| Samantha Ciuffa |
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| Daniele Freitas: mentora do projeto ArtecomAmor, que leva cantigas até Emeis - aqui, na Francisco Gabriele Neto, Vila Independência, na última terça-feira (7) |
Esqueça a velha máxima, "criança só sabe fazer arte". Isso mesmo! Sabe aquela expressão da mãe da gente "o que você está fazendo aí? Está muito quieto é porque está fazendo arte!". Pois então, pode deixar de lado o cunho pejorativo. Nada de pensar que é o caso de "aprontar". Criança tem que fazer arte mesmo, e por meio dela evoluir muito. E a escola ainda é um dos melhores lugares para que se aprendam habilidades artísticas, seja com música, pintura, artesanato, esculturas, enfim, a mais variada e diversificada forma de "fazer arte", daquelas da boa.
Os educadores sabem que trabalhar com atividades artísticas é, antes de tudo, dar chance para o aluno desenvolver seu potencial de criação, prepará-lo para a execução das mais diversas atividades no futuro.
INICIATIVAS
| Divulgação |
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| Pais de alunos e familiares: representação da época de Leonardo da Vinci na Escola Estadual Sueli Sé Rosa |
E sabedores disso, professores e coordenadores de escolas vão atrás de produção artística de conteúdo para envolver o alunado. São várias as iniciativas pedagógicas nesse sentido
E se todos fazem, então todo mundo deveria saber e conhecer o que acontece em cada escola. Nem sempre se sabe. Muitas vezes, as iniciativas ficam restritas às escolas, escondidinhas do grande público e com pouca divulgação. No máximo, é a família e o círculos de funcionários da escola, os parentes dos alunos que as divulgam. Ah! Façamos justiça: um dos senões e que toda semana está empenhado em divulgar o que acontece nas escolas é o projeto JC na Escola, capitaneado pelo próprio Jornal da Cidade sob coordenação de Sérgio Purini.
Mas nesta edição, resolveu-se mostrar um pouquinho dessas histórias. Sem a pretensão de fazer um estudo aprofundado do tema e com a consciência de que há centenas de ouras iniciativas, o Jornal da Cidade foi buscar alguns exemplos onde, afinal, o resultado final é o crescimento.
Na rede municipal de ensino, a Emeii "Irene Ferreira Chermont", localizada no Parque Vista Alegre, o trabalho inclui referências a artistas plásticos para os pequenos. Já na escola estadual "Professora Sueli Aparecida Sé Rosa", neste ano de 2017 está sendo promovido o Proemi, com apoio do Ministério da Educação, o chamado Ensino Médio Inovador. E há quem corra por fora. A artista Daniele Freitas optou por fazer o seu próprio projeto - o ArtecomAmor - e percorre instituições contando histórias e cantigas de roda.
Pequenos aprendem o conceito de passagem do tempo
Desde o ano passado, as escolas de educação infantil do município apostaram na proposta curricular de incluir a arte como conteúdo
| Reprodução internet |
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| Laís Myrrha, destaque da Bienal de Artes, usa cimento em “Pódio para ninguém” |
A educação em arte propicia o desenvolvimento do pensamento, dá sentido à aprendizagem. Através dela o aluno amplia a sensibilidade, a percepção, a reflexão e a imaginação.
A importância do processo criativo de cada estudante deve se revelar nas atividades artísticas. E é por isso que a Arte, assim mesmo, grafada em maiúscula, como expressão humana, por meio de diferentes linguagens – Dança, Teatro, Música, Artesanato, Artes Visuais – , traz, além da representação de fatos, emoções e concepções do ser humano sobre si mesmo e sobre o mundo que o cerca uma educação básica excelente para as crianças.
E praticamente todas as escolas que incluem essas atividades já a partir de uma faixa etária bem nova. Crianças de dois anos, por exemplo, já vivenciam várias experiências com esse conceito de que atividades artísticas vão ajudar no crescimento intelectual, cognitivo, social, familiar que resultam numa melhor aprendizagem e comunicação em todas as áreas da vida.
Tudo bem que a própria legislação educacional do país obriga a incluir a disciplina no currículo, a partir dos seis anos. E todas as escolas do município incluem de uma forma ou de outra esse conteúdo. No caso de Bauru, é uma proposta que começa bem mais cedo. Já na educação infantil, leia-se desde o berçário até entrar no ensino fundamental I. Claro que bebês ainda (ainda!) não têm essa disciplina, mas depois dos dois até os cinco anos, nas escolas municipais ela está lá dentro.
É bom que se diga que desde o ano passado as escolas de educação infantil do município de Bauru têm uma proposta curricular que apresenta a arte como um conteúdo. Conheça uma das experiências feitas pelo grupo de educadores com os alunos da Emeii Irene Ferreira Chermont, que aprenderam o conceito de passagem do tempo, algo aparentemente muito abstrato, afinal fica difícil falar sobre a efemeridade da vida, não é mesmo, para quem tem dois anos de idade, não é? Nada disso. Através da arte é tudo bem mais fácil.
