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| Fábio Carille (à esq.), preocupado com parte física do elenco, leva dúvidas na escalação para o duelo; e apesar de ser início de temporada, trabalho de Dorival Junior sofre pressão no São Paulo |
Corinthians e São Paulo terão neste sábado (27), às 17h, no Pacaembu, a primeira prova de fogo de 2018, pela quarta rodada do Campeonato Paulista. Enquanto o campeão estadual e brasileiro tenta mostrar que o espírito vitorioso da última temporada ainda está vivo, os são-paulinos buscam deixar a desconfiança para trás e provar para o torcedor que o time pode voltar ao rumo das conquistas. Mais que isso: para o São Paulo, vencer o clássico significará evitar uma crise que parece estar próxima. Uma derrota pode até colocar em risco o emprego de Dorival Junior.
A angústia do São Paulo vem justamente da impressão de que o time começou 2018 no mesmo sufoco que passou a maior parte de 2017, ano que o torcedor quer esquecer. Depois de uma derrota na estreia do Estadual para o São Bento por 2 a 0 e de um empate sem gols com o Novorizontino, em casa, Dorival Junior se viu obrigado a recuar na ideia de alternar dois times para evitar desgaste. Ele também sabe que, se continuar derrapando, haverá pressão por sua saída.
Ao apostar no entrosamento, o São Paulo bateu o Mirassol por 2 a 0. Mas o clima no CT da Barra Funda não mudou muito com o triunfo. Até porque fora de campo também passou por maus momentos quando uma das principais peças do time, Cueva, se recusou a jogar contra o Mirassol, tornando incerta sua permanência no clube. O peruano não jogará o clássico.
Há também a pressão por mais reforços. Na prática, mais força para um time desacreditado. Para o duelo contra o Corinthians, o discurso é de confiança, mas o grupo sabe que precisa se afirmar
"O clássico dá confiança, moral, respaldo com a torcida, além de que é muito importante para nossas pretensões", analisou o zagueiro Anderson Martins. "Se dermos um passo vitorioso, o trabalho vai fluir e a desconfiança criada nos últimos anos vai diminuir. A pressão (sobre o São Paulo) tem sido colocada pela temporada passada, que foi adversa, mas penso que não entramos no clássico com essa pressão, mas, sim, cientes da responsabilidade que temos."
No Corinthians, a preocupação do técnico Fábio Carille é com a parte física do elenco. Por isso, preferiu não adiantar a escalação e sua maior dúvida é justamente no ataque. Sem Jô, que foi para o Japão, ele ainda não definiu quem é seu novo titular e também aguarda pela chegada de um reforço.
Enquanto isso, o jeito é tentar se virar com Júnior Dutra e Kazim. O treinador iniciou a temporada com Kazim como titular, mas o turco não soube aproveitar as oportunidades. Ao contrário de Júnior Dutra, que entrou bem, fez gol, mas não é um centroavante de ofício. O restante do time, apesar do cansaço, deve manter a base que venceu a Ferroviária no jogo passado.
O treinador disse nessa sexta-feira (26) que os defensores e o volante Gabriel estavam reclamando de dores e ainda não sabia se poderia contar com todos, mas a tendência é que os atletas joguem normalmente, já que terão uma semana para descansar, pois o time só voltará aos gramados no domingo que vem, para enfrentar o Novorizontino.
Carille acredita que o clássico logo no início do torneio terá como vantagem o fato de as equipes poderem conhecer sua força e terem tempo para corrigir os problemas. Ele cita a experiência do ano passado.
"A gente tem que enfrentar o que tem de mais forte o quanto antes, para dar tempo de arrumar a equipe. No ano passado, o quarto jogo da temporada foi o clássico com o Palmeiras, em que vencemos (por 1 a 0, em Itaquera) e percebemos o que poderíamos fazer", disse o treinador.