| Douglas Reis |
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| Rubens Cres (primeiro da fila) e dois amigos tiveram que percorrer trecho da Rondon dias atrás em Bauru: quando não tem jeito |
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| Paulo Souza: opção exige cuidado, mas “encurta” trajeto |
Disparou o número de atropelamentos de ciclistas na rodovia Marechal Rondon (SP-300) em Bauru e região. A quantidade saltou de apenas uma ocorrência em 2016 para 10 acidentes no ano passado, conforme estatística apresentada pela 1.ª Companhia do 2.º Batalhão da Polícia Rodoviária de Bauru. Felizmente, não houve vítimas fatais.
Comandante interino do Policiamento Rodoviário no município, o tenente Gabriel Eleuterio Garcia associa o índice elevado em 2017 ao aumento de adeptos pela prática de pedalar.
"A gente percebe essa mudança", frisa, complementando que os casos foram registrados em trecho que compreende quase 200 quilômetros - entre o pedágio de Areiópolis até Lins.
O tenente destaca que o perímetro urbano de Bauru é utilizado principalmente como trajeto para o trabalho. Porém, o perigo aos ciclistas é grande. Cada vez mais com cara de "avenida", essa parte da pista - altura do Gasparini até saída da Nações Unidas - coloca bikes lado a lado com motoristas que a usam como via de acesso a bairros.
Já que as obras das marginais da Rondon - que prometem desafogar o fluxo intenso de veículos - ainda não têm data de conclusão, a recomendação é não trafegar com as "magrelas".
"O Policiamento Rodoviário não aconselha o uso delas para atividades de esporte ou locomoção em rodovias. É altamente perigoso", alerta Eleuterio.
Entretanto, não há uma lei que proíba a prática. "Inclusive, não podemos impedir o direito de ir e vir da população", pontua o tenente. "Mas uma coisa é fato: alguém sobre uma 'bike' fica muito vulnerável em vias de trânsito rápido, como as rodovias. Uma colisão traseira, por exemplo, pode ser fatal", complementa o comandante.
'EM ÚLTIMO CASO'
É por saber dos riscos que o ciclista Rubens Cres, 67, tenta evitar rodovias.
"A Rondon é bastante perigosa, assim como outras rodovias. Só a uso quando não tem jeito, em último caso. Geralmente, para acessar outra via. Costumo pedalar em estradas de terra", detalha o aposentado, que ontem pegou pequeno trecho da SP-300, acompanhado de dois amigos.
Já o porteiro Paulo Cesar de Souza, 49 anos, utiliza parte do perímetro urbano da Rondon diariamente para chegar e voltar do trabalho. Ele reconhece os perigos, mas alega que acessar a rodovia encurta mais de um quilômetro de seu trajeto.
"Ando cerca de 200 metros na pista. É arriscado, tem muitos caminhão e carretas, mas procuro tomar bastante cuidado", pondera.
DICAS DE SEGURANÇA
Embora não seja recomendado trafegar de bicicleta por rodovias, o tenente Gabriel Eleuterio Garcia destaca que, caso seja essa a opção do ciclista, é importante seguir algumas regras estabelecidas pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
"Pedalar pelo acostamento da mão de direção, o mais distante possível da faixa de rolamento e em fila indiana".
Evitar locais de neblina ou chuvas, não esquecer da sinalização - como refletores dianteiros, traseiros e laterais, além de retrovisor acoplado ao guidão e dispositivo sonoro - para as atividades noturnas, bem como usar capacete, luvas, óculos e calçados adequados também estão entre as dicas mais relevantes do Policiamento Rodoviário.

