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Black Friday: cuidado com a metade do dobro

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

A já popular "Black Friday", de origem norte-americana (na verdade esta expressão referia-se a uma sexta-feira do ano de 1869 em que uma crise financeira assolou os Estados Unidos), tem tido forte adesão aqui no Brasil. Podemos dizer que este dia é o pontapé inicial das festividades natalinas. Criou-se um ambiente de compras em que o grande apelo é vender os produtos e serviços com bons descontos.

Ocorre que há empresários e empresários. Há uma legião de vendedores honestos, que entregam o que prometem e garantem, com seus preços convidativos, bons negócios aos consumidores. Infelizmente, também há os "levadores de vantagens". Contra estes é preciso redobrar a atenção.

A prática desonesta mais comum é elevar o preço normal para em seguida conceder descontos. Funciona assim: há dois ou três meses o preço de produto era, por exemplo, R$ 1.000,00. Com decorrer dos dias este preço foi gradativamente elevado. Com o preço mais alto, oferecem descontos que traz o preço do produto para o valor original de R$ 1.000,00, ou seja, o mesmo valor praticado anteriormente. Por isso, neste caso dizemos: o preço ficou metade do dobro, portanto, o valor foi mascarado, enganando o consumidor. Esta prática é inadmissível no mercado e só prejudica aqueles que querem alavancar suas vendas neste período.

O consumidor deve redobrar sua atenção. Uma das maneiras de não ser enganado é pesquisar em vários sites. Compare o preço dos produtos para ter certeza que o desconto é verdadeiro. Quando o negócio é virtual, não se convença facilmente quando o negócio é muito agressivo. Por mais que o empresário queira aumentar suas vendas, não há milagre. Ficando no exemplo do televisor: você não desconfiaria se o preço de nosso exemplo caísse para R$ 400,00 a R$ 500,00? Pensa bem, há um custo envolvido, por mais agressivo que o vendedor seja, há um limite da razoabilidade.

Outro aspecto que você deve ficar atento é para os falsos sites. Eu mesmo recebi via e-mail publicidade me informando que um determinado produto teria um bom desconto. Este anúncio era de uma grande rede de lojas. Desconfiado liguei para o atendimento ao cliente e para minha surpresa tratava-se de um golpe. Usavam o nome desta rede de lojas e quando a compra era efetuada quem ficava com o dinheiro eram os golpistas.

Vale ainda lembrar que questões como prazo de entrega, forma de pagamento, entre outros devem estar claros na hora da compra. Também lembre-se que o Código de Defesa do Consumidor prevê que nas compras a distância há a possibilidade de arrependimento, isto é, você terá até 7 dias após a entrega do produto para devolvê-lo caso se arrependa da compra e com um detalhe: todos os custos de transporte por conta do vendedor.

Em resumo: pesquise, saiba quem está ofertando o produto, desconfie se a oferta for muito agressiva, tenha segurança na hora de pagar e documente a compra.

Longe de mim querer inibir as vendas que, por sinal, entendo ser grande oportunidade de negócios, os alertas são no sentido de o consumidor não ser enganado e para isso é preciso redobrar a atenção e tomar todos os cuidados antes de fechar o negócio.

Desonestos têm por toda parte e no mundo virtual não é diferente, mas cabe a cada um de nós, consumidores, sermos cautelosos e detalhistas na hora da compra. Desejo bons negócios, mas sem dor de cabeça.

O autor é economista e articulista do JC.

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