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Alckmin ataca Lula em 1º discurso após ser eleito


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Estadão Conteúdo
O governador Geraldo Alckmin discursa durante a convenção; ele recebeu 470 votos

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, foi eleito nesse sábado (9) presidente do PSDB, com um discurso de ataque ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT e também de defesa da reforma da Previdência. Após a crise em torno da sucessão de Aécio Neves (MG) no comando do partido e da permanência do governo Michel Temer, Alckmin fez um aceno ao peemedebista ao dizer que a atual gestão começou a reverter a "tragédia econômica em que o País foi colocado".

Alckmin afirmou que a reforma da Previdência é necessária para não ter "brasileiros de duas classes" e que o partido tem compromisso com reformas que darão condições para o Brasil voltar a crescer. Disse que a bancada tucana no Congresso terá disposição de aprová-la, pois os tucanos têm compromisso com a sua história. "Nós nunca nos furtamos a fornecer soluções", disse.

No discurso, porém, ele classificou como a "mãe" de todas as reformas a política e não se posicionou sobre o fechamento de questão para aprovar a PEC com as mudanças na aposentadoria.

Alckmin falou mais como pré-candidato à Presidência da República em 2018 do que como recém-eleito presidente nacional do partido. Atacou o ex-presidente Lula ao afirmar que ele será condenado nas urnas pela "maior recessão de nossa história".

Afirmou que é dele a culpa pelos "sonhos desfeitos e os negócios falidos", por ter colocado o Brasil no posto de "lanterna" no cenário internacional. Mas, segundo ele, o Brasil agora está "vacinado contra o modelo lulopetista de iludir para reinar".

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em seu discurso, enalteceu qualidades do governador paulista: "Alckmin é simples, nunca mudou. Precisamos de gente assim". O tucano, ao destacar a simplicidade de seu correligionário, afirmou que o partido precisa se reencontrar com a população brasileira.

Sobre o ex-presidente Lula, FHC disse que já o venceu duas vezes (em 1994 e 1998) e afirmou que o PSDB pode vencê-lo novamente. "Prefiro combatê-lo na urna do que vê-lo na cadeia", disse o tucano.

Em um breve discurso, o prefeito de São Paulo, João Doria, pregou a unidade do partido e declarou seu apoio a Alckmin na disputa pelo Planalto.

A CONVENÇÃO

Com 470 votos, o PSDB elegeu a chapa Unidade para o diretório nacional do partido. Foram registrados três votos contrários e uma abstenção. Além de Alckmin como presidente, a chapa tem como primeiro-vice-presidente o governador de Goiás, Marconi Perillo. O segundo-vice-presidente é o líder do PSDB na Câmara, Ricardo Tripoli.

Aécio é vaiado e fica 40 minutos em convenção

O presidente licenciado do PSDB, senador Aécio Neves (MG), foi hostilizado ontem ao chegar à convenção nacional do partido, em Brasília. Na entrada do centro de convenções onde ocorre o evento, uma claque favorável ao mineiro o aguardava. O nome dele (escrito em chapéus de alguns dos apoiadores que o esperavam) foi gritado em coro pelo grupo.

Eles seguravam uma faixa em que o mineiro era aclamado como "o melhor presidente da história do PSDB" e agradeciam a ele por sua "coragem e comprometimento com o país". O grupo o acompanhou até a porta do auditório. Lá dentro, sem os apoiadores, Aécio ouviu vaias e gritos de "fora!".

O locutor do encontro tentou contornar a situação. O mineiro não foi chamado para sentar à mesa montada no palco da convenção e, na sequência, deixou o evento. Ele ficou no local durante 40 minutos. Tucanos, no entanto, disseram que as vaias não foram para o senador, mas para o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg.

Aécio perdeu força no partido e se licenciou da presidência da sigla em maio, depois que foi gravado pedindo R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, da JBS. Ele chegou a ter o mandato suspenso e o recolhimento noturno determinados pelo Supremo Tribunal Federal, mas o Senado reverteu a decisão. Nesta semana, o mineiro teve seus sigilos bancário e telefônico quebrados.

Apesar das vaias, aliados de Aécio se mostraram aliviados com gritos de guerra em sua defesa. "Graças a Deus", disse o deputado Caio Nárcio (MG).

André Pagy, delegado do PSDB-MG, o defendeu. "O legado do senador é histórico. Ele tem uma importância enorme para o partido e nós estamos aqui para apoiá-lo. As pessoas têm direito de se manifestar contra, é da democracia."

BALANÇO

Logo que chegou à convenção, Aécio fez um rápido balanço de sua gestão à frente do PSDB e defendeu a unidade da legenda.

Questionado se acreditava em uma aliança com o PMDB no ano que vem, o senador respondeu: "Não fecho as portas para ninguém".

Aécio também defendeu a reforma da Previdência e disse que pior do que vê-la aprovada sem os votos do PSDB "é vê-la não aprovada pela ausência dos votos do PSDB".

Nas últimas horas, Aécio informou a aliados que faria passagem curta pela pela convenção e evitaria constrangimentos ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

 

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