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Com praça, Nações ganha marco da igualdade racial

MarceleTonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Marcele Tonelli
Localizada entre a Nações Unidas e a rua Júlio Prestes, a Praça África foi entregue nessa segunda-feira (20)
O prefeito Gazzetta; Selma Celestino, presidente do Conselho Municipal da Comunidade Negra; e Antônio Carlos Barros, presidente da Comissão do Negro e Assuntos Antidiscriminatórios da OAB

Flamboyant, palmeira cica sagu e uma árvore baobá. Três plantas de origem africana e que, a partir de agora, dividirão espaço no paisagismo de uma das principais avenidas da cidade: a Nações Unidas.

O simbolismo ganhou melhor sentido nessa segunda-feira (20), quando a Prefeitura Municipal, o Conselho Municipal da Comunidade Negra e a Comissão do Negro e Assuntos Antidiscriminatórios da OAB de Bauru entregaram à população a revitalização da Praça África. O local, agora, passa ser um marco oficial da igualdade racial em Bauru.

Localizada entre a avenida Nações Unidas e a rua Júlio Prestes, a área entregue nessa segunda (20), Dia da Consciência Negra, promete, inclusive, ser ponto de encontro da comunidade afrodescendente.

“Aqui, iremos divulgar nossas raízes e estimular a consciência e a igualdade racial e social”, comemora Selma de Fátima Cosmo Celestino, presidente do conselho.

ESQUECIDA

Apesar de existir desde 2003, a Praça África não tinha vida ativa. “Ela estava abandonada, esquecida e tinha até uma árvore morta caída”, reforça Selma.

Nas últimas semanas, em comemoração ao Mês da Consciência Negra no município, o espaço ganhou gramado, novo paisagismo e uma placa de inauguração com as inscrições: “As mãos dos nossos ancestrais que formaram esse País: Brasil”.

Líder do movimento afro, Zumbi dos Palmares também não ficará de fora da homenagem e ganhará, nos próximos meses, um busto no local, conforme o JC já havia noticiado.

“Estamos fazendo o máximo para entregar o busto no início do ano que vem. É um pequeno gesto de reconhecimento. A avenida Nações Unidas representa todas as descendências e nada mais justo do que a comunidade negra estar nela”, observa o prefeito Clodoaldo Gazzetta.

PONTO DE ENCONTRO

A praça ainda não possui bancos, mas promete ser o ponto de encontro para eventos da comunidade afrodescendente.

“Em outras cidades, a Praça Zumbi dos Palmares é local de encontro da comunidade para eventos e acredito que aqui não será diferente. Este local é um marco, é uma área da cidade em desenvolvimento e a praça indica a construção de um mundo mais igual, onde todos têm os mesmos direitos”, pontua Antônio Carlos Barros, presidente da Comissão do Negro e Assuntos Antidiscriminatórios da OAB.

Apesar de localizado no coração da cidade e na avenida Nações Unidas, o espaço voltado à praça possui área útil pequena. Por isso, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) se mobilizou para acoplar o canteiro central da Nações, naquela altura da avenida, à praça. O local, porém, poderá ter plantas apenas.

Você sabia?

Esta é a segunda praça em homenagem à comunidade afrodescendente em Bauru. Segundo o Antônio Barros e Selma Celestino, uma praça existente nas imediações da avenida Pedro de Toledo, no cruzamento com a rua Quintino Bocaiuva,rememora uma mulher que ficou conhecida como parteira Bernardina. “Ela ajudou muitas pessoas em uma época que Bauru quase não tinha médicos”, comenta Barros.

MEDALHA ZUMBI

Tatiana Calmon Karnaval/Divulgação
Família Baté com as lideranças homenageadas com a Medalha Zumbi neste ano, em evento em Tibiriçá

Ainda em comemoração ao Mês da Consciência Negra no município (veja, no quadro abaixo, os eventos que ainda serão realizados), houve, no último domingo (19), a tradicional entrega da Medalha Zumbi, que acontece há anos em Tibiriçá.

O prêmio, organizado pela família Baté, concede a condecoração às pessoas que, no seu dia a dia, se dedicam a promover a busca pela igualdade e a combater o racismo e a discriminação.

O evento surgiu após ser encabeçado por José Cosmo, o Baté, liderança local por muitos anos e que morreu no ano passado.

Após explanações sobre a resistência nos quilombos, foi feita a entrega das medalhas e, depois, servida a tradicional feijoada aos participantes. O samba animou e encerrou as homenagens por lá.

 

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