A interação leva os alunos a vivências, como na Vila Vicentina
Para entender melhor o conceito do tempo o grupo de alunos da Emeii Irene Ferreira Chermont visitou este ano a Vila Vicentina. A atividade foi acompanhada de professores e auxiliares da unidade escolar. “Estamos trabalhando a obra da artista com eles, refletindo sobre os valores que permanecem e aquilo que é passageiro na nossa vida. Dessa maneira, estamos estudando as diferentes gerações, a passagem do tempo na vida das pessoas, as relações familiares e os sentimentos. A visita à Vila Vicentina foi para proporcionar a interação entre as crianças e os idosos através de contação de histórias”, explica Griselda.
Os alunos arrecadaram desodorantes e esponjas de banho que foram doados aos idosos durante a visita. Além disso, houve também aulas de geografia para entenderem o que é um trabalho arqueológico e até atividades musicais.
| Fotos: Divulgação |
A proposta: ‘Se na vida tudo passa, onde fica o 1º lugar?’
Grizelda Luiza Purini, diretora da EMEI Irene Ferreira Chermont, localizada no Parque Vista Alegre, e Fidalma Nora Bittencourt, professora infantil 5, ambas com mais de 30 anos de magistério contam o porquê da escolha da artista plástica Lais Myrrha, destaque da 32a. edição da Bienal de São Paulo. É que as obras dela são bastante concretas, trabalha com materiais de construção e mostra muito a efemeridade das coisas. Assim "nós aqui da escola acreditamos que as crianças podem mais, ir além com relação ao conhecimento, para que se desenvolvam mais e possam se tornar adultos saudáveis e participativos na sociedade", explica Griselda. Acreditamos na arte como "um importante veiculo de conhecimento e experiência na vida das crianças. Todas as formas de manifestação artisitca. Todo ano escolhemos uma artista plástica para trabalhar com as crianças, priorizamos a Arte contemporânea por dois componentes importantes nessa proposta artística: o questionamento ou seja a provocação e a concretude das obras, dois componentes que infulenciam os pequenos nas aprendizagens.
A escola tem mais de 100 alunos e trabalha dos quatro meses de idade até os cinco anos. Em geral a arte é oferecida dos dois aos cinco anos, mas neste caso específico foram trabalhados com alunos de quatro e cinco anos.
O PASSO A PASSO
| Fotos: Divulgação |
| Bruno Freitas |
A PARCERIA RENDE BONS FRUTOS
Contação de histórias e cantigas de roda são o foco da artista Daniele Freitas
| Samantha Ciuffa |
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| Projeto ArtecomAmor passa pela Emei Francisco Gabriele Neto; a diretora Solange Castro (de vermelho) aprovou |
Para Solange Castro, diretora da Emei Francisco Gabriele Neto da Vila Independência ter a presença do projeto ArtecomAmor (assim mesmo, tudo junto) esta semana no colégio foi algo muito reconfortante, estimulante e que atendeu o objetivo de entreter e ao mesmo tempo levar arte para as criancinhas da escola. O projeto desenvolvido pela artista Daniele Freitas começou a ser gestado já em 2008 quando ela despertou a veia para o teatro. A ideia de contação de histórias nasceu em 2009 e se consolidou em 2014. Foram cinco anos de muita pesquisa, leitura e dedicação para chegar ao formato que hoje apresenta nas instituições
Neste dia Daniele apresentou a adaptação do clássico de Hans Christian Andersen, "A Princesa e a Ervilha". Ela sabe que as histórias que mais despertam a imaginação infantil são as que envolvem bichos, princesas e aventuras. Para ela é "emocionante estar com as crianças, posso ver o brilho nos olhos. A contação de histórias é um momento lúdico que permite a expressão dos sentimentos das crianças e de sua imaginação".
Agora, imagina a emoção das crianças. Kauany da Silva Santos, de 4 anos, por exemplo gosta de cantar e ouvir histórias. Mas adorou mesmo a chuva de brilhos que a artista jogou nas crianças. Aliás, essa forma de ela trabalhar, tirando elementos que vão ajudando a contar a história também foi bem valorizada pela diretora Solange. Já Paloma Forti Santiago, de três anos adorou as cantigas, ela gosta muito de música. "Foi muito legal e gostei muito da historinha", disse em sua primeira entrevista na vida.
Sobre as apresentações
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| Daniele Freitas utiliza elementos cênicos e pequenos instrumentos |
De forma lúdica Daniele utiliza elementos cênicos, pequenos instrumentos de sonorização, brincadeiras interativas como trava-línguas, cantigas de roda e poemas. "Também utilizo técnicas teatrais na preparação das histórias e criação dos personagens. Toco violão, meia lua e assim levo as histórias que sinto e respiro. Tendo como efeito aprimorar, enriquecer a contação, escutar, imaginar toda a situação. Lembrando que a história se constrói com as palavras. O olhar é o fio que conduz, o elo que liga o narrador à platéia", diz a artista.
O projeto ArtecomAmor contempla entidades beneficentes com apresentações, contação de histórias, tendo como objetivo incentivar a leitura e proporcionar um dia diferenciado as crianças com muito amor, carinho e dedicação.
Vale lembrar que o gosto pelos contos vem de dentro de casa. "Meu avô foi minha inspiração. Lembro-me chegando em sua casa, ele com sua sanfona e seu violão, logo começava a contar-me suas histórias, era um grandioso contador de 'causos'. Eu me deliciava com suas histórias". Dessa foram ela acredita que a contação pode despertar os pequenos para a literatura.
A literatura infantil quando mostrada ao futuro leitor de maneira lúdica e expressiva, pode resultar em um leitor assíduo e crítico, capaz de posicionar-se frente ao que lê e deliciar-se com a leitura como uma forma de lazer e divertimento. A contação de histórias é um dos meios mais antigos de socialização de conhecimento, capaz de comunicar e transmitir valores, atitudes, saberes e desenvolver o gosto e o prazer pela leitura, sendo uma fonte de extrema importância para o desenvolvimento da criatividade e enriquecimento cultural da criança. Através da fantasia e do imaginário a contação de histórias proporciona à criança o desenvolvimento de diversas habilidades, ampliando os horizontes da leitura e da escrita.
Serviço
Telefone (14) 997286870
Facebook: ArtecomAmor
E-mail: arte-comamor@hotmail.com.br
Site: https://arte-comamor.wix.com/artecomamor
SARAU ENVOLVE FAMÍLIA TODA
Alunos descobriram o universo de Leonardo Da Vinci, o cientista renascentista italiano?
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| Cartaz de abertura do sarau (acima) e apresentação cênica (logo abaixo) baseada na vida do inventor e artista Leonardo da Vinci |
| Marcelo Uchida/Fotografia |
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Na Escola Estadual Professora Sueli Aparecida Sé Rosa, que atende a região do conjunto habitacional Isaura Pitta Garmes, neste ano de 2017, está sendo promovido o ProEMI (Projeto do Ensino Médio considerado inovador pelo MEC). Estão sendo propostas atividades diversificadas nas diversas áreas de conhecimento no sentido de favorecer o desenvolvimento/aprimoramento de competências e habilidades dos alunos de Ensino Médio (EM).
Um desses trabalhos se deu a partir da escolha de um tema. "E o tema escolhido foi a partir da leitura do livro “Leonardo Da Vinci e Seu Supercérebro”, de Michael Cox. Um momento considerado muito especial foi o Sarau, atividade promovida, neste semestre, a fim de os alunos apresentarem seus trabalhos, focando sempre o protagonismo juvenil", explica a professora de arte Cristiane Gonçalves.
O objetivo foi através do estudo e pesquisa das obras literárias e figuras marcantes da história da humaniade ampliar o repertório literário, o gosto pela leitura e a concentração, melhorando em todas as áreas de conhecimento.
Muitas atividades foram desenvolvidas: leitura do livro, pesquisas, leitura de artigos referentes aos assuntos escolhidos em cada disciplina que resultaram em reproduções de miniaturas, releituras de obras e de instrumentos, entre outros, como um dia de exposição e até um sarau foi realizado. Tudo sempre aberto à participação dos familiares e amigos dos alunos.
A leitura do livro contribuiu para a ampliação de repertório e disseminação da cultura para o desenvolvimento de um currículo escolar e de vida mais dinâmico e flexível, contemplando os conhecimentos nas diversas áreas numa perspectiva multidisciplinar.
Viagem
Em virtude do PROEMI, foi feita uma viagem cultural a São Paulo oportunizando para alguns alunos a primeira visita a museus. Foram visitados o Museu de Arte Moderna (MAM), Museu de Arte de São Paulo (MASP) e Museu Afro, além da Livraria Cultura. A viagem proporcionou também o fortalecimento de vínculos entre alunos e professores frente a uma nova rotina, incorporando um novo olhar e relacionando a teoria à prática.
O projeto tem continuidade prevista até o ano de 2018 com novas atividades e, tendo como proposta de finalização, uma gincana cultural, explica Simone Pires, coordenadora pedagógica da instituição.
O que é o ProEMI?
ProEMI - Programa Ensino Médio Inovador - é um projeto do Ministério da Educação. O objetivo é apoiar e fortalecer o desenvolvimento de propostas curriculares inovadoras nas escolas de ensino médio, ampliando o tempo dos estudantes na escola e buscando garantir a formação integral com a inserção de atividades que tornem o currículo mais dinâmico.





