Polícia

Entra ano, sai ano e golpe da UTI segue

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

O ano nem bem começou e o chamado golpe da UTI, que registra casos em Bauru desde 2016, continua. Entre esse sábado (6) e sexta-feira (5), três famílias de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base (HB) foram vítimas de tentativas deste crime.

Trata-se de um estelionato no qual, por meio de ligações para familiares dos enfermos, os golpistas se passam por funcionários de hospitais e, alegando a piora do quadro do paciente, pedem quantias em dinheiro para o custeio de exames urgentes ou para agilizar tratamentos. 

O fato gerou alerta da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), que é responsável pela gestão do Hospital de Base. Além de ligar para os familiares de pacientes dos 28 leitos da UTI alertando sobre o crime, a entidade lançou uma campanha nas redes sociais com a hashtag #GolpedaUTI. "O hospital reafirma que atende com 100% de atenção ao Sistema Único de Saúde (SUS) e não cobra por nenhum procedimento ou medicação", diz trecho da publicação.

PROTOCOLO

Por conta da incidência de casos do tipo, o hospital já havia adotado, no ano passado, em parceria com a Polícia Civil, um protocolo para evitar a subnotificação das denúncias, mesmo de crimes tentados. "Possuímos um formulário pronto sobre o golpe e que é preenchido pelo familiar vítima. Na sequência, a comunicação do fato criminoso é repassada para a Polícia Civil investigar", diz a assessoria de imprensa da Famesp.

O serviço social do HB deve ser contatado por possíveis vítimas, por meio do (14) 3231-4770.

INSEGURANÇA

Com a mãe de 83 anos na UTI do HB desde do dia 2 de janeiro, com quadro de infeção pulmonar, Nilda Cardoso, 49 anos, conta os minutos de nervoso que passou ao receber a ligação criminosa na noite de anteontem, em casa.

"Era voz de homem, ele disse que minha mãe havia piorado e precisaria de um exame de urgência para confirmar uma doença no sangue, mas que o hospital não tinha a máquina do exame e que teríamos que pagar", narra. "Por sorte, desconfiei, desliguei e liguei para o hospital, que desmentiu. Só que, agora, estamos com medo e com uma grande insegurança, afinal, como essa pessoa sabia disso tudo e tinha nosso telefone?", questiona.

Segundo o boletim de ocorrência (BO) que informa os três casos, a quantia de R$ 2 mil teria sido exigida para as vítimas. Um número de celular e conta bancária usados por um dos criminosos foram anotados e, agora, serão investigados pela polícia. 

Apesar de os três casos terem sido registrados no HB, usuários de instituições privadas da cidade também já foram alvos deste golpe na cidade. Por isso, o alerta deve ser constante

SERVIÇO

Se receber ligação semelhante, entre em contato com o hospital antes de qualquer depósito. Vítimas do golpe, seja tentado ou não, devem comunicar, em dias de semana, a Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru pelo (14) 3235-6500. Ao final de semana, o Plantão Policial da praça Dom Pedro II, deve ser procurado.

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