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Fim de ano: proteja seus pets dos fogos

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Samantha Ciuffa
Nathalia com os cães Bento, Amelie, Valentina e Vitor e o Jabuti Chico, ao lado do jardim feito onde Charlotte foi enterrada; hoje em dia, a dona não sai mais de perto dos pets nessas datas

Este é o segundo Réveillon que Nathalia Perfumo passará sem a Charlotte, sua mascote golden retriever, que infartou em decorrência de rojões estourados em festas de fim de ano, na região do Jardim Terra Branca, em Bauru. A história dela ilustra bem uma questão que aterroriza donos de pets nessa época. Por isso, é preciso redobrar a atenção com a saúde dos bichinhos e dicas simples podem ajudar nessa proteção (confira as principais na ilustração no final).

Embora em Bauru seja proibido por lei, desde 2015, soltar alguns tipos de fogos, é comum ouvir estalos pirotécnicos fortes, antes mesmo da meia-noite, seja no Ano Novo ou também no Natal.

Há estudos, inclusive, que dizem que o som de um rojão pode impactar o ouvido de um animal em um raio de até 4 quilômetros de distância.

Fora a chance de um animal morrer por conta do ruído, uma situação de estresse intensa, por exemplo, pode fazer com que o bichinho desencadeie doenças como, por exemplo, a epilepsia.

SOFRIMENTO

Em respeito à lei e em virtude do problema, que afeta não só na vida dos animais, mas também de alguns bebês, crianças e idosos, a Prefeitura Municipal não realiza, há dois anos, shows com rojões na comemoração da Virada no Parque Vitória Régia. Esta, aliás, era única festa pública do ano todo em que o Executivo adquiria fogos de artifício.

Fato comemorado por Nathalia assim como pelas ONGs de proteção animal da cidade.

"Aquela noite foi triste demais, nós ficamos menos de uma hora fora de casa e, quando chegamos, a Charlotte estava infartada debaixo da nossa cama. Um sofrimento que não desejo para ninguém. Por causa disso, estabelecemos que, nessas datas, ou fazemos as festas em casa, ou nossos seis cachorros vão junto, porque as pessoas não respeitam e soltam rojões", conta Nathalia.

LEVE JUNTO

Presidente da ONG Naturae Vitae, Fátima Schroeder lembra que a melhor opção é levar o animal junto nas noites de festas. "Ele só se sentirá calmo perto do dono", aconselha a protetora.

Mas se não for possível, a dica é deixá-lo em um cômodo fechado, porém ventilado, porque a fuga é muito comum quando o pet entra em estado intenso de estresse.

"O animal entra em pânico com os estalos e pode, inclusive, se machucar. Uma música suave ligada ao fundo pode ajudar, assim como a administração de florais, que, para ter mais eficácia, deve ser feita meses antes para que ele se acostume", ensina Fátima Schroeder.

ESTENDER

Apesar de o final de ano ser o foco neste momento justamente pela proximidade temporal, a presidente da ONG Bem Estar Animal, Damair Pereira de Almeida, lembra que os cuidados devem se estender por outras épocas festivas do ano.

"As festas juninas e finais de campeonatos de futebol são ainda piores. O animal deve ser mantido sempre bem fechado em casa", finaliza Damair.

Lei de 2015 proíbe alguns artefatos

Sancionada em 2015, a Lei nº 6.658 proíbe, sob pena de multa, o manuseio, a utilização, a queima e a soltura de fogos de artifício e artefatos pirotécnicos em Bauru, classificados como fogos de estampido que contenham acima de 25 centigramas de pólvora até 6 gramas de massa explosiva ou pólvora, por peça; foguetes, com ou sem flecha, cujas bombas contenham até 6 gramas de massa explosiva ou pólvora, por peça. E fogos de estampido, com mais de 2,50 gramas de massa explosiva ou pólvora, por peça; foguetes, com ou sem flecha, cujas bombas contenham mais de 6 gramas de pólvora; baterias; morteiros com tubos de ferro. A fiscalização desta lei é de responsabilidade da própria prefeitura.

‘Tudo por eles’ 

Há mais de uma década atuando na proteção independente de cães e gatos abandonados nas ruas de Bauru, Leandra Marquezini conta ter trocado a festa de ano novo com a família pela presença junto aos animais em casa.

"Eles sentem muita dor no ouvido, os cães são os que mais demonstram, mas até os passarinhos morrem de infarto. Eu fico com eles no quintal de casa, até porque não gosto de comemorar essas datas, me lembra a matança de animais que viraram comida", pontua.

Além de brincar e acariciar, ela costuma colocar algodão nas orelhas dos cães e ministrar fitoterápicos, como forma de ajudar a aliviar o estresse.

 

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