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| A campanha antivacinação pode sofrer consequências jurídicas, risco de morte e prejuízos à saúde coletiva |
Não vacinar significa expor a pessoa ao risco de contrair doenças graves e a possibilidade real de óbito. A defesa do cumprimento integral dos programas de imunização humana como ação fundamental à preservação da vida ganha mais apelo agora em razão de campanhas antivacinação disseminadas pelas redes sociais nos últimos tempos. Ainda que isoladas, elas podem causar sérios danos à saúde dos mais desavisados. Além do mais, começo de ano é tempo de rever as carteiras de vacinação, principalmente de crianças e adolescentes, e programar a imunização.
Desinformação materializada em forma de ignorância, uso de argumentos falsos, mitos e até posicionamento com conteúdo religioso ganharam certo espaço na Internet, principalmente no final de 2017. Para especialistas, entretanto, além de ser desserviço, a campanha antivacinação pode sofrer consequências jurídicas, por gerar risco de morte e prejuízos à saúde coletiva.
Diretor da Divisão de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, há seis anos com experiência especializada na Seção Técnica de Imunização e com formação em enfermagem, Ezequiel Santos adverte para o absurdo desse tipo de veiculação. "Não vacinar significa correr risco claro de morrer. Estimular ou difundir campanha contra a vacinação significa incentivar o risco à morte".
Ezequiel lembra que o País erradicou doenças graves, de alto índice de mortandade, como polio, sarampo, tuberculose, entre outras. "Tudo isso em razão da criação das vacinas e de suas eficácias em escala. Outra grave consequência dessas campanhas é que, se as pessoas passarem a não cumprir o programa de vacina previsto por idade, abre-se condições, no tempo, para o retorno de doenças graves. Ou vão reaparecer mortes ou a anticampanha vai promover a ocorrência de sequelas graves irreversíveis em quem não foi vacinado", contrapõe.
Santos alerta, ainda, para outro conceito. "É mito a história de que criança gera autoimunidade para tudo. O corpo humano reage sim a inúmeras doenças ou ataques de vírus e bactérias. Mas, para a lista de doenças que compõem o programa obrigatório de vacinação, não é assim. E a pessoa morre", acrescenta.
E outra consequência igualmente perigosa. "Também é falsa a informação de que, se a pessoa contrair a doença, a vacinação resolve. Isso é extremamente grave e é um argumento falso utilizado por adeptos da corrente antivacina. Vacina é ação preventiva. Vacina não cura. Vacina impede que a pessoa contraia aquela doença. E a eficácia é 100%. Mas, uma vez a doença instalada, a vacina não cura".
NÃO FAZ MAL
| Douglas Reis |
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| Miriam Tobias alerta sobre riscos de não se vacinar |
Médica geriatra, Miriam Tobias enfatiza que vacina não só "é fundamental para a prevenção a doenças, crônicas inclusive, como é ferramenta eficaz e que não faz mal. Há quase nenhum efeito colateral. Reação específica do organismo à vacina, como para alérgicos, são pontuações contornáveis. Dar ouvidos ao 'ouvi dizer' é muito perigoso".
Para o idoso, público de sua especialização, cumprir o cronograma vacinal é ainda mais importante, diz a médica. "O idoso cumprir rigorosamente o cronograma de vacina a partir dos 60 anos é ainda mais fundamental em razão da redução da capacidade de resposta imunológica das pessoas com o passar dos anos. Além do programa de vacinação cumprir benefício incalculável na saúde coletiva, muitas das vacinas estão disponíveis de forma permanente e sem custo na rede pública de saúde do País", amplia.
Miriam Tobias também lembra da validade da proteção no organismo. "Há mitos que sempre precisam ser dissolvidos. Vacina não dura a vida inteira. Coqueluche, tétano, por exemplo, precisam de reforço. A ciência biomédica sempre atualiza os protocolos de períodos. Boa parte precisa de reforço após 10 anos. O essencial nessa relação é que o cidadão cumpra o calendário básico e esteja atento às necessidades em razão da circunstância sazonal ou geográfica. A hepatite voltou no idoso pela retomada da vida sexual ativa. Então, o protocolo atualizou. Doenças infecciosas são responsáveis por elevada taxa de morbidade e imunização é o que resolve", finaliza.
Infectologista discute ‘resistência natural’ e defende a imunização
Médico especialista em infectologia, Fernando Monti, argumenta para a discussão sobre o fato de imunização ter relação com a resistência natural.
"A ideia sobre morte é a discussão. A ação em saúde pública é para evitar a morte. A tese de autoproteção entra nesse debate de forma revisitada pelo darwinismo na seleção natural. Você pegar uma população imunizada por programas consistentes de imunização e gerar lacunas em seu meio pode implicar em busca da resistência natural do ser humano, mas ao custo da morte de muitos. É exatamente a cobertura vacinal que traz a abrangência e isso protege quem não foi vacinado", aborda.
Assim, o médico chama a atenção para a falsa ideia de proteção de quem não foi vacinado. "A ideia de autoimunização é elitista. Se muitos começarem a não ser vacinados, esse sistema se enfraquece. É uma correlação", pondera.
Para Monti, o problema está concentrado na disseminação sem filtro na Internet. "A Internet abriu um horizonte sem filtro que pode ganhar escala com conteúdo de invencionice. E isso é um risco gigantesco. Outro perigo é que o resíduo de informação antiga pode ser utilizado na rede social como se atual fosse. É preciso checar sempre. O mundo científico faz isso por premissa. No mundo virtual, isso não acontece", acrescenta.
Ele colabora com a discussão mencionando que a campanha antivacinação teve início em uma publicação falsa, na Inglaterra. "Associaram o autismo à vacina. Uma revista científica chegou a publicar algo, que depois foi excluído do sistema virtual. Mas o uso disso com outros objetivos ganhou adeptos entre fundamentalistas e por ignorância", conclui.
'IMBECILIDADE BRUTAL'
Para David Uip, secretário estadual de Saúde e especialista em moléstias infecciosas, a campanha popular é irracional. "É de uma imbecilidade brutal a campanha antivacinação que circula pelas redes sociais. A vacina é um método altamente eficaz e que preserva vidas. Sem ela, seria o caos. É irracional e de uma ignorância total essa campanha", finaliza.
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