| Ana Beatriz Garcia |
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| Cosmo Franco e sua coleção pessoal |
Depois de anos de carreira agitada e marcada pelo intenso contato com as pessoas, o mundo de Cosmo Franco, de 64 anos, deu uma reviravolta. Aposentado, o ex-funcionário do DAE de Bauru, encontrou, em artigos do passado, o gás para as fases futuras de sua vida.
"Parei de trabalhar em 2011 e foi um baque. Eu era motorista e estava sempre com gente por perto, conversando, 'enchendo o saco' de alguém só pra dar algumas risadas. Quando aposentei, senti demais", pontua.
Assim, Cosmo teve a ideia de ocupar a mente e se livrar do tédio colecionando artigos antigos em sua casa, no Mary Dota, onde mora com a esposa e o filho de 16 anos.
"Comecei comprando um telefone antigo. No início era só para decoração, mas pensei em fazer uma coleção e assim foi. Não parei mais", comenta.
O aposentado não criou nenhum catálogo para contabilizar as peças, mas estima que, hoje, tenha cerca de 500 itens na coleção, que dá outra cara para a parte externa de sua casa.
Cada cantinho é muito bem aproveitado com peças que vão desde ferros de passar, panelas, ventiladores até televisões, rádios, telefones e celulares dos mais variados modelos e épocas. E muito mais.
"Algumas coisas eu compro, mas a maioria foram doações. O pessoal já me conhece, sabe da minha coleção e me presenteia. Um dos itens mais curiosos que ganhei é um globo terrestre tão antigo, que não tem a Rússia", diz.
NADA À VENDA
| Ana Beatriz Garcia |
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| Telefone preto à direita foi o primeiro artigo da coleção |
Em meio a tantas relíquias, com peças como um rádio que ele diz ter mais de 100 anos, um telefone de 60 e câmeras fotográficas de cerca de 40 anos, como a Yashica Mat-124G, Cosmo exercita sua criatividade confeccionando quadros criativos. Ao lado deles, a tela de uma paisagem maior - presente de um amigo - chama a atenção.
"Como eu recebo muita gente em casa, um dia, já me ofereceram R$ 1,6 mil por este quadro. Mas eu penso que quem tem que fazer dinheiro com essas coisas é quem me presenteou, já que a pessoa não fez, não sou eu quem vai fazer. Nada aqui está à venda", afirma.
BOTECO EM CASA
Além de cuidar de seus objetos com muito zelo e dedicação, Cosmo não deixa de fora de seu novo mundo àqueles que conhecem, como ele, as histórias do passado. O local que conserva relíquias, guarda também momentos ainda mais valiosos ao lado dos amigos.
"Sempre que posso estou aqui com o Cosmo dando risadas e conversando muito. Venho pela amizade, pelo ambiente gostoso e bonito que ele criou", afirma José Cassemiro, de 67 anos. Desses, 30 são de amizade com Cosmo.
"Lembro do tempo em que ele era árbitro de futebol", recorda o amigo.
Para receber bem, além da cerveja gelada, o anfitrião oferece aos amigos as pingas que ele mesmo faz, também em seu tempo livre. O carinhosamente apelidado "Butiquim do Cosmão" - assim mesmo, com u - nada mais é que um espaço de bar com bancada, que engloba o local e também abriga antiguidades. "Também coleciono bebidas. Algumas são internacionais, outras são relíquias como o Vermouth, o Cinzano e essa pinga de 80 anos. Está até vedada com vela", diz enquanto aponta a aguardente na prateleira.
Nas peças de sua coleção, o aposentado encontra seu passado e, nas produções de pinga e outros artefatos, percebe-se útil e com energia para os próximos passos. "Não tem nada melhor do que ter um hobby depois da aposentadoria. Ainda tenho planos de expor mais itens que não cabem aqui, em uma outra parede. Espero continuar com a coleção até quando Deus me chamar", conclui.
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