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Uma chance à Paz?

Luiz Victorelli
| Tempo de leitura: 2 min

Os cartõezinhos de Boas Festas já nem existem mais. Era quase uma obrigação nos finais de ano enviar a quem conhecíamos, ou nem tanto, uma emotiva mensagem, que já vinha pronta, por um Mundo de Paz! Hoje são os posts, mais práticos, criativos e virais, e também já prontos, que carregam o mesmo desejo.

Mas de bondosas intenções os céus e a nossa caixa postal já estão empanturrados. O desejo de paz e amor já entrou, e há muito, no automático em nossas vidas. E como tudo que se automatiza, distancia-se da essência. Já nem sabemos direito o que é paz e qual a paz que não temos. E que paz queremos?

Elevar nossas preces e pedir o fim das guerras, aquelas de conhecidas atrocidades onde seres humanos matam entre si, é um sonho que todos acalentam. Como podem, irmãos que somos, nos dividirmos em gregos e troianos, russos e americanos, cristãos e muçulmanos.

Pacificá-los seria um caminho para a paz que tanto idealizamos, mas não um fim para a paz que de fato precisamos. Pacificar-nos, sim.

Conhecer, refletir e eliminar nossos atos de violência, invisíveis à nossa percepção prática, trariam respostas reais a essas esperanças.

Falo da violência praticada no simples cumprimento de uma meta de trabalho, sobre o modo que alcançamos as nossas vantagens, da violência que levamos à mesa ao saciarmos nossa fome, do lugar onde se mora, da forma que se ama, do modo que se pensa.

Diante de um jeito diverso do outro se vestir, se pintar, seguir sua fé e carregar sua dúvida.

A violência sobre como cuidamos do mundo que herdamos e até do mundo que para o futuro sonhamos. A violência sobre as escolhas de cada um. Até de um olhar, quando nos achamos mais, ou da falta dele quando nos sentimos menos.

A tão sonhada Paz, que nesta época entra tão fortemente em nossas vidas, está cada vez mais ausente do nosso mundo.

Menos por culpa de possíveis loucuras de gente como uns tais de Trump e Kim Jong-um e mais por pessoas como nós, eu, você, que, acreditando certas, muitas vezes a buscamos nos lugares errados.

O autor é jornalista e colaborador de Opinião.

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