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Um dos novembros mais chuvosos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Simone Grellet/Divulgação
Fotografia feita nesta semana mostra algumas das tantas nuvens carregadas que estiveram prontas para “despencar” sobre Bauru

Novembro terminou nessa quinta-feira (30) como um dos mais chuvosos dos últimos 36 anos, segundo as estatísticas do Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet). O grande volume de chuvas, porém, não representa, necessariamente, um prenúncio para um verão de muitas tempestades e estragos na cidade.

É o que antecipou, nessa quinta, o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTec/Inpe), após reunião realizada com a participação de pesquisadores de diversos institutos de meteorologia do País. Pelo fato de Bauru estar na região Sudeste, considerada de baixa previsibilidade para chuvas, o grupo de estudioso não pôde precisar se o regime de chuvas, no próximo trimestre, apresentará alguma anormalidade.

Em novembro de 2017, o IPMet contabilizou 259,8 milímetros de chuva, volume bem acima da média climatológica atual, que é de 148 milímetros para este período do ano. Desde 1981, quando as medições da estação convencional do IPMet tiveram início, valores superiores ao deste ano para meses de novembro só foram registrados em quatro oportunidades: 1987 (273 mm), 1997 (271 mm), 2002 (262 mm) e 2015 (260,1 mm).

"Além de novembro, choveu acima da média em alguns outros meses de 2017 e o ano fechará com um volume de precipitações superior a 2016", observa o meteorologista José Carlos Figueiredo. Ele explica que a média climatológica, calculada com base na quantidade de chuvas registrada entre 1990 e 2010, é de 1,5 mil milímetros por ano.

Este patamar não foi alcançado, mais recentemente, em 2012, 2013 e 2014. Já neste ano, antes do início de dezembro, o acumulado já é 1.554,5 milímetros, montante superior ao total contabilizado em 2016 inteiro, quando choveu 1.526,4 milímetros.

"Não há uma explicação para este fenômeno, já que as chuvas têm uma das variações mais caóticas da meteorologia. Não é um comportamento padronizado, mas as estatísticas apontam que há períodos mais secos alternados com mais úmidos, que duram de oito a dez anos ou de cinco a seis anos", detalha.

VARIABILIDADE

Meteorologista do CPTec/Inpe, Diogo Arsego ressalta que a previsão do regime de chuvas para períodos prolongados, como uma estação inteira, é ainda mais dificultada para as regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde fenômenos como o El Niño e La Niña têm menor influência. "Para o extremo sul do Estado, onde está o Vale do Ribeira, há ligeira tendência de precipitações mais intensas e frequentes nos próximos três meses. Mas, no restante do Estado, não é possível saber: ou ficará acima, abaixo ou dentro da normal climatológica", acrescenta.

De maneira geral, Arsego diz, o verão é caracterizado por grande variabilidade das condições do tempo, com formação de Zonas de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), que provocam chuvas em abundância, intercalada por períodos um pouco mais secos, com temperaturas elevadas.

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