Tribuna do Leitor

Natal em Rafard

Esso Maciel 20-12-17
| Tempo de leitura: 4 min

Estou em Rafard. É Natal. A cidade encantadora parece uma cartão natalino do USA; daqueles que os parentes enviavam nos anos 50. Ternos, pura ternura.

Fabrício, loirinho de 15 anos, levou-me de charrete pelas ruas, serenas e bonitas. Ele é neto de Maria Auxiliadora, benzedeira, parteira e astróloga. É na casa dela que estou.

As duas da tarde, tia Maria, como é chamada, serviu-me chá de camomila e bolo de fubá cremoso. Uma delícia! Ela relembrou o esposo, seo Ambrósio, já falecido há 50 anos. Disse que ele viria para a ceia. Pergunto pela linda Mana Selenita, sua neta. Ela conta que a menina se apaixonou por um moço de Queluz, embarrigou e fugiu com ele. Nem precisava, mas casou e mora com ele na cidade gêmea de Rafard. "E virá para a ceia". Tia Maria vai falando e fazendo maravilhas na cozinha. Alegrias para o logo mais.

Depois do lanche ela fala para eu olhar no grande espelho oval da sala. Fico encantado com a minha imagem - longos cabelos negros, corpo saudável e tão bonito como era aos 30 anos. Fabrício vem ate mim com uma caixa dourada e laços verdes. Dentro tem um coração de brilhantes pedras vermelhas. O meu presente.

Estou feliz em Rafard. Disse isso para dona Maria. Também que eu nunca vira neve em minha vida. Ela me diz para eu olhar pela janela, olho os jardins, as árvores e as ruas estavam cobertas por um manto alvíssimo. NEVE!!! pude ouvir nítida a voz de Bing Crosby cantando White Christmas. Olhei então para a boa senhora que sorrindo piscou um olho divertido e brilhante.

Às quatro da tarde veio o soninho - recostei no divã da sala, dormi e sonhei que estava com os três arcanjos que tanto amo; Rafael, Miguel e Gabriel. Rafael me ofereceu tâmaras e disse que logo viriam honrar a festa do menino santo - um leve toque me acorda. É dona Maria que também me oferece tâmaras e me chama para ver a mesa da ceia.

São seis da tarde e fico deslumbrado com os pudins e tortas salgadas, além das frutas e castanhas. E jarras com refrescos perfumosos e multicores. Não havia carnes. Ela explica que, assim como eu, não aceita que um nascimento seja comemorado com a morte de inocentes. Sem cadáveres de porcos, cabritos, galinhas e perus, a mesa tinha uma aura de santidade e saúde. Amém, eu disse, contrito.

Exatamente às oito da noite chegaram os primeiros convivas. Mana Selenita chega linda num vestido azul e dourado, ao seu lado o marido de Queluz, Um moreno de olhos azuis, espetacular - nos braços ele traz o filho do casal, um representante do menino Jesus.

A seguir entraram fulgurantes, os arcanjos Rafael, Miguel e Gabriel e também Papai Noel! Todos cantavam "Noite Azul".

O coro vindo lá de fora parecia infinito. Olhei e vi a fileira de pessoas engalanadas de alegria. Cantando e iluminados por velas multicores, enfeitados de flores. Entravam na sala esfuziante e festiva. Lá fora a fila de pessoas e luzes iluminava a noite, até muito além dos meus olhos.

Alegria! Alegria foi quando vi o relógio. Cinco minutos para a meia-noite! Maria Auxiliadora do meio da sala enviou-me um beijo. Eu temia que o galo cantasse à meia-noite e me trouxesse de volta a minha realidade, e meu coração disparou como pássaro solto.

Maria Auxiliadora do meio da sala me avisa: lá vem os bauruenses!!! Na entrada, surge Perdita, minha amada pet-filha. Ao seu lado está o belo cão branco e preto. É Pirata, amado pet-filho de Viviane Mendes. A seguir entra a matriarca da família Souza, dona Irma Milanese. Ela e as gêmeas Irma Regina e Inês, junto com Maria Claudia e Marines Souza, lideravam o coro de luzes do grande clã. Todos cantando em louvor à Nossa Senhora, minha madrinha.

Tatiana Calmon surge num vestido longo, todo em florzinhas multicoloridas. Mariza Basso vem de roupas de boneca mamulenga e Egas William Berbert está com um enorme gato persa verdazul no colo. Ao seu lado, seu primo e meu amigo, Antonio Carlos Meira, com a amada esposa Sandra Sampiere Meira. Eu não acredito em tanta alegria! E no portão dona Celina Lourdes Alves Neves liderando o seu grupo teatral Gil Vicente. Sob aplausos, entra Dejanira, célebre filha de Rafard, seguida por Alberto Pereira e os meninos do Maracatu.

A seguir surge ainda o pessoal do Esquadrão do bem. À frente do grupo está Maria Inês Faneco e os gêmeos Paulo e Luiz; Sandro Paveloski, muito sorridente, num traje verde; Márcia Duran chega rodeada de cães; Maria América com agulhas de crochê mágicas; seguem ainda o lindo desfile a Silvia Regina com seus brinquedos ao lado do Nicola com suas ferramentas. E chegam mais... Tanto que meus olhos se perdem.

Fiquei pasmo, ao ver no meio deles, rindo, felizes e belos, de braços dados, iluminando a sala, meus ídolos Marilyn Monroe e Marlon Brando!!! E a festa seguiu feliz.

Feliz Natal!

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