Eu queria acordar e no meu despertar poder respirar, sem toda essa carga tóxica despejada no ar, sem nenhum critério! Caminhar e poder olhar nos olhos de cada semelhante e sentir-se humano, sem essa paranoia do medo e pânico!
Ver em cada qual um verdadeiro irmão, de mãos estendidas, para o abraço e comprimento, ao invés da mão no gatilho de uma arma, o ser transpirando diante do cano frio encostado no frágil corpo em transe ou uma arma branca, gelando dos pés à espinha!
Queria conversar e também ouvir as dores dos passantes ofertar os ombros e ouvidos, poder ajudar na luta desigual das drogas, das bebidas, da prostituição e do ódio! Eu queria que o silêncio da noite fosse preenchido com a voz do amor de mãe, da flor e beija-flor, do mel e as abelhas! Queria uma orquestra de sorrisos mil, enchendo de vida a tristeza, ao invés do soluço amargo, dos disparos das balas perdidas!
Eu queria a felicidade reinando plena e absoluta! Eu queria caminhar sem medo e preocupação, admirando o belo e os jardins em flores! Ouvir o canto afinado dos pássaros!
Numa corrente do bem para o bem, transpor o portal do ódio e ganância, abaixo à hipocrisia e, diante da vida, respeitar-nos, como humanos e filhos únicos do Pai supremo! Pois não é possível que não aprendemos nada e estamos nos autodestruindo!