como o palmito, estão no foco do Jardim Botânico. E são utilizadas tecnologias de ponta, como o GPS. Quem explica é o biólogo Jonas Costa Rangel que é um dos que cuida do desenvolvimento de plantas ameaçadas em extinção. Quando a matriz de uma planta rara dessas é encontrada, fazem um mapeamento que é lançado via GPS num banco de dados. E com isso têm-se a localização exata de onde estão os espécimes dela. Esta semana, por exemplo, Jonas estava debruçado na produção de mudas de ipê-amarelo, uma espécie ameaçada de extinção. Ao lado delas também produz-se mudas do palmito-juçara.
O trabalho bastante meticuloso exige desde a recuperação das sementes, até o plantio delas, o replantio, a formação de mudinhas até que estejam prontas para voltar ao seu habitat natural.



