O jornalista Josias de Souza não aliviou: para ele, 2018 "não será feliz nem novo". "O que o país não aguenta mais é essa euforia que costuma inundar a alma do brasileiro entre a virada do ano e o Carnaval", escreveu. E argumentou: "Não será feliz nem novo enquanto nós, os 146 milhões de eleitores, não abandonarmos o lero-lero segundo o qual todos são culpados pela desgraça nacional, menos nós".
Ter um ano feliz é mesmo difícil diante de tal cenário tenebroso. E novo, então, aí é quase impossível quando mal o agito do Révellion se dispersa e já começam as vinhetas de Carnaval na TV. O novo segue sua liturgia de sempre e a "mesma mesmice" repete o velho. Culpa do calendário.
Uma única vez tudo bem que podia ser embaralhado. Já pensou? Joga o Carnaval lá para novembro. Assim, já emenda tudo. Folia, Natal e Virada. Novembro e dezembro de curtição total pós-outubro de eleição.
Sim, outubro deve seguir como o mês das urnas. Com uma alteração: justamente por carregar esse "fárduo' (mistura de fardo com árduo), tirem as crianças da sala. Ou melhor: arranca o Dia das Crianças do 12 de outubro. Outubro, mês de eleição, coisa muito séria, tem que receber o Dia dos Adultos, atualmente comemorado em 15 de janeiro.
Também vamos parar com esse negócio de Dia das Mães em maio. Ora, se o que mais as mães recebem ao longo da vida são flores, de quando parem a quando partem, que a data vá logo para setembro, onde floresce a primavera.
Por falar em maio, vamos combinar: Dia dos Namorados precisa ser de dois em dois anos. Assim, só comemora mesmo que "garrou" no namoro. Se ficou ali, só de brincadeira que nem um ano dura, não faz jus à data e ao presente.
Mas uma data que precisa mesmo mudar é o Dia da Independência do Brasil. Ora, o País até pode ter tido isso, mas os brasileiros, não. É preciso instituir o Dia da Independência do Brasileiro (me ajuda nessa, Josias).
Quando cada um realmente se sentirá à vontade para tocar a vida com liberdade criativa; sem estar nas mãos de corruptos (e sem se tornar um deles); sem medo de ir e vir; na segurança da paz construída sem muros. Com total acesso à chance de viver na base da honestidade. Com certeza plena de que todos os safados não se safarão (todos).
Apenas temo que o Dia da Independência do Brasileiro só entre em vigor no Dia de São Nunca.
O autor é editor do JC.