| Aceituno Jr. |
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| Luiz Ricardo Cortez, Eduardo Fogolin, Paulo Carlotto e Maristela Pastore se reuniram para discutir detalhes da proposta de protocolo a ser apresentada a hospitais públicos e privados |
Bauru ganhará, a partir desta semana, um novo protocolo para atendimento de pacientes nas unidades de saúde para evitar falhas no diagnóstico de febre amarela. Apesar de a cidade não ter nenhum caso suspeito ou confirmado da doença, as recomendações serão transmitidas aos mais de 200 médicos e enfermeiros que compõem a rede municipal, englobando unidades de pronto atendimento, postos de saúde e Samu.
Amanhã, o secretário municipal de Saúde, José Eduardo Fogolin, irá se reunir com representantes de hospitais estaduais e privados de Bauru, com o objetivo de ajustar detalhes do novo protocolo e expandi-lo para todo o sistema de saúde da cidade, público e particular. "Ele segue diretrizes do Ministério da Saúde, mas de maneira mais objetiva, para ser possível fazer a capacitação de maneira ágil", frisa.
A intenção é que a suspeita da doença passe a ser considerada para todo paciente que chegar às unidades de saúde com febre. Assim, o profissional de saúde que fizer o atendimento deverá questionar se o indivíduo apresenta mais algum sintoma de febre amarela (veja quadro nesta página), se mora ou frequentou áreas de risco nos últimos 15 dias e se foi vacinado.
Se a suspeita não for descartada com esta análise prévia, exames específicos, cujos resultados ficam prontos em até 12 horas, serão realizados, inclusive para afastar a hipótese de outras doenças, dentro de um fluxograma que poderá definir, se for o caso, a internação hospitalar do paciente o mais rápido possível. "O município tem laboratórios contratados para processar as amostras coletadas para os exames, que são simples, e cada unidade terá a lista das cidades em que houve registro de pessoas com febre amarela ou de morte de macacos", adianta a infectologista Maristela Pastore de Oliveira, chefe do Centro de Referência de Moléstias Infecciosas (CRMI) da secretaria.
FALHAS
Fogolin conta que a decisão foi tomada após consultas realizadas com secretários de Saúde dos municípios que tiveram registro de vítimas fatais. Na oportunidade, ele descobriu que, na maioria dos casos, houve falhas que i mpossibilitaram o diagnóstico precoce. "E a doença tem evolução rápida. O paciente com febre ia à unidade, voltava para casa, retornava para a unidade no mesmo dia com piora do quadro e, horas depois, já estava com os sintomas agravados. Até então, estas não eram regiões com registros de febre amarela e os médicos demoraram a descobrir do que se tratava", observa.
Com a intensa proliferação, nesta época do ano, do mosquito Aedes aegypti - transmissor da doença na área urbana - e com a iminência de retorno de mais de 20 mil estudantes universitários para Bauru após as férias, a pasta decidiu enrijecer suas ações. Até porque a febre amarela tem alto índice de letalidade: no Estado, dos 81 casos de contágio confirmados desde janeiro de 2017, 36 evoluíram para óbito, número correspondente a 44% do total de notificações.
"Ainda que casos autóctones (contraídos na própria cidade) sejam, neste momento, bastante improváveis, muitas pessoas que retornarão ou passarão por Bauru podem ter frequentado as áreas consideradas de epidemia no Estado, como a região metropolitana, o Vale do Paraíba e o Litoral, ou mesmo outras regiões do País. Ou seja, podemos ter registro de casos importados e a rede precisa adotar todas as medidas para dar a melhor assistência e evitar que estas pessoas corram maiores riscos", salienta.
VACINAÇÃO
Simultaneamente ao estabelecimento de um novo protocolo, a Secretaria Municipal de Saúde continua com as ações de intensificação da campanha de vacinação contra a febre amarela, já que a imunização é a única forma de prevenir a doença. Ontem, 630 pessoas foram vacinadas na zona rural de Bauru e um novo atendimento será realizado no dia 27 de janeiro.
Já no dia 3 de fevereiro, todos os postos de saúde estarão abertos para imunização da população urbana. Entre o ano passado e este ano, a pasta vacinou mais de 38 mil moradores da cidade. A Saúde destaca que não há necessidade de fazer fila para ser imunizado.
ALERTA AMARELO
Diante da preocupação e das dúvidas sobre a febre amarela, o Jornal da Cidade lançou a campanha #AlertaAmarelo. A ideia é estabelecer um espaço para discutir a questão. Com a iniciativa, o JC dá sua colaboração dentro do contexto editorial onde hoje traz matérias fundamentadas pelo poder público e especialistas da área. Quem tiver contribuições para dar ou quem quiser debater o tema deve acessar a # criada. Os pontos abordados, inclusive, podem render pautas a serem aprofundadas em reportagens posteriores. A proposta do JC não é provocar alarde. Pelo contrário, é manter o estado de alerta acompanhando em tempo real a evolução deste quadro na cidade, no Estado e no País para oferecer conteúdo seguro. Lembrando que mesmo com todas as informações, o correto é que, individualmente, as pessoas procurem informações junto aos postos de saúde ou seu médico.
SAIBA SE VOCÊ DEVE TOMAR A VACINA
A confirmação de 81 casos e 36 mortes por febre amarela no Estado de São Paulo criou uma onda de pânico entre os moradores de Bauru, que têm lotado unidades básicas de saúde em busca da vacina que previne a doença. Apesar do temor de que casos também comecem a ser registrados na cidade, há recomendações do Ministério da Saúde que precisam ser consideradas.
Para tirar dúvidas, o Jornal da Cidade ouviu o infectologista Marcelo Pesce, que salientou: não há risco imediato de transmissão da febre amarela em Bauru, especialmente para quem vive na zona urbana. Portanto, a orientação é agir com cautela, até porque as doses são produzidas com o vírus vivo atenuado e podem provocar reações adversas - inclusive, em um a cada 400 mil vacinados, as próprias complicações da febre amarela.
Segundo Pesce, a imunização contra a doença foi incluída no calendário oficial de vacinação de Bauru em 2009, quando uma epidemia foi registrada no Estado. Desde então, passaram a receber as doses crianças a partir dos nove meses. "Na época, adultos também foram sendo imunizados aos poucos, embora, assim como hoje, naquele momento não houvesse notícia de transmissão do vírus em zona urbana", ressalta.
NÃO RECOMENDADO
Desde abril do ano passado, o Brasil adotou o protocolo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), com o entendimento de que uma única dose é suficiente para proteger uma pessoa ao longo de toda a vida. Portanto, aqueles que têm registro da vacinação na carteirinha podem ficar tranquilos. "Se a pessoa tem dúvidas, não tem problema tomar de novo, desde que o intervalo entre uma dose e outra seja de, no mínimo, 30 dias", alerta.
Gestantes e mães em período de amamentação não devem ser imunizadas, bem como pessoas alérgicas a ovo. Já quem tem acima de 60 anos só deve receber a dose após recomendação de um médico infectologista, orienta Pesce.
"Nesta faixa etária, o risco de complicações aumenta. Se a pessoa costuma ficar só em Bauru, viaja de vez em quando, mas não vai ter contato com áreas de mata, a vacinação é um risco desnecessário. Agora, se ela precisa ir para o epicentro da febre amarela (como é o caso de Mairiporã, no Estado) ou para onde haja muitos registros da doença, aí, sim, é recomendada a vacinação", pondera.
Quem faz algum tipo de tratamento com o uso de medicamentos que reduzem a imunidade, como pacientes que têm câncer, artrite reumatoide e lúpus, por exemplo, também não devem receber a dose. "É importante seguir as orientações das autoridades sanitárias, que têm agido de modo correto. Não há motivo para desespero", completa.
SILVESTRE X URBANO
A febre amarela silvestre atinge macacos e os principais transmissores são mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. No ciclo urbano da doença, ela é transmitida pela picada de mosquitos Aedes aegypti.
Trata-se, contudo, de uma fase erradicada no País desde 1942. Até o momento, desde o ano passado, todos os casos registrados são de origem silvestre, ou seja, atingiu pessoas que estiveram expostas em regiões de mata e foram picadas por mosquitos contaminados.
