Nacional

Com documentos de Lichtenstein, Lava Jato vê mais crimes de Duque

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

Com base nos papéis da cooperação internacional com o Principado de Lichtenstein, a força-tarefa da Operação Lava Jato aditou a denúncia contra o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e o lobista Guilherme Esteves. Documentos enviados pelas autoridades do paraíso fiscal revelam a titularidade de Esteves de uma offshore que foi utilizada para fazer pagamentos de US$ 4 4 milhões ao ex-agente público. Por ter identificado três transferências entre os investigados por meio de empresas de fachada, a Procuradoria imputou a eles mais três crimes de lavagem de dinheiro.

Nesta denúncia, Esteves já era acusado de 7 crimes de lavagem de dinheiro. Com o aditamento, a procuradoria passa a denunciá-lo por cometer o delito 10 vezes. Já Duque, antes livre da acusação de branqueamento de capitais, passa a responder por três crimes.

Segundo a denúncia, entre 2011 e 2014, o lobista Guilherme Esteves, na condição de representante comercial da Jurong, junto de outros estaleiros cartelizados, pagaram propinas a agentes da Petrobras, entre eles, o então diretor Renato Duque.

O então diretor de Engenharia e Serviços da Petrobras Renato de Souza Duque e o gerente executivo de Engenharia e Serviços da Petrobras Roberto Gonçalves teriam recebido um sexto, cada, do total das propinas. Um sexto seria dividido entre Pedro José Barusco Filho, Eduardo Costa Vaz Musa e João Carlos de Medeiros Ferraz, à época em que eram diretores da Sete Brasil.

A denúncia ainda dá conta de que dois terços teriam sido destinados ao Partido dos Trabalhadores, com arrecadação por João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT.

A contabilidade dos pagamentos teria sido realizada por Barusco, em "planilha na qual ele próprio, Renato Duque, João Ferraz e Eduardo Musa eram identificados pelas alcunhas de 'SAB', 'MW', 'MARS' e 'MZB'", segundo as investigações.

A Procuradoria apontava Opadale Industries LTD como a empresa de fachada usada Guilherme Esteves para o pagamento de propinas. A conta da offshore é mantida no Banco Valartis Bank em Liechtenstein. Documentação bancária encaminhada pelo principado revelam três transferências da Opadale para a Drenos Corporation mantida no Banco Cramer ? De outro lado do balcão, investigadores concluem que "a documentação relativa à conta Drenos Corporation S.A confirma que referida conta é de fato de propriedade de Renato Duque".

Defesas

A reportagem entrou em contato com a defesa de Renato Duque, mas não obteve resposta. A advogada Fernanda Tortima, que defende Guilherme Esteves, disse que se manifestará apenas nos autos do processo.

Comentários

Comentários