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Consumo de água volta a crescer e DAE já alerta para racionamento

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas
Volume consumido em imóveis da cidade foi de 22,5 milhões para 23,3 milhões de metros cúbicos
Malavolta Jr.
Eric Fabris, do DAE: diferentemente do ano passado, a previsão é de menos chuva em 2018

O racionamento de água no final de 2014, resultante da seca, trouxe como consequência a queda no consumo em 2015. Mas, passados três anos dos transtornos vividos pela população de Bauru, o nível de conscientização sobre a importância de economizar os recursos hídricos parece ter perdido força.

Em outras palavras: em 2017, o consumo de água em Bauru voltou a crescer, seguindo uma tendência já verificada em 2016.

No ano passado, o volume consumido pelos moradores, segundo o DAE, aumentou de 22,5 milhões para 23,3 milhões de metros cúbicos, uma alta de 3,3%.

Ainda que a cidade tenha ganhado novas ligações de água no período, a variação foi em menor intensidade, de apenas 0,8%, totalizando 134.572 endereços em 2017.

"A nossa preocupação é, que diferentemente do ano passado, em que tivemos bastante chuva, em 2018, a previsão é de que a situação não se repita. Se não economizarmos, corremos o risco de termos um novo racionamento entre outubro e novembro para a região abastecida pelo Rio Batalha, que abrange aproximadamente 38% da cidade", aponta o presidente do DAE, Eric Fabris.

Como medida de comparação, em 2015, a água consumida não havia ultrapassado a casa dos 21,7 milhões de metros cúbicos.

Além da falta d'água que secou as torneiras no final de 2014, a crise econômica também forçou os consumidores a reduzir despesas.

Outro agravante foi o encarecimento da conta de água em 2015, em razão do reajuste de 35% na tarifa, uma vez que a energia elétrica utilizada pela autarquia e os insumos em geral sofreram aumento no período.

"Agora, parece que as pessoas estão se sentindo mais à vontade para consumir água", pondera.

A preocupação do DAE parte dos registros do Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet), que apontam para uma tendência de menos chuvas neste verão, na comparação com o anterior, que foi de intensa reposição hídrica. Em razão disso, o departamento idealizou, ainda no ano passado, um Plano de Contingência para a possível estiagem.

O PLANO

Dos R$ 29 milhões necessários para realizar as obras projetadas, o DAE já tem reservado R$ 15 milhões no orçamento deste ano.

Segundo Fabris, o montante será suficiente para construir dez quilômetros de adutoras, que farão a interligação de poços com folga na produção para regiões com menor oferta de água.

"Já estamos finalizando o edital para licitar essa tubulação", adianta, citando como exemplo de interligação a que será feita no poço do Núcleo Octávio Rasi, que tem capacidade para funcionar 20 horas por dia e funciona, hoje, em sete horas diárias.

"A nova adutora ligará o poço Rasi até o poço Vargem Limpa. Dali, já temos adutora até o Redentor, que vai deixar de pegar água do Geisel. Então, o Geisel deixa de pegar água do poço Marabá e aí sobra água do Marabá para direcionar para o Batalha", detalha.

Dentro dos R$ 15 milhões disponíveis, o Plano de Contingência prevê, ainda, a perfuração de mais três poços no Núcleo Geisel, Jardim América e Santa Cândida, além da construção de três reservatórios, sendo dois na Vila Dutra e um na Vila Pacífico.

"É importante salientar que não vamos prejudicar o abastecimento de nenhuma região para socorrer outra. Vamos usar a folga de produção dos poços já existentes e construir mais poços e reservatórios. A intenção é que estas obras sejam concluídas até outubro, quando o momento mais crítico da estiagem chegar", completa.

Em números

Em condições normais, a Estação de Tratamento de Água (ETA) produz 550 litros de água por segundo. Segundo Eric Fabris, na crise hídrica de 2014, a vazão diminuiu para 250 litros por segundo.

Com o Plano de Contingência, porém, a previsão é injetar 212 litros por segundo na região do Rio Batalha. "Ou seja, se tivermos uma situação tão crítica como a de 2014, em que faltaram 300 litros por segundo, neste ano, com o plano, só faltariam 88 litros por segundo. Se a estiagem não for tão grave, portanto, não teremos problemas com racionamento", assegura.

Reforma na ETA: sem data de obras nos filtros

Segundo Eric Fabris, presidente do DAE, não há data para início da reforma dos filtros da Estação de Tratamento de Água (ETA), orçada em R$ 12 milhões. A proposta inicial de reestruturação tarifária para levantar recursos, a partir da redução do montante destinado ao Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE) e aumento da quantia reservada ao caixa do DAE, ainda segue sem previsão de ser implantada.

Isso porque, dentro desta estratégia, a conta de água dos bauruenses seria reduzida em 7,5%, mas, como a tarifa é contabilizada como Receita Corrente Líquida, o desconto impactaria na arrecadação do município e agravaria, ainda mais, o cumprimento do limite prudencial estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal para despesas com folha de pagamento.

Até outubro do ano passado, o índice estava em 51,94%, acima dos 51,3% estabelecidos pela legislação. "Portanto, enquanto a prefeitura não conseguir equacionar este problema, não vamos mexer nas tarifas", observa.

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