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| Momento em que os pneus foram queimados na rodovia |
| Divulgação |
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| Clima quente: integrantes do movimento atearam fogo em pneus para bloquear rodovia |
| Douglas Reis |
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| Protesto nesta sexta provocou um grande congestionamento nos dois sentidos da rodovia |
Integrantes da União Nacional Camponesa (UNC) bloquearam, na manhã dessa sexta-feira (22), os dois sentidos da rodovia Cezário José de Castilho (SP-321), a Bauru-Arealva, em Bauru, próximo ao trevo do Aeroporto Moussa Tobias. Os sem-terra atearam fogo em pneus e foram acusados de truculência durante o ato, que reivindica mais agilidade e transparência na reforma agrária no que diz respeito a entraves judiciais envolvendo a liberação de terras na cidade.
O ato ocorreu das 8h às 9h50 e gerou congestionamento de até cinco quilômetros em ambos os sentidos da rodovia, informou a Polícia Militar Rodoviária. O Corpo de Bombeiros precisou ser acionado para conter o fogo e auxiliar na limpeza da pista. Os policiais estimam a participação de 100 manifestantes no protesto. Já o movimento fala em 140 pessoas.
Uma mulher que seguia de Arealva para Bauru alega ter sido coagida pelos sem-terra. A farmacêutica e empresária Valdirene Carlos Polido Seriani, 43 anos, disse ao JC que tentou negociar a passagem assim que a pista foi interditada, pois seu cachorro Clayde, da raça golden retriever, sentia muita dor e ela o levaria ao veterinário.
"Um senhor arrancou a chave da ignição com o carro ligado. Outros dois tentaram virar o veículo, enquanto alguém segurou meu braço. Aí um deles resolveu apaziguar e pediu para me devolverem a chave e me liberarem, mas quando dei a partida, o carro não pegou por conta do sistema antifurto. Precisei chamar o seguro e agora vou registrar um boletim de ocorrência".
Dirigente nacional da UNC, Marcos Vinicius alega que o movimento liberou ambulâncias e outros motoristas com demandas de saúde e não teria motivo para deixar de liberá-la também. "Eu desconheço esse tipo de ação. Se ela achar que foi prejudicada, deve procurar os seus direitos e nós vamos acionar nossos advogados", frisa.
AGILIDADE
Em relação ao protesto desta sexta, Marcos explica que é reivindicada mais agilidade e transparência no processo de arremate da Fazenda Santo Antônio, a qual faz parte do Complexo Industrial Frigorífico Mondelli. No início deste mês, cerca de 200 famílias do movimento ocuparam a área.
O dirigente reclama de morosidade por parte da Justiça na remarcação do leilão, alegando que o Incra tem interesse em arrematar as terras para destiná-las à reforma agrária. "O Incra fez uma proposta no valor de R$ 27 milhões, com pagamento em espécie. Só que o Judiciário não acatou e está negociando com particular na ordem de R$ 33 milhões, para pagar parcelado. A nosso ver, a Justiça não quer sem-terra aqui", critica.
Conforme o JC divulgou em agosto, um produtor rural de Limeira ofereceu lance de R$ 33.613.021,80, que seriam quitados em cinco parcelas iguais sem juros. A segunda proposta, de R$ 20 milhões a serem pagos em 60 dias, foi apresentada por uma empresa de Bauru. Caso as propostas forem recusadas, um novo leilão terá de ser agendado.
Em nota, o Tribunal de Justiça de São Paulo disse que não se posiciona em relação a manifestações sobre questões jurisdicionais. "Se há críticas sobre isso, a parte que se sente prejudicada tem os meios legais para acionar o Judiciário", declarou.
Já o Incra, também em nota, confirma ter interesse em participar do leilão. "Estamos finalizando trâmites administrativos para estabelecer o valor a ser oferecido. Aguardamos uma definição do Judiciário a respeito do leilão do imóvel", pontua.
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| Corpo de Bombeiros foi acionado pelo policiamento rodoviária e apagou as chamas nos pneus |
Leia também: Leilão da Fazenda Santo Antônio tem duas propostas



