Pré-candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes defendeu ontem a absolvição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que será julgado em segunda instância na quarta-feira (24) pelo caso do tríplex no Guarujá. "Torço para que seu recurso seja reconhecido pelo tribunal regional, órgão de segunda instância da Justiça Federal, e ele seja declarado inocente", escreveu Ciro, que foi ministro da Integração Nacional no primeiro governo Lula (2003-2006).
Ele critica os "graves defeitos" do Judiciário, mas pondera que a instituição "ainda deve merecer o respeito institucional da nação".
"Que o Tribunal Regional de Porto Alegre compreenda a transcendência de sua decisão! Que, independentemente de pressões legítimas ou espúrias, afirme a Justiça! Que tenha a força moral de afirmar a inocência de Lula no processo em questão, se como eu, não vislumbrar clara sua culpa", escreveu o pedetista (veja a íntegra abaixo).
No mesmo dia em que o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), que analisa o caso de Lula em segunda instância, anunciou a data do julgamento do petista, Ciro disse que "Justiça boa é a rápida" ao se referir sobre o caso, em uma transmissão ao vivo em seu Facebook. No vídeo, ele afirma ter esperança na absolvição do petista e diz esperar severidade do tribunal.
O pedetista, porém, não assinou o manifesto "Eleição Sem Lula É Fraude", lançado pelo Projeto Brasil Nação, de que é integrante.
Ciro tem viajado o país para divulgar a sua pré-candidatura pelo PDT. Ao mesmo tempo em que a legenda costura alianças regionais com o PT, ele vive uma situação delicada, pois é visto como um possível herdeiro de parte dos votos de Lula, caso o petista seja considerado inelegível e abandone a disputa.
O ex-governador do Ceará cresce na intenção de voto quando o petista não está no páreo. Sai dos 7% da preferência do eleitorado, segundo a última pesquisa Datafolha, e vai a 13%.
Ciro já foi apontado pelo próprio Lula como um possível sucessor, segundo o pedetista relata. "Nunca acreditei, mas ouvi dele 1 milhão de vezes [que o sucederia]. Na frente de muitas pessoas. Não só nós dois, mas na frente de nossas respectivas mulheres. Ele cansou de dizer e com muita emoção", ele contou a jornalistas, num evento sindical em outubro.
À Folha de S.Paulo, em março de 2017, afirmou que não tinha vontade de ser candidato contra Lula. Num evento em São Paulo, em outubro, disse que não se considerava "nem inimigo nem adversário" do PT. Ele atribui à "debacle" do Partido dos Trabalhadores a culpa pela polarização do país.