Com tristeza, vivenciamos a vitória massacrante do mosquito Aedes aegypti e suas consequências (febre amarela, dengue, zika e chikungunya). Podem insistir com ideiais de conscientização, podem insistir em falsas campanhas salvadoras, podem sonhar que um dia os comportamentos humanos irão se transformar. Na verdade, devemos, sim, aceitar a derrota e nos adaptar às consequências que o mosquito vem trazendo para nosso meio. Tudo está nascendo de péssimos hábitos e costumes advindos de nossa raça, toda sujeira que encaramos no dia a dia por todos os lugares serve de foco para o mosquito. Bauru reflete isso de forma real, salvo exceção. Basta analisar as praças, pontos de coletivos, terrenos baldios (sem qualquer segregação social), Calçadão e área central, escolas, casas, dentre outras.
Não devemos aguardar soluções mágicas e campanhas milagrosas para o combate e extermínio do mosquito pois, infelizmente, isso dependerá única e exclusivamente de mudanças radicais de comportamentos socioambientais, e é aí que está o desafio! Nossa história, forma de colonização e outros fatores que influenciaram a espécie do "nosso povo" que habita aqui foi e é determinante para justificar todo esse caos, pois como exigir posturas dos cidadãos sabendo que eles não mudarão... não se conscientizarão... e muito menos se preocuparão com essas consequências do mosquito? Isso se chama "alienação"... uma característica que muitos possuem por não conhecer sua existência de vida, seu comportamento/contribuições diante do meio em que vive e as sequelas disso para o mundo atual e futuro, não possuindo cognição do que seja certo ou errado, enxergando apenas o imediatismo e o consumismo e se escusando de qualquer responsabilidade (ex.: a tevê quebrou, jogo no terreno baldio ao lado, imaginando que a prefeitura tenha obrigação legal para recolha).
A alienação é tamanha que sempre se responsabilizará o Poder Público (ou até Deus) por toda desgraça e por todos os males existentes. Isso é uma característica dos povos de países emergentes ou de Terceiro Mundo. Portanto, mudanças comportamentais não ocorrerão (não se iludam), não adiantará ficar comparando nosso povo com povos de outras nações evoluídas. O fortalecimento da gestão pública, a criação de políticas públicas, ou ainda, multas, devem ser instituídas por vereadores corajosos e arrojados, porém esses "podem" ser ferramentas eficazes ou apenas método paliativo.
O Aedes aegypti já ganhou, e de forma massacrante vem destruindo e agradecendo a todos (homem ser racional) que contribuem de forma eficaz para seu surgimento. O que nos resta, apenas, é adaptação ao meio e às sequelas, acreditando que a ciência descubra fórmulas "mágicas" para salvação. Creio que um dia possamos compreender esse universo de caos e nos consagrar como sociedade evoluída no tempo e no espaço. Salve o conhecimento!
O autor é bacharel em Direito, mestre em Gestão Ambiental, coordenador e professor do Curso de Pós-Graduação em SIG no Senac Bauru, professor do Curso de Direito da Anhanguera Bauru, professor do Curso de Engenharia Civil da FIB Bauru, membro do Conselho Gestor do Comdema de Bauru e membro do Conselho de APA Bauru.