Em resposta à sra. Fátima Cristina Piovisan (Tribuna do Leitor de 26/10/2017).
Tenho 80 anos e fui funcionária pública por 30 anos, agora sou aposentada.
Entendo a revolta da sra. Fátima. O Brasil vive um momento obscuro, difícil, onde a intolerância impera e todos pensam que podem falar tudo, sem filtro, sem pudor, sem compaixão, mas creio que a moralidade e a ética ainda são os vetores da conduta de milhões de brasileiros. Assim, não é difícil entender que o que está acontecendo em Bauru é meramente reflexo do que ocorre no país todo e também no mundo. Como funcionária pública, entendo a decepção da sra. Fátima de não ter sua remuneração reajustada, mas, apesar do Governo do Estado não reajustar nossos vencimentos há 32 meses e ter nos retirado benefícios, entendo que isso não me dá o direito de, sem filtro algum, ofender a moral do governador. Aprendi, com o passar dos anos, que tudo é cíclico, injustiças acontecem, maus momentos são revividos, mas os bons momentos também retornam. Aprendi que a humanização, o respeito ao próximo, a tolerância, a gentileza, devem sempre pautar nossos atos. Penso que o ataque ao íntimo de alguém deve sempre ser evitado. Há formas de protestar, de manifestar inconformismo, sem atacar a moral do outro. Não conheço pessoalmente nosso prefeito, mas ele é uma pessoa, um cidadão e como todos, merece respeito. Acontece que se identificando como funcionária pública a senhora fez com que os leitores espelhassem nas suas palavras o sentimento de todos os funcionários públicos e, por mais que eu entenda sua indignação, não posso deixar que palavras tão ofensivas, que impactam o âmago do ser humano, sejam tomadas como sendo o pensamento de toda uma categoria. Como cidadã, participei de muitos protestos, pois vivenciei a ditadura, mas como funcionária pública sempre respeitei o meu patrão. Mesmo quando dele discordava, fazia valer minha voz através do sindicato, das assembleias e protestos ou via ação judicial onde, em não poucas vezes, tive meus direitos reconhecidos.
Penso que acusações no tocante à falha na gestão pública se faz com provas e de forma legal, do contrário, são apenas farpas jogadas com o intuito único de denegrir o gestor, mas que terminam por atingir a pessoa e extrapolam para impactar também sua família. Desde criança aprendi com minha mãe que uma das piores ofensas à honra de um homem ou mulher era a pecha de mentiroso. Apesar dos tempos terem mudado muito com relação aos valores éticos, ainda acho que não se deve lançar ao chão o nome de alguém sem lhe dar o direito de defesa ou sem medir as consequências dos próprios atos.
Penso que existem formas de manifestar opinião, ou mesmo de protestar, pautadas na ética, na boa educação, sem ofensas pessoais. Do alto dos meus 80 anos, aprendi a não desperdiçar atos ou palavras, a ter sempre um propósito justo, o que acho mais imprescindível ainda quando esses atos têm em foco um outro ser humano. Faltam três anos, devemos ficar atentos, mas antes de cobrar e acusar é melhor questionar o que fizemos para auxiliar a concretizar o programa de governo que votamos ao eleger o prefeito.