Cultura

A história de uma luta

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Divulgação
Bastidores das gravações de depoimentos para o documentário “Como Somos”, que aborda temas como religião e família
Em ação: bauruense Rafael Botta é cineasta independente

Conscientizar sobre a importância da luta do público LGBT para conquistar respeito e visibilidade frente à sociedade. Esse é o principal foco do documentário "Como Somos", que está sendo produzido pelo cineasta bauruense Rafael Botta. A obra, em fase de execução, contará com a narração da atriz e comediante Nany People.

Coproduzido pela Cx2 Filmes em parceria com a Pro Clipe, o longa-metragem caminha para as cenas finais. A etapa seguinte reúne o trabalho de edição e sonorização. O projeto foi contemplado pela Lei de Estímulo à Cultura de Bauru, mas, para finalizar o filme e divulgá-lo em festivais e concursos, Botta busca recursos junto a patrocinadores.

"A previsão é estrear no primeiro semestre de 2018. Estamos trabalhando com uma equipe de apenas de cinco pessoas. Parte do grupo de forma voluntária. Porém, precisamos de verba para concluir o documentário e poder inscrevê-lo em eventos diversos. Isso tem um custo. Também projetamos legendá-lo em inglês e espanhol, para levá-lo para fora do País".

Botta conta que o produto despontou, inicialmente, como um curta-metragem. "Mas a história envolvia muitos assuntos sobre a população LGBT de Bauru de 1990 pra cá. E, para mostrar toda essa evolução nesse período, tivemos que ampliar para um longa".

O cineasta revela que a inspiração para produzir o filme veio durante o show de encerramento da Parada da Diversidade realizada no ano passado em Bauru. "Em cima do palco, havia um discurso político sobre a causa. Percebi, contudo, que muitos jovens estavam ali somente para se divertir. Eles não têm a consciência de que, se hoje eles têm essa liberdade, é porque houve uma militância desde sempre".

TEMAS

Por isso, o documentário aborda oito temas, entre eles a educação, saúde, religião e família. "Bauru foi pioneira na discussão de identidade de gênero nas escolas", exemplifica Botta, destacando que há entrevistados específicos para discutir cada assunto, como o ex-sacerdote Roberto Francisco Daniel, o padre Beto.

"Há também uma psicóloga, um grupo de drag queens, alguns jovens mais politizados. Falamos com o vereador Markinho Souza, que foi o primeiro parlamentar assumidamente gay de Bauru, e uma travesti que trabalha nas ruas desde a década de 1980. Ela traz para o longa-metragem esse contraponto entre a realidade de antes e a de hoje".

‘Democracia cultural’

"Fiquei muito feliz pelo convite para fazer a narração de um documentário que mostra exatamente essa liberdade de ser e de estar. A liberdade de gênero, que é tão importante abordar porque hoje isso é tão democrático, tão difundido. E Bauru é referência em tanta coisa. Eu mesmo já fiz vários shows na cidade", lembra a atriz e comediante Nany People, em entrevista concedida por telefone ao JC.

Nany revela que a liberdade foi conquista com o tempo. "Antigamente, isso não ocorria. Me perguntaram hoje (ontem), num programa de rádio, o que eu acho da cantora Pabllo Vittar. Eu acho o máximo. Para que ela virasse o que virou hoje, entretanto, muitos passaram por poucas e boas. Teve uma época em que se a polícia pegasse um gay andando na rua, colocasse uma laranja na cintura e a laranja não descesse até embaixo sem agarrar na calça, iria preso".

A artista também elogiou a verba liberada para a produção do documentário. "É uma democracia cultural o projeto passar por um crivo de orçamento do poder público municipal. Palmas para a prefeitura de Bauru", disse.

Voz madura

Cineasta que está produzindo o longa-metragem, Rafael Botta conta que a ponte até Nany foi feita pelo amigo Paulo Balderramas, proprietário da primeira boate de Bauru. "A gente precisava de uma voz madura e a Nany veio ao encontro do buscávamos. Sem contar que ela uma atriz conhecida em todo o País, o que vai dar mais visibilidade para o nosso trabalho".

SERVIÇO

Quem tiver interesse em patrocinar o documentário "Como Somos", pode entrar em contato através do telefone (11) 9 8215-0453 e do e-mail cx2filmes@gmail.com.

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