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Décimo terceiro: uso racional

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Para boa parte dos trabalhadores, a primeira parcela do décimo terceiro salário deverá ser paga até hoje, dia 30 de novembro. A segunda parcela deverá ser honrada até o dia 20 de dezembro. Muita gente já decidiu o destino para estes recursos e alguns até já gastaram por conta, mas para aqueles que ainda têm dúvidas quanto ao melhor destino para este recurso, colocarei alguns pontos para reflexão.

A primeira questão a esclarecer é que o valor a receber é proporcional ao tempo de trabalho. Receberá o valor integral quem trabalha desde janeiro deste ano. Quem entrou no mercado de trabalho depois receberá o equivalente a 1/12 para cada mês trabalhado. A segunda questão é que o valor da primeira parcela será superior ao valor da segunda parcela.

Ocorre que os descontos previdenciários e do imposto de renda (quando devido) serão lançados na segunda parcela, portanto, a primeira parcela corresponde a 50% do valor bruto. Também é importante saber que comissões, horas extras, adicional noturno e insalubridade entram no cálculo, evidentemente quando devidos.

A primeira reflexão sugerida é: seria possível utilizar somente a primeira parcela, poupando a segunda parcela? Se for possível, esta decisão permitiria criar um "colchão" de recursos para enfrentar os compromissos de início de ano.

Outro ponto a ser considerado é se há pendências financeiras. De que vale pensar em usar o valor do décimo terceiro para novos gastos se o limite do cartão de crédito não foi coberto, se o cheque especial está estourado, se uma conta está atrasada?

Se não agir no sentido de liquidar tais pendências você irá perder dinheiro. Se o dinheiro for curto para pagar tudo, opte por aquelas que cobram mais juros, como são os casos de dívidas em financeiras, cartão de crédito e cheque especial.

Não havendo compromissos vencidos ou sobrou dinheiro após acertar pendências financeiras, é o momento de programar os gastos de fim de ano.

Liste tudo que pretende fazer: presentes, alimentos, gastos em viagem, entre outros. Pode exagerar nesta fase. Veja os valores de cada item listado e agora faça uma análise crítica, sendo racional. O dinheiro foi suficiente? Se não, comece a cortar, principalmente os supérfluos. É fundamental que o dinheiro seja suficiente para atender todas as suas necessidades. Agora é hora de pesquisar. Utilize a internet, leia os jornais, enfim, descubra o local que mais lhe trará economia atendendo seus desejos de consumo.

Caso o décimo terceiro seja mais robusto, pense em aplicar, mas esqueça a caderneta de poupança. Pense no mínimo em Tesouro Direto. Analise opções de renda fixa e ainda as Letras de Câmbio tanto imobiliárias como do Agronegócio. Todas rendem líquidas mais do que vem rendendo a caderneta de poupança.

Lembre-se que é o momento do uso racional do dinheiro, incluindo a análise de buscar na cooperação entre amigos e familiares para economizar.

No tocante aos presentes para amigos e familiares, você pode fixar um limite de valor e todos presenteiam até este limite. Para a ceia de Natal pode ter a cotização de cada um, assim ninguém fica com o ônus total nas costas. Enfim, o que não pode é se endividar ou virar o ano no vermelho.

O décimo terceiro é um dinheiro bem-vindo, mas saber dar o melhor destino para seu uso garante tranquilidade para ter um fim de ano daqueles.

Não deixe a natureza cuidar: planeje e saia da zona de conforto.

O autor é economista e articulista do JC.

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