Tribuna do Leitor

'As coxinhas douradas'

Paulo De Marchi Sobrinho
| Tempo de leitura: 2 min

Quando a gente em dieta à cumprir, nos enchemos de vontades. Tudo começou de uma reportagem do JC de 26/07/2015, sobre coxinhas da região. Isto aguçou as minhas lombrigas. A primeira que fui ver era no distrito de Santo Antônio da Estiva; que frustração. A ponte de acesso ao distrito havia caído, eu e um amigo fomos de moto e tivemos que desviar por um acesso precário de uns 10 km entre as fazendas. Ao chegar, triste notícia: não tem coxinhas prontas, só por encomenda. Aí eu fiquei alimentando neste período todo o sonho de comer as "coxinhas douradas" do distrito de Bueno de Andrada, contada no jornal.

Na semana passada, com dois amigos, rumamos para lá, já que minhas lombrigas comportavam-se como sucuris. Batemos para Matão para fugir dos PP (pedágio pesado) da W. Luiz. Do lado oposto da entrada para Matão, tem uma estrada vicinal que leva à Araraquara, tendo uma única placa que indica Silvânia, seguindo, vem Bueno de Andrada, distrito de Araraquara.

Pois bem, a vicinal atravessa a "cidade" formando duas pistas com um canteiro central bem arborizado; do outro lado tem uma ferrovia, ainda ativa. Este cenário preservado, muito bem cuidado, com estação, igreja, boteco, muito poético, nostálgico e encantador, foi retratado pelo escritor e poeta Ignácio de Loyola Brandão em uma crônica publicada no "Estadão", ocasião em que certamente saboreava as coxinhas.

Preserva-se o estilo comida de boteco. Você compra as coxinhas e bebida no estabelecimento, atravessa a pista e vai comer no canteiro central, ou então, no salão disponibilizado pelo Freitas, ao lado; isto para os mais enjoados.

Mudamos para o salão porque as abelhas "Europa" queriam dividir o refrigerante conosco. No salão, bem asseado, tem um painel enorme estampando a foto do escritor e as letras de sua bela crônica.

Lendo encantado, fui "trucidando" as coxinhas: douradas, saborosas, crocante, farto recheio bem temperado: a de brócolis com catupiry nem se fala... que delícia! Quando acabei, me senti uma sucuri, com o estômago estufado por ter engolido sua presa. Valeu tanto que descobri que as coxinhas douradas são superiores ao meu sonho. Conheçam, vale a pena! É um duplo tributo ao escritor pela linda crônica e pelo seu refinado paladar saboreando "As coxinhas douradas de Bueno de Andrada"!

